Stranger in a Strange Land

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Stranger in a Strange Land
Autor(es) Robert A. Heinlein
Idioma inglês
País Estados Unidos da América
Género ficção científica
Editora Putnam Publishing Group
Lançamento 1 de junho de 1961 (edição original)
ISBN N/D

Stranger in a Strange Land é um romance de ficção científica de 1961, escrito por Robert A. Heinlein e vencedor do Prêmio Hugo de 1962. [1] Nele, é contada a história de Valentine Michael Smith, um humano criado pelos habitantes do planeta Marte, até seu retorno à Terra no início da idade adulta. O romance explora sua interação com — e eventual transformação da — cultura terrestre. O título da obra refere-se ao livro bíblico do Êxodo. [2] De acordo com Heinlein em Grumbles from the Grave, o título de trabalho do romance era The Heretic ("O Herético"). Várias edições posteriores do livro o promoveram como "o mais famoso romance de ficção científica jamais escrito." [3]

Quando Heinlein acabou de escrever Stranger, seus editores na Putnam exigiram que ele reduzisse drasticamente as 220.000 palavras do original e removesse algumas cenas que poderiam ser consideradas excessivamente chocantes na época. A versão editada resultante tinha cerca de 160.000 palavras quando foi finalmente publicada em 1961. Em 1962, esta versão recebeu o Hugo Award de Best Science Fiction Novel of the Year ("Melhor Romance de Ficção Científica do Ano"). Após a morte de Heinlein em 1988, sua esposa Virginia conseguiu fazer com que a versão original sem cortes do manuscrito fosse publicada em 1991 pela Ace/Putnam. Os críticos discordam se o manuscrito original, preferido por Heinlein, é de fato melhor do que a primeira versão publicada, cuja edição deixou de fora vários trechos do manuscrito. Existe uma contenda similar em torno das duas versões de outra obra de Heinlein, Podkayne of Mars.

Strange tornou-se um sucesso instantâneo entre os leitores de ficção científica e nos seis anos seguintes ao lançamento, o boca-a-boca fez com que as vendas não parassem de crescer, exigindo que fossem feitas várias reimpressões pela Putnam. Em língua inglesa, o romance nunca deixou de ser reeditado desde 1961, e eventualmente tornou-se um cult, atraindo muitos leitores que não tinham o hábito de ler obras de ficção científica. A contracultura de fins da década de 1960, popularizada pelo movimento hippie, foi influenciada por seus temas de liberdade individual, auto-responsabilidade, liberdade sexual e a influência da religião organizada na cultura e governo humanos, e adotou o livro como uma espécie de manifesto.

Em 1962, Tim Zell (agora Oberon Zell-Ravenheart) e outros, fundaram uma organização religiosa neo-pagã denominada Church of All Worlds (Igreja de Todos os Mundos) , inspirada pela religião fundada pelos personagens principais do romance, mas exceto por uma correspondência (a longa carta dirigida a Zell aparece como uma carta a "um Fan" nos trechos finais de Grumbles from the Grave) e por uma assinatura paga da Green Egg, a revista da igreja, durante os anos 1970 (pois Heinlein recusava receber uma assinatura gratuita), Heinlein jamais teve qualquer conexão com o projeto. [4]

Resumo do enredo

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

É a história da adaptação de uma pessoa educada em Marte a, e a sua compreensão de, os seres humanos e a cultura humana, a qual é retratada como uma versão ampliada do consumismo e da obsessão mediática vigentes nos EUA durante o século XX.

Valentine Michael Smith é o filho de dois astronautas da malfadada primeira expedição da humanidade ao planeta Marte. Deixado órfão após a morte de toda a tripulação, Smith foi criado em meio à cultura dos habitantes nativos do planeta — seres assexuados cujas mentes vivem num mundo alternativo, dotados de grande poder e de grande conhecimento.

Após a chegada duma bem-sucedida segunda expedição ao planeta vinte anos depois, Smith é descoberto pelos astronautas e levado "de volta para casa" à Terra. Ele tem uma grande importância para o governo: ele pode servir como ponte cultural entre humanos e marcianos durante a colonização de Marte; e ele é, em virtude de vereditos passados da jurisprudência internacional, herdeiro dos seus falecidos pais, herdeiro dos demais falecidos membros da primeira expedição a Marte, e potencialmente único herdeiro e soberano de todo o planeta Marte. Isso o torna um joguete nas mãos de interesses poderosos.

Visto que ele é fisicamente fraco e é oprimido pela atmosfera densa e pela gravidade pesada da Terra, ele fica confinado sob observação no Hospital Bethesda. Além disso, visto que durante seus vinte anos em Marte ele jamais viu uma mulher, Smith é poupado de qualquer choque ao ser atendido somente por homens no hospital. Encarando isso como um desafio, a enfermeira Gillian Boardman dá a volta aos guardas para dar uma olhada em Smith. Ao travar contato com ele, ela inadvertidamente se torna a sua "irmã d'água" ao compartilhar um copo de água com ele. Para ele, que cresceu segundo os costumes de Marte, onde a água é escassa, isso selou um vínculo sagrado entre os dois.

Gillian conta ao repórter investigativo Ben Caxton sobre o seu encontro com Smith. Caxton lhe promete não ir aos jornais com a história, mas resolve tirar Smith do hospital e das mãos do governo. Caxton falha e é pego pela polícia secreta. Nos dias seguintes, o governo forja o desaparecimento do Homem-de-Marte. Gillian desconfia do desaparecimento de Caxton e, antes que o governo aja, ela surrupia Smith para fora do hospital. Durante a fuga, eles enfrentam dois brutamontes da polícia secreta, e é aí que Smith revela os dons que lhe deram os marcianos — como num passe de mágica, ele faz desaparecer os dois agentes quando eles estavam prestes a esbofetear Gillian. Eles prosseguem até a casa de Jubal Harshaw, um advogado, médico, escritor e amigo de Caxton. Lá, eles encontram asilo e auxílio. Harshaw monta um bem-sucedido plano para impedir que eles fossem todos presos e para reaver Caxton.

Smith demonstra habilidades psíquicas inteligência superhumana, e ao mesmo tempo uma ingenuidade infantil. Quando Jubal tenta lhe explicar o que é religião, Smith entente o conceito de Deus somente como "alguém que groka", o que inclui cada pessoa, planta e animal vivente. Isto o leva a expressar o conceito marciano da singeleza da vida na frase "Tu és Deus". Devido à sua educação alienígena, muitos conceitos humanos — tais como guerra, vestimenta, e inveja — lhe escapam, enquanto que a ideia da vida após a morte lhe é certa e concreta, pois o governo marciano se compõe de "Anciãos", os espíritos dos marcianos que já morreram. Em Marte também é tradicional que os amados e os amigos de um falecido comam o seu corpo numa espécie de Eucaristia.

Harshaw termina por negociar um acordo o qual inclui liberdade para Smith, e reconhecimento de a lei humana, segundo a qual a posse de Marte seria de Smith, não se aplica no caso de um planeta onde já habitam seres inteligentes.

Agora livre para viajar, Smith se torna uma celebridade, recebendo centenas de cartas todos os dias, inclusive cartas-bomba. Certo dia, ele tem a revelação de se tornara um homem, e resolve deixar a hospitalidade de Harshaw para explorar o mundo acompanhado de Gillian. Os dois amantes se juntam ao circo, depois viajam para Las Vegas, depois para São Francisco. Smith está se sentindo frustrado porque enquanto Gillian cada dia aprende mais sobre a língua marciana e sobre os poderes psíquicos marcianos, ele não consegue grokar os seres humanos. Numa visita ao zoológico, uma cena entre os macacos desperta uma revelação em Smith sobre a raça humana. A partir disso, ele cria a Igreja de Todos os Mundos, a qual ensina aos seus membros como superar o sofrimento por meio de um sincretismo religioso ensinado por Smith na língua marciana. Através dessa disciplina, os membros ganham os mesmos poderes psíquicos de Smith.

Os ensinamentos não-ortodoxos e o caráter secretivo da igreja antagoniza as autoridades, a mídia e as outras religiões. A chamada seita fosterita eventualmente queima e põe abaixo a igreja com alguns membros ainda dentro. Smith já esperava algo assim, e prontamente teletransportou todos para um lugar seguro. Smith dá então mostras públicas dos seus poderes. O seu esconderijo final é descoberto. Enquanto uma multidão se reúne do lado de fora, o Homem-de-Marte tem uma última conversa com o seu mentor, Harshaw. Harshaw reaviva nele a esperança de que a humanidade pode ser salva. Smith então lhe dá adeus e caminha na direção da multidão. Ele discursa sobre a verdade e os benefícios da sua disciplina, mas a multidão o apedreja, mutila, pisa e queima enquanto ele repete "meus irmãos, amo-vos tanto" até o fim.

Smith é explicitamente retratado como um moderno Prometeu, e implicitamente como uma figura messiânica; no final do livro, uma interpretação é de que ele é na realidade o arcanjo Miguel, que assumiu forma humana (Michael é Miguel em inglês). O livro termina com Smith promovido para um outro plano da existência, similar ao Paraíso.

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