Sismo de São Francisco de 1906

Sismo de São Francisco de 1906
O Grande Sismo de São Francisco (1906): A Rua Stockton e o Union Square, olhando para a Rua Market
EpicentroSão Francisco, Califórnia, 122° 33' O
Profundidade8 km (5 mi)
Magnitude8.0 MW
Data18 de abril de 1906 (112 anos)
Zonas atingidasÁrea da baía de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos
Vítimasmais de 3 000 mortos ou feridos

O sismo de San Francisco de 1906 (em inglês: 1906 San Francisco earthquake) foi um violento sismo que ocorreu às 5:14 horas da manhã no dia 18 de abril de 1906 em São Francisco. Com magnitude estimada média de 8.0 na [2] Conhecido como The Great San Francisco Earthquake (em Português, "O Grande Terremoto de São Francisco"), ou somente apelidado como The Great Quake,[1] o maior nos Estados Unidos já registrado na escala de Richter. O terremoto teve duração de aproximadamente 28 segundos, tendo morrido milhares de pessoas.[2]

Outras cidades sofreram estragos importantes, nomeadamente Santa Rosa, São José e a Universidade de Stanford. Cerca de 225 000 pessoas encontraram-se sem teto dos cerca de 400 000 habitantes daquelas áreas, na ocasião.[3]

O Geólogo que reportou-se no inquérito oficial da cidade de San Francisco diz:

"O epicentro do distúrbio estava provavelmente na cama do oceano, uma distância curta da costa, oposto à linha do norte do condado de Mendocino, e a região de sua maior intensidade estendeu-se em direção ao sul do ponto nomeado a uma distância de cem milhas do Sudeste de San Francisco. A linha do distúrbio foi a que é conhecida como a falha "Tomales-Portola", a linha de que foi seguido distintamente de Point Arena, condado de Mendocino, ao Sul de Hollister, condado de San Benito, exceto em pontos que a linha passa sob o oceano. Este é o caso oposto a San Francisco, a linha-falha que esta poucas milhas do lado de fora da Golden Gate Bridge (em Português, "ponte Golden Gate"). Foi a ruptura da superfície da terra ao longo desta linha-falha que causou o distúrbio, o que provou tão desastroso. A falha ainda não se chamava San Andreas."[2]

História

A situação antes do sismo

Terremoto de 1906 em São Francisco: O incêndio se alastrando na cidade

Antes da catástrofe, San Francisco era a nona maior cidade americana, com uma população de cerca de 410 000 habitantes.[3] Durante seis décadas, a cidade era o centro financeiro, comercial e cultural do Oeste estadunidense; acolhia ainda o grande porto da costa ocidental e era considerada como a "porta do Pacífico", pela qual transitava crescente a potência económica e militar americana para a Ásia e o Oceano Pacífico. A entrada do "Hawaii" na união e a guerra contra a Espanha em 1898 dá a São Francisco um papel importante. 42 bancos eram instalados na cidade.[3]

A vida cultural era dinâmica graças aos cinco jornais, os restaurantes franceses, os teatros e a ópera situada sobre Mission Street. O Orpheum O' Farrell podia acolher 3500 pessoas. De um ponto de vida arquitetônico, a cidade era a mais bonita do oeste americano. Magnatas da estrada de ferro e das minas de ouro fizeram-se construir magníficas residências sobre Nob Hill.

Ainda que a sismologia estava nos seus primórdios anos, os peritos sabiam que São Francisco estava situada sobre uma falha. Dos terremotos mais importantes na baía de São Francisco foram registrados os de 1836. 1868 e 1892.[3] Certos setores da falha de San Andreas foram identificados e reconhecidos como potencialmente perigosos a partir de 1893.

Sismo

1906

O terremoto foi causado por um deslize da falha de San Andreas (em Português, a Falha de Santo André) em um segmento de 442,5696 Km (275 Milhas) de comprimento. Suas ondas sísmicas foram sentidas desde o Sul do estado de Oregon (ao Norte da Califórnia) até a cidade de Los Angeles---ao Sul de [3]

As construções vitorianas e os prédios de tijolos ficaram devastados. O pior da destruição fora o incêndio, causado pelos fios elétricos que se partiram e, com faíscas, a ignificar-se com o gás que escapou pela cidade toda. Com as canalizações subterrâneas de águas quebradas os bombeiros não conseguiram responder ao incêndio em tempo e a cidade ficou praticamente inteira destruída. Às 7 horas da manhã as tropas do exército de Fort Mason (a base do histórico Presídio de 1776), em São Francisco, apresentaram-se a prefeitura da cidade e o, então, Prefeito E. E. Schmitz pediu o reforço da população e autorizou qualquer soldado a atirar para matar se alguém fosse encontrado saqueando lojas e casas. Enquanto isto, bombeiros e militares lutaram num esforço desesperado para controlar o contínuo fogo, até mesmo usando dinamites para explodir quarteirões inteiros criando, assim, um paredão contra o fogo que se alastrava sem cessar.

Dos 225 mil, em média, que ficaram sem teto,[4] cerca da metade destes refugiou-se do outro lado da baía, em Oakland (Califórnia). Os jornais da época descrevem como o Golden Gate Park, o bairro vizinho do Panhandle e as praias entre Ingleside e North Beach reencontraram-se cobertos de tendas

No dia 20 de abril, refugiados que ficaram emboscados em certas áreas por causa do incêndio tiveram que ser evacuados pela baía no cruzador USS Chicago, da Marinha americana.[5] No dia 23, grande parte do incêndio já se havia apagado e as autoridades iniciaram o trabalho de construção da metrópole devastada. Contou-se na época 478 mortes, mas aparece hoje que este número, publicado pelas autoridades da época, subestimou o impacto real da catástrofe, nomeadamente entre a população chinesa. O balanço desde então aumentou, e o número geralmente aceito é de pelo menos de 3000 mortes resultantes do terremoto e do incêndio que se alastrou pela cidade toda. Cerca de 28 mil prédios foram destruídos, incluindo a maioria das casas e praticamente todo centro financeiro.[4]

Um dos onze acampamentos de refugiados do Sismo de 1906 no Presídio de San Francisco


Abrigo aos refugiados

O Exército construiu 5,610 chalés de troncos de árvores para acomodar 20 mil desabrigados por via da tragédia inesperada. os chalés foram desenhados por John McLaren, e foram agrupados em onze acampamentos, próximos um dos outros, e alugados ao povo desabrigado por dois dólares por mês, até a reconstrução da cidade terminar. os chalés foram pintados de cor parda-oliva para mesclar com o local e, parcialmente, porque o exército tinha grandes quantidades desta tinta em estoque. Os acampamentos tiveram uma população máxima de 16.448 desabrigados, mas em 1907 a maioria deles já haviam se mudado. Os acampamentos, então, viraram garagens, locais de armazenamentos ou lojas. Os chalés custaram, em média, US$100-741 para montar. Os dois dólares de aluguel iria para crédito na compra do chalé (opcional), num custo de US$50 dólares. A maioria das cabanas foram destruídas, mas um pequeno número destes chalés ainda existe. Um destes modestos chalés de 66,90 metros quadrados foi recentemente vendido por mais do que US$600.000,00.[6]

O Grande Incêndio

Apesar dos estragos importantes causados pelo sismo e suas contrapartes, foram os incêndios os responsáveis que resultaram na destruição, na maior parte, de todas estruturas.[2] Estes lavraram-se em vários lugares da cidade, alguns causados inicialmente por linha de gás natural quebrada e duraram três dias inteiros. Outros incêndios foram começados intencionalmente, e outros ainda foram a consequência de fogos de madeiras acendidos por refugiados. Certos proprietários tocaram fogo aos seus próprios edifícios a fim de ganhar a indenização do seguro contra incêndio, uma vez que estavam informados que o seu seguro não cobriria os estragos causados unicamente pelo sismo. Com as condutas de água fora de serviço, os bombeiros municipais tinham poucos recursos à sua disposição para combater os incêndios. Vários fogos no centro da cidade convergiram para formar uma fornalha gigantesca. O incêndio destruiu mais de 500 casas, da Avenida Van Ness perto do centro até o cais do porto, que limitam a baía.

Panorama de São Francisco após o terremoto


Contrariamente à uma ideia recebida, o presidente da câmara municipal Eugene Schmitz e o General Frederick Funston não declararam a lei marcial. Em contrapartida, Schmitz assinou uma deliberação que permitia a polícia, às patrulhas de milícias e os militares de atirar sobre 'pilhantes, e algumas 500 pessoas foram mortas ou aleijados. Funston tentou controlar a expansão do incêndio fazendo explodir as casa tortas, caídas, em redor dos lares, com um sucesso mitigado, mas que parece ter permitido poupar o oeste da cidade.


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