Supressão da Companhia de Jesus

Primeira página do breve papal Dominus ac Redemptor (latim e francês)
Pombal expulsa os Jesuítas (desenho da época)

A Supressão dos Jesuítas em Portugal, na França, nas Duas Sicílias, em Parma e no Império Espanhol em 1767 foi resultado de uma série de movimentos políticos, em vez de uma controvérsia teológica. [1] No breve papal Dominus ac Redemptor (21 de julho de 1773),[2] o Papa Clemente XIV, incitado por Carlos III (Rei da Espanha),[3][4] suprimiu a Companhia de Jesus. No entanto, em países não-católicos, principalmente na Prússia e na Rússia, onde a autoridade papal não era reconhecida, a ordem foi ignorada. O grupo erudito jesuíta Companhia dos Bolandistas mudou de Bruxelas para Antuérpia, onde continuou seu trabalho no mosteiro de Coudenberg; em 1788, a Sociedade Bolandista foi suprimida pelo governo austríaco dos Países Baixos.

Antecedentes

O Século XVIII na Europa era marcado pelo Despotismo Iluminado[5] que tinha dentre seus aspectos o regalismo, que permitia aos reis controlar instituições eclesiásticas, e pelos Pactos de Família das monarquias bourbônicas. Na França, imperava o galicanismo.[4]

A série de lutas políticas entre os vários monarcas, especialmente na França e Portugal, iniciou-se com disputas sobre território em 1750 e culminou na suspensão das relações diplomáticas e dissolução da Companhia de Jesus pelo Papa na maior parte da Europa, e até mesmo algumas execuções. Portugal, França, as Duas Sicílias, Parma e o Império Espanhol se envolveram de uma forma ou de outra.

Os conflitos começaram com disputas comerciais, em 1750 em Portugal, em 1755 na França, e no final da década de 1750 nas Duas Sicílias.

Parte das elites portuguesas acreditava que os jesuítas tinham apoiado os guaranis durante a Guerra Guaranítica (1750-1756).[4]

Em 1758, após sobreviver a um atentado, cuja culpa foi atribuída a uma família que tinha forte ligação com os jesuítas, o Rei José I de Portugal, influenciado pelo Marquês de Pombal,[4] aproveitou para diminuir os poderes do Papa Bento XIV e deportou jesuítas da América depois da relocação dos jesuítas e dos seus trabalhadores nativos, após lutarem em um breve conflito, a ordem foi formalmente suprimida em 1759. Em 1762, os jesuítas foram expulsos de todos os territórios do Império português.

Também em 1762, o Parlamento francês (tribunal, não legislador), afirmou uma decisão contra a Companhia em um grande caso de falência, sob pressão de uma série de grupos - a partir de dentro da Igreja pelos intelectuais seculares e a amante do rei. A Áustria e as Duas Sicílias suprimiram a ordem por decreto em 1767.

Em março de 1766, ocorreu o Motim de Esquilache em Madri contra o Rei Carlos III, que atribuiu aos jesuítas a culpa por ter instigado o levante. Por isso, em 1768, cerca de 5.000 jesuítas foram expulsos de todo o Império Espanhol e mandados em navios para os Estados Pontifícios, onde não foram aceitos pelo Papa Clemente XIII e tiveram que desembarcar na Ilha de Córsega.

Em 19 de maio de 1769, foi eleito o Papa Clemente XIV, que já fora eleito com o compromisso verbal de suprimir a Companhia de Jesus, o que somente ocorreu quatro anos depois, em 1773. José Moñino y Redondo, representante do Rei Carlos III no Vaticano teve papel decisivo no convencimento do Papa nessa questão.

A morte do Papa Clemente XIV em 22 de setembro de 1774, gerou rumores de que esse Papa teria sido envenenado pelo jesuítas.[4]