Segundo Ensanche (Pamplona)

Mapa do Segundo Ensanche
Localização do Segundo Ensanche em Pamplona

O Segundo Ensanche (em basco: Bigarren Zabalgunea) ou Ensanche Novo é um bairro do centro de Pamplona, a capital da Comunidade Foral de Navarra, Espanha.

História

Até ao final do século XIX, a expansão urbana de Pamplona foi muito condicionda pelas restrições às construções impostas por motivos militares. Desde a Idade Média que a cidade era cercada de muralhas, as quais foram grandemente reforçadas no século XVI. Por outro lado, era proibido construir nas proximidades exteriores das muralhas e em algumas partes interiores, nas chamadas "zonas polémicas", por serem consideradas áreas de interesse militar. Até nas zonas ligeiramente mais distantes havia limitações à altura das casas e aos materiais de construção utilizados, só sendo permitida a madeira e o tijolo, estando a pedra proibida.

As limitações foram aligeiradas no final do século XX, o que permitiu a construção do Primeiro Ensanche, que implicou o derrube de alguns baluarte da cidadela virados para o interior, usados no passado para controlar a cidade. As novas tecnologias militares usadas na Primeira Guerra Mundial, nomeadamente os bombardeamentos aéreos, tornaram evidente a inutilidade das muralhas para defesa, pelo que finalmente, em 1915 pudesse ser iniciado o derrube de uma parte das muralhas para que a cidade se pudesse expandir.

As negociações prolongaram-se por vários anos. Em 1901 uma Real Ordem determinava o derrube das muralhas a sul da cidade e a urbanização dessa zona, mas as negociações e debates foram longas e envolveram exigência monetárias importantes. O derrube das muralhas foi iniciado em 25 de julho de 1915.

O Ayuntamiento encomendou vários projetos de ensanche, contemplando a demolição da parte sul das muralhas. Em 1909, o arquiteto municipal Julián Arteaga realizou o primeiro projeto no qual abarcava toda a meseta numa malha octogonal, de forma perpendicular à estrada de França (a atual Avenida da Baixa Navarra), deixando dois espaços ajardinados, um no início e outro no final. Esse projeto deixava a Praça do Castelo fechada e a praça de touros onde então se encontrava, ou seja, no local onde atualmente se encontra o Teatro Gayarre, no início da Avenida Carlos III. O projeto não foi aceite porque não ligava a nova urbanização à trama medieval do Casco Antiguo.

Capela de Santo Inácio de Loyola, construída no século XVII no local onde o santo caiu ferido durante uma das batalhas da conquista de Navarra. A maior parte foi demolida com a construção do Segundo Ensanche, apenas se conservando a nave central.

O novo bairro foi desenhado pelo também arquiteto municipal Serapio Esparza em 1916. Tinha um traçado reticular, com quarteirões quadrados com pátios interiores. É um herdeiro tardio dos ensanches do século XIX, especialmente do Ensanche de Barcelona, seguindo um plano de malha octogonal com dois eixos principais, as atuais avenidas da Baixa Navarra e Carlos III, orientando as quadrículas de ruas em direção ao Casco Antiguo. Com esta orientação privilegiava-se a ventilação e a iluminação natural das casas. Segundo o projeto, a Praça do Castelo abriu-se para a Avenida Carlos III, trasladando-se o teatro Gayarre e a praça de touros. Houve alguma polémica em relação à construção de uma nova praça de touros, a qual terminou quando a existente ardeu a 12 de agosto de 1921, segundo as crónicas de forma intencionada, algo que nunca foi provado.

As obras foram muito atrasadas porque só em 11 de maio de 1920 é que houve autorização mediante uma Real Ordem para expropriar os terrenos. A primeira pedra foi colocada oficialmente em 29 de novembro desse ano na atual Bajada del Labrit.

A via que atravessava todo o ensanche de norte a sul foi batizada em 1923 "Gran Vía de Carlos III el Noble", com a intenção de ter uma "Gran Vía", como todas as cidades espanholas importantes de então. Esse nome não foi bem acolhido pela população, que acabou por impor o nome de "Avenida de Carlos III el Noble". O nome homenageia o rei de Navarra que unificou a cidade com a promulgação em 1423 do "Privilégio da União", a carta foral de Pamplona. Nesta avenida, atualmente vedada ao trânsito automóvel, instalar-se-iam entidades importantes e a alta burguesia da cidade. Nos anos 1940 foi construído no final da avenida o Monumento aos Caídos, que atualmente é oficialmente denominado Sala de Exposições Conde de Rodezno, um memorial em homenagem aos mortos da fação fação nacionalista na Guerra Civil Espanhola. Em 1952 foi construída uma praça em frente ao memorial, dedicada a Tomás Domínguez Arévalo, Conde de Rodezno. O conjunto da praça e do monumento gera polémica atualmente, havendo que defenda a sua demolição.

Avenida Carlos III
Teatro Gayarre, na Avenida Carlos III
Colégio dos Escolápios, junto à praça de touros, da autoria de Víctor Eusa, um arquiteto pamplonês responsável por inúmeras obras do século XX em Pamplona
Monumento aos Caídos, oficialmente denominado Sala de Exposições Conde de Rodezno.
Palacete com várias habitações; obra de 1924 da autoria de Víctor Eusa
Monumento ao encierro das Festas de São Firmino, obra do escultor basco Rafael Huerta, na esquina da Avenida de Roncesvalles com a Avenida Carlos III

A outra avenida do Segundo Ensanche, que cruza a Carlos III, é a "Avenida da Baixa Navarra", cujo nome reflete a história de Pamplona e Navarra no último século. Foi inicialmente batizada em 1923 como "Avenida de França", por ser a saída de Pamplona em direção à fronteira daquele país. Em 1927 mudou de nome para "Avenida Afonso XIII", quando este foi coroado rei de Espanha. Em 1931 voltou a mudar de nome para "Galán y García Hernández", em honra dos sublevados republicanos executados na Sublevação de Jaca. Em 1937, em plena guerra civil, o nome foi mudado para "General Franco", em honra do líder nacionalista e futuro ditador. Finalmente, em 1979, durante a "Transição" (para a democracia), foi rebatizada com o nome atual. Outras ruas e praças do bairro têm histórias semelhantes.

A construção do bairro foi levada a cabo em duas fases. Em ambas alternaram-se edifícios de vários andares com outros de altura reduzida. Estes prédios mais baixos, em forma de chalé, ficaram encurralados quando foram edificados blocos habitacionais modernos. Ainda persistem alguns na "Colonia Argaray" mas, à semelhança do que aconteceu com muitos outros edifícios originais, essas casas baixas desapareceram ao longo do século XX, sendo substituídos por construções modernas.