República das bananas

Bandeira humorística da república bananeira.

República das bananas é um termo pejorativo para um país, normalmente latino-americano, politicamente instável, submisso a um país rico e frequentemente com um governante corrompido e opressor.[1] Sua economia é, em grande parte, dependente da exportação de um único produto, tais como bananas.

Normalmente, tem classes sociais estratificadas, incluindo uma grande e empobrecida classe trabalhadora e uma plutocracia que compreende as elites de negócios, política e militares[2] (embora o nível de desigualdade social da América Latina seja, atualmente, menor do que em alguns países desenvolvidos).[3] Esta oligarquia político-econômica controla as produções do setor primário e, assim, explora a economia do país. [4]

História

O. Henry

O termo foi criado por O. Henry, um humorista e cronista estadunidense. Originalmente, o termo referia-se a Honduras e foi apresentado no livro de contos curtos Cabbages and Kings, de 1904, ambientados na América Central. "República", nessa época, era também um eufemismo de "ditadura". Alguns trechos do livro nos quais o termo é usado são:

In the constitution of this small, maritime banana republic was a forgotten section...[nota 1]
At that time we had a treaty with about every foreign country except Belgium and that banana republic, Anchuria.[nota 2]

O termo fortaleceu-se devido à forte presença das empresas estadunidenses United Fruit Company e Standard Fruit, que dominavam a produção de frutas como bananas e abacaxis nos países do Caribe. Na época, a exportação de frutas era a grande fonte de riqueza destes países. Assim, as companhias tinham grande poder sobre a economia local destes países e, quando estes países não respondiam aos interesses das companhias, as empresas utilizavam-se da força para garanti-los.[5] Exemplo disso foi quando, em 1910, um barco partiu de Nova Orleans rumo a Honduras com o objectivo de instalar um novo presidente pela força, pois o governo daquele país não cortara os impostos cobrados da companhia. O novo presidente empossado permitiu que a empresa ficasse livre de pagar impostos durante 25 anos.[6][7]

As duas ditaduras sul-americanas fictícias criadas por Hergé nos anos 1930 para cenário de algumas aventuras de Tintim, San Theodoros e Nuevo Rico, são exemplos perfeitos da arquetípica República das Bananas.[8]

O conceito também foi explorado pelo cineasta Woody Allen no filme Bananas, de 1971, que se passa na fictícia San Marcos.

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