Quebec

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Canadá Quebec

Québec (francês)

 
  Província  
Bandeira de Quebec
Bandeira
Brasão de armas de Quebec
Brasão de armas
Lema: Je me souviens
(do francês: Eu me lembro)
Confederação1 de julho de 1867 (1.°)
CapitalQuebec
Maior CidadeMontreal
Administração
 - TipoMonarquia constitucional
 - Primeiro-ministroPhilippe Couillard
 - Tenente-governadorJ. Michel Doyon
Área
 - Total1 542 056 km²
 - Terra1 365 128 km²
 - Água176 928 km²
População (2016)
 - Total8 164 361 [1]
    • Densidade 6 hab./km²
Informações
 - PIB nominalC$ 380.972 bilhões (2.°)
 - PIB per capitaC$ 46,126 (10.°)
 - IDH (2015)0.916 (4.º) – muito elevado[2]
Fuso horário-5 e -4
Código postalG, H, J
Língua oficialFrancês[3]
Abreviação PostalQC
Código ISO 3166CA-QC
Membros do Parlamento78 de 338 (23,1%)
Membros do Senado24 de 105 (22,9%)
Sítiowww.gouv.qc.ca

O Quebec ou Quebeque[4][5] (em francês [Le] Québec) é uma das dez províncias do Canadá, sendo a mais extensa e segunda mais populosa delas, com cerca de 24% da população do país. A maior cidade do Quebec é Montreal, que é também a segunda maior do país, mas a capital da província é a Cidade de Quebec. Embora o Quebec represente cerca de um quarto da população do Canadá, ele não faz parte oficialmente da constituição canadense. Durante o processo de repatriação da Constituição do Canadá em 1982, o governo provincial exigiu o reconhecimento do Quebec como sendo uma nação por razão de sua língua, sua cultura e suas instituições próprias[6]. Porém, durante o evento da Nuit des Longs Couteaux, um novo acordo foi feito sem René Lévesque, primeiro-ministro quebequense à época, que se recusou de assinar a nova versão da constituição. Desde então, vários projetos de reforma constitucional foram tentados, como o Acordo do Lago Meech, em 1987, e o Acordo de Charlottetown, em 1992, ambos sem sucesso.

O Quebec é a única província canadense com uma maioria francófona (79%) e uma minoria anglófona (8,3%). É também a província com a maior porcentagem de bilinguismo, 42,6% da população[7] e 61% dos jovens francófonos[8].A forte influência francesa, presente desde os primórdios da colonização do Canadá, torna a província sensivelmente diferente do resto do país e o francês seu único idioma oficial. Por causa da colonização francesa, a população do Quebec é, em sua maioria, católica, ao contrário do resto do país, onde os protestantes são maioria. Outra influência francesa está em seu sistema de justiça. O Quebec é a única província que tem um sistema misto: código civil de origem francesa e código criminal de origem britânica. Outra característica francesa do Quebec é a arquitetura de suas cidades.

Os franceses que iniciaram a colonização da região, anteriormente conhecida como Nova França, estavam interessados no comércio de peles de animais, fosse pela caça ou por contatos comerciais com nativos indígenas da região. O nome Quebec significa "onde o rio se estreita", em algonquino, referência ao trecho estreito do Rio São Lourenço, na região onde fica atualmente a Cidade de Quebec. Os ingleses capturaram a capital da província em 1759, e tomaram o controle da região em 1763. A partir da década de 1950, um movimento nacionalista começou a crescer no Quebec, que culminou com a realização de dois referendos, em 1980 e em 1995, pela separação do Quebec do Canadá e um em 1980 por um projeto de "soberania-associação"[9]. No referendo de 1995, o "não" obteve 50,58% dos votos[10].

O Quebec possui vastos recursos naturais, entre os quais inúmeros rios, lagos e muitas florestas. Atualmente, é o maior produtor de energia elétrica do Canadá; a maior parte dessa energia (97%) é gerada em hidrelétricas. A província produz cerca de 26% dos produtos industriais e agropecuários da federação. Os principais produtos são alimentos, madeira e derivados, aviões, químicos e roupas.

História

Até 1763

Diversas tribos nativas americanas viviam na região que atualmente consiste a província do Quebec milhares de anos antes da chegada dos primeiros europeus. Tais tribos eram pertencentes a três famílias nativo-americanas diferentes: os inuit (popularmente conhecidos como esquimós), os iroqueses e os algonquinos. Os inuit viviam no extremo norte do atual Quebec, enquanto as tribos algonquinas e iroquesas viviam na região sul do Quebec, próximas ao vale do Rio São Lourenço. Os franceses tomaram posse da região que atualmente corresponde ao Canadá, e fundaram a cidade de Quebec.

O primeiro europeu a explorar o interior do Quebec foi o francês Jacques Cartier. Ele navegou ao longo do Rio São Lourenço, tendo desembarcado em terra várias vezes. Gaspé, a Cidade de Quebec e Montreal estão localizadas nos locais onde três destes desembarques foram realizados. Cartier, então, reivindicou a região à coroa francesa. Esta região tornar-se-ia a base das colônias francesas na América do Norte, a Nova França.

Em 1608, com o apoio do Rei Henrique IV da França, Samuel de Champlain fundou Quebec, com seis famílias totalizando 28 pessoas, sendo o primeiro assentamento bem-sucedido criado no Canadá. A colonização da região foi lenta e difícil. Muitos colonizadores morreram devido às rigorosas condições climáticas e à falta de suprimentos. Em 1630, 22 anos depois, apenas 100 colonos viviam no assentamento de Quebec. Dez anos depois, a população aumentaria para 359 colonos.

Champlain rapidamente aliou-se com os nativos americanos algonquinos e montagnais. Estas duas tribos estavam em guerra com os iroqueses. Champlain também conseguiu fazer com que alguns jovens colonos franceses vivessem com os algonquinos e os montagnais para que eles pudessem aprender idiomas indígenas e se adaptassem à vida na região. Estes jovens colonos, conhecidos como Voyageurs, como Étienne Brûlé, estenderam a influência francesa até a região dos Grandes Lagos, bem como sob as tribos nativas hurões que viviam ali.

Nas primeiras décadas da existência do Quebec, apenas algumas poucas centenas de colonos viviam na região, enquanto que as colônias inglesas ao sul eram muito mais populosas e ricas. O Cardinal Richelieu, um conselheiro do Rei Luís XIII da França, queria que a Nova França tivesse a mesma importância que as colônias inglesas ao sul. Em 1627, Richelieu criou a Companhia dos Cem Associados para investir economicamente na Nova França e prometeu lotes de terra para as pessoas que tivessem interesse em migrar à Nova França. Isto atraiu centenas de pessoas e tornou o Quebec uma importante colônia mercantil. Champlain eventualmente foi nomeado o Governador da Nova França. Ele proibiu que qualquer colono não católico vivesse na região. Protestantes foram obrigados ou a renunciar a sua fé e a suas crenças, para continuar a morar na Nova França, ou foram obrigados a mudar-se. Muitos dos protestantes escolheram mudar-se, migrando para as colônias inglesas ao sul. A Igreja Católica e missionários católicos como jesuítas e recollets ficaram firmemente estabelecidos no território. Richelieu também introduziu um sistema semifeudal de agricultura, que seria típico do Vale do São Lourenço até o século XIX.

Ao mesmo tempo, porém, as colônias inglesas ao sul começaram a expandir-se ao norte, em direção do Vale do São Lourenço, e em 1629, o assentamento de Quebec foi capturado, ficando sob controle inglês até 1632. Champlain, então, ordenou a Sieur de Laviolette a fundação de outro posto comercial, onde atualmente fica a cidade quebequense de Trois-Rivières.

Champlain morreu em 1635 e a Igreja Católica tornou-se a força dominante na Nova França. Em 1642, a Igreja apoiou economicamente um grupo de assentadores, que fundaram Ville-Marie, na ilha de Montreal, um pequeno assentamento que, posteriormente, viria a ser a cidade de Montreal. Por volta da década de 1640, missionários jesuítas subiram até a região dos Grandes Lagos e converteram religiosamente muitos dos hurões que viviam na região para o cristianismo. Os missionários logo entraram em conflito com os iroqueses. Estes constantemente atacavam Montreal e, por volta de 1649, ambos as missões jesuítas e os hurões estavam quase completamente destruídas.

Por volta da década de 1650, Montreal ainda tinha apenas algumas centenas de assentadores e a Nova França quase caiu completamente frente aos constantes ataques iroqueses. Em 1660, o colono francês Adam Dollard des Ormeaux liderou uma força militar, composta por franceses e hurões, contra uma força muito maior de iroqueses. Nenhum dos franceses sobreviveu. Em 1663, a Nova França finalmente tornou-se mais segura quando o rei Luís XIV criou uma nova Província da França. Em 1665, ele enviou uma força militar francesa ao Quebec e o governo da colônia foi reformado. Em 1665, Jean Talon foi enviado pelo ministro da marinha francesa, Jean-Baptiste Colbert, para a Nova França, para servir como o primeiro intendente da região. Estas reformas limitaram o poder do bispo de Quebec, que, anteriormente, era a autoridade mais poderosa na Nova França.

O censo de 1666 feito na colônia, realizado por Jean Talon no inverno de 1665-1666, revelou uma população de 3 215 habitantes na Nova França — muito mais do que algumas décadas passadas. A maior parte desta população morava na região do atual Quebec. Porém, havia uma grande disparidade entre o número de pessoas do sexo masculino (2 034) e do sexo feminino (1 181). Como resultado, esperando fazer da colônia a capital do Império Colonial da França, Luís XIV de França concordou em enviar mais de 700 mulheres solteiras (que tinham entre 15 a 30 anos de idade) para a Nova França. Elas passariam a ser conhecidas como as "Filhas do Rei". Ao mesmo tempo, casamentos com nativas indígenas foram incentivados, e vários homens solteiros, conhecidos como engagés, foram enviados da França para a Nova França. Um deles, Étienne Trudeau, foi um dos ancestrais do futuro primeiro-ministro canadense Pierre Elliott Trudeau.

Em 1689, os ingleses e os iroqueses invadiram a Nova França, após muitos anos de conflitos menores ao longo dos territórios franceses e ingleses. Esta guerra, conhecida como a Guerra do Rei William, terminou em 1697, mas uma segunda guerra, a Guerra da Rainha Ana, começou em 1702. O Quebec sobreviveu às invasões anglo-iroquesas em ambas as guerras, mas Port Royal e Acádia passaram para controle inglês em 1690. Em 1713, o Tratado de Utrecht estabeleceu relações de paz entre a Inglaterra e a França — o custo aos franceses foi a perda definitiva da Acádia e da Terra Nova e Labrador — os franceses continuariam a ter controle sobre a histórica Louisiana, e os territórios que formam atualmente as províncias canadenses de Quebec, Ontário, Ilha do Príncipe Eduardo e Nova Brunswick.

Após a assinatura do tratado, a Nova França começou a prosperar economicamente. Indústrias como a pesca e a agricultura, que haviam sido medíocres sob o controle de Talon, começaram a crescer. Uma estrada foi construída entre Quebec e Montreal. Novos portos foram construídos, e centros portuários mais antigos foram modernizados. O número de colonos aumentou bastante, e por volta de 1720, toda a região que constitui a província do Quebec possuía 24 594 habitantes. A Igreja Católica ainda mantinha controle sobre a educação e programas de ajuda social na Nova França. Esses anos de paz é conhecido como a "Idade de Ouro" da Nova França.

A paz durou até 1744, quando William Shirley, então governador da colônia britânica de Massachussets, comandou um ataque contra o Fort Louisburg. Os franceses mostraram-se incapazes de resistir ao ataque britânico, e Louisburg passou para domínio britânico. Tentativas francesas de tomar o forte em 1746 falharam. O forte passou novamente ao controle francês sob o Tratado de Aquisgrão, mas isto não parou a guerra que se desenvolvia entre a França e o Reino Unido, e suas respectivas colônias. Em 1754, a Guerra Franco-Indígena começou, como parte da Guerra dos Sete Anos (esta começou tecnicamente na Europa apenas em 1756). A primeira batalha da guerra resultou na derrota de uma pequena força militar britânica, liderada pelo coronel George Washington, por tropas francesas no Vale de Ohio.

Porém, a Nova França então tinha somente cerca de 50 000 habitantes — um número muito maior em comparação aos números do início do século — enquanto que as colônias anglo-americanas possuíam então mais de 1 000 000 de habitantes. Foi muito mais fácil para os colonos anglo-americanos organizar ataques contra a Nova França do que foi para os colonos franceses a organização de ataques contra colônias britânicas. Em 1755, o general Edward Braddock liderou uma expedição militar contra o forte francês Duquesne. Apesar de ter uma grande vantagem numérica, além do suporte militar dos iroqueses, a a força militar de Braddock foi derrotada, sendo que o próprio morreu em batalha.

Em 1758, o Reino Unido novamente capturou o Forte Louisbourg, permitindo o bloqueio do Rio São Lourenço e, assim, o envio de novas tropas por parte da França às colônias francesas — a sentença de morte da Nova França. Em 1759, os britânicos cercaram a Cidade de Quebec, pelo rio, e uma força militar, liderada pelo general James Wolfe, derrotou os franceses, liderados pelo general Louis-Joseph de Montcalm, na Batalha dos Campos de Abraham, em setembro. Os soldados em Quebec renderam-se completamente em 18 de setembro, e um ano depois, em 1760, todo o norte da Nova França (atual Ontário, Quebec, Nova Brunswick e Ilha do Príncipe Eduardo) foram capturados pelos ingleses. O último governador da Nova França, Marquis de Vaudreuil-Cavagnal, rendeu-se aos britânicos em 8 de setembro de 1760, e os franceses cederam o Canadá aos ingleses no Tratado de Paris, assinado em 10 de fevereiro de 1763.

1763 - 1899

Mapa da província de Quebec (1763–1791).

Os britânicos dividiram a Nova França em três províncias coloniais: as províncias de Nova Brunswick, Nova Escócia e do Quebec, esta última anteriormente localizada no que é atualmente o sul do Ontário e do atual Quebec. Os britânicos permitiriam aos colonos franceses a liberdade de expressão religiosa e idiomática, assim permitindo que o catolicismo e a língua francesa sobrevivessem no Quebec. Porém, os britânicos tentariam posteriormente assimilar a cultura francesa à cultura britânica.

A Revolução Americana de 1776 teve início em 1775, onde os Estados Unidos declaravam sua independência do Reino Unido. Com o fim da guerra, e a independência dos Estados Unidos, vários colonos anglo-americanos que eram leais ao Reino Unido saíram dos Estados Unidos. Alguns instalaram-se nas colônias de Nova Brunswick e Nova Escócia, enquanto outros migraram de volta ao Reino Unido. Porém, a maioria instalou-se no sul da província colonial do Quebec. Logo, a população do sudoeste da província tornou-se majoritariamente anglófona, concentrados primariamente no sudoeste, em contraste com o nordeste, de população primariamente francófona. Crescentes atritos começaram a se desenvolver entre os colonos britânicos e franceses. Para tentar resolver este problema, o Reino Unido dividiu a província do Quebec em duas. A parte sudoeste da antiga província colonial do Quebec tornou-se o Canadá Superior, base do atual Ontário, enquanto que a parte nordeste tornou-se o Canadá Inferior, que corresponde ao que hoje é o Quebec.

Em 1837, colonos franceses iniciaram uma rebelião no Canadá Inferior, pedindo por maior autonomia política. A rebelião foi extinguida por tropas britânicas ainda no mesmo ano, porém, reiniciariam no ano seguinte, somente terminando por completo em novembro de 1838. Os britânicos enviaram Lord Durham para o Canadá Superior para investigar os motivos que levaram à rebelião. Durham aconselhou ao Reino Unido a união do Canadá Superior com o Inferior — para tentar assimilar os colonos francófonos à cultura dos colonos anglófonos — e também maior autonomia às colônias britânicas na América do Norte. Em 1841, o Canadá Superior foi fundido com o Canadá Inferior, assim formando uma única província do Canadá. O governo desta província colonial recebeu maior autonomia e soberania sobre assuntos regionais.

O governo desta única província do Canadá era formado por um número igual de francófonos e de anglófonos. Porém, a população anglófona da província crescia mais rapidamente do que a francófona e, em torno da década de 1850, a população anglófona da província do Canadá já era maior do que a população francófona. Isto gerou grandes atritos entre os anglófonos e os francófonos.

O Canal de Lachine, fundamental para o Quebec.

O Quebec passou a se destacar como o centro econômico do Canadá a partir da década de 1830. Em 1825, o Canal de Lachine foi inaugurado, permitindo a grandes navios navegarem o Rio São Lourenço, na secção ao longo da Ilha de Montreal. Isto tornou Montreal um dos maiores centros portuários da América do Norte. Ferrovias e estradas foram construídas, e Montreal passou a se destacar também como o principal polo industrial, ferroviário e bancário do Canadá.

Em 1865, políticos da província do Canadá juntaram-se com políticos de outras colônias britânicas na América do Norte em três diferentes encontros. Como resultado destes encontros, as províncias do Canadá, Nova Brunswick e Nova Escócia juntaram-se em uma única Confederação do Canadá. Além disso, a província do Canadá foi dividida em duas, nas atuais províncias de Ontário e Quebec, segundo o Ato da América do Norte Britânica. Em 1 de julho de 1867, o Canadá tornou-se independente do Reino Unido.

Os atritos entre a população francófona do Quebec e os anglófonos do resto do país diminuíram por algum tempo após a independência do Canadá. Segundo o Ato da América do Norte Britânica, crianças de todo o país teria direito a receber educação apropriada em francês ou em inglês. A minoria anglófona no Quebec continuou a dispor de escolas protestantes que ensinavam em inglês, e pagas pela província. Porém, o mesmo não ocorreu em várias cidades no resto do país, onde as minorias francófonas não tinham direito de receber educação em francês. Isto novamente levou a grandes atritos entre os francófonos quebequenses e o resto do Canadá.

Dois acontecimentos no final do século XIX aumentaram ainda mais os atritos entre francófonos quebequenses e o resto do Canadá. Em 1885, o francófono Louis Riel, líder da Rebelião de Saskatchewan, foi capturado e executado no local da atual província canadense de Saskatchewan. Já em 1899, a Guerra dos Boers teve início na colônia britânica de África do Sul. Os anglófonos canadenses, leais ao Reino Unido, queriam a participação ativa e urgente do Canadá ao lado do Reino Unido. Já os francófonos eram contra qualquer participação canadense na guerra. O então primeiro-ministro do Canadá, o francófono quebequense Wilfrid Laurier, enviou uma pequena força de voluntários à África do Sul, gerando grande controvérsia no Quebec. Vários quebequenses opuseram-se ao fornecimento de qualquer suporte econômico e/ou militar ao Reino Unido. Liderados por Henri Bourassa, tais quebequenses acreditavam firmemente que canadenses deviam ser leais primariamente ao Canadá, e não a outros países.

1900 – 1960

As duas primeiras décadas do século XX foram um período de rápida industrialização no Quebec. Em 1912, a província praticamente dobrou de tamanho, tendo expandido em direção ao norte, até a Baía de Hudson e o Estreito de Hudson. O Quebec enfrentou disputas territoriais com a Terra Nova e Labrador, sobre uma área no nordeste do Quebec (e ao sudoeste da Terra Nova e Labrador) rica em minerais. A Terra Nova e Labrador então não fazia parte ainda do Canadá. Em 1927, o parlamento britânico decidiu que a Terra Nova e Labrador tinha o direito de ficar com o território. Este território forma o extremo sudeste da Terra Nova e Labrador, formando uma protuberância que se estende Quebec adentro. Desde então, as fronteiras do Quebec não mudaram mais.

Os anos da Primeira Guerra Mundial foram de intenso desenvolvimento econômico para o Canadá como um todo. O Canadá entrara na guerra do lado dos Aliados. Porém, muitos francófonos não estavam interessados na guerra, acreditando que a guerra fosse um problema exclusivamente europeu. O exército canadense era formado inicialmente por voluntários. O número de alistamentos no Quebec era sensivelmente menor do que no resto do país, e o exército canadense estava perdendo mais soldados do que ganhando através de alistamentos voluntários. Logo, tensões surgiram entre os anglófonos e os francófonos. Os anglófonos queriam o imediato recrutamento forçado, enquanto que os francófonos eram contra. O atrito entre o Quebec e o resto do Canadá agravou-se com a decisão do Ontário em abolir o uso do francês em todas as suas escolas. Em 1917, o governo canadense instituiu o recrutamento forçado em todo o país. Isto gerou grandes manifestações populares em Montreal e na Cidade de Quebec. Estas manifestações foram extinguidas com o uso de força militar.

Após o fim da guerra, a indústria quebequense continuou a crescer rapidamente, e gradualmente cada vez mais pessoas abandonavam os campos em busca de melhores condições de vida nas cidades. A Grande Depressão, porém, interrompeu este período de crescimento industrial, várias empresas faliram, e muitas pessoas ficaram desempregadas. A economia do Quebec continuaria estagnada até o início da Segunda Guerra Mundial. A província francófona participou ativamente ao longo da guerra. O Canadá construiu várias bases militares na província, e muitos aviadores, tanto canadenses quanto britânicos, foram treinados na província. A província francófona era então a maior potência industrial do Canadá, sendo a maior produtora de eletricidade no país, além de ter enormes reservas de asbestos, carvão, alumínio e zinco. Ao final da guerra, a produção industrial do Quebec havia triplicado em comparação aos anos anteriores à guerra. Porém, novamente, a população francófona era contra o recrutamento forçado. O então primeiro-ministro do Canadá, William Lyon Mackenzie King, adotou o recrutamento forçado em 1942, mas prometeu não enviar os soldados que fossem recrutados forçadamente à Europa. Em 1944, King rompeu sua promessa, enviando vários soldados francófonos quebequenses que haviam sido recrutados forçadamente. Porém, ao contrário do que havia ocorrido na primeira guerra mundial, manifestações populares não ocorreram.

1960 – Tempos atuais

Após a morte de Duplessis, em 1959, o Quebec continuou a prosperar economicamente, tendo construído várias represas e localizado enormes minas de titânio e de asbestos durante a década de 1950. O Partido Liberal do Quebec, comandado por Jean Lesage, venceu as eleições provinciais de 1960. Entre 1960 e 1966, Lesage governou o Quebec. Este período é chamado de Revolução Tranquila, onde inúmeras reformas foram implementadas no Quebec. Foi implementado um sistema de ajuda social, foram feitos grandes investimentos no setor educacional da província e leis que facilitavam a criação de sindicatos foram implementados. Além disso, a província adotou o termo nacionalista Québécois ("quebequense") como gentílico, em substituição à expressão Canadien français ("canadense de origem francesa"). Em 1963, todas as companhias de eletricidade privadas que produziam eletricidade na província foram adquiridas pelo governo do Quebec.

Ao longo da década de 1960, o Quebec exigiu do governo canadense maior autonomia sobre problemas referentes exclusivamente ao Quebec. A província passou a administrar seu próprio orçamento sem supervisão do governo canadense. Todos os planos de pensão e ajuda social exercidos no Quebec e que eram administrados pelo governo canadense passaram a ser controlados pela província. O nacionalismo quebequense cresceu bastante durante a década de 1960 e 1970. Em 1967, Montreal sediou a Feira Mundial de 1967, onde vários chefes de estado compareceram, entre eles, o presidente da França, Charles de Gaulle. De Gaulle fez um discurso à população da cidade no qual expressava aparente simpatia a um Quebec independente. Perto de terminar seu discurso, de Gaulle pronunciou Vive le Québec libre (Viva o Quebec livre), sendo pesadamente aplaudido pelas pessoas que o assistiam, e pesadamente criticado pelo então primeiro-ministro do Canadá, Lester B. Pearson.

Em outubro de 1968, o Partido Quebequense foi fundado por René Lévesque. Este partido promovia o separatismo e a independência do Quebec do resto do Canadá. Em 1970, membros do grupo terrorista Front de Libération du Québec (FLQ) sequestraram Pierre Laporte, ministro do trabalho do Quebec, e James R. Cross, desencadeando a "Crise de Outubro". Este grupo terrorista já havia matado anteriormente cinco pessoas em diversos ataques a bomba e assassinatos. Este grupo ameaçou que no próximo ano uma revolução ocorreria no Quebec, onde o governo teria que enfrentar 100 mil revolucionários armados e organizados. O então primeiro-ministro canadense, Pierre Elliott Trudeau, a pedido do então governador do Quebec, Robert Bourassa, instituiu lei marcial (através do War Measures Act) no Quebec. A polícia revistou mais de três mil casas e prendeu 450 pessoas, embora a maioria delas não tivesse envolvimento nenhum com a FLQ. Laporte foi posteriormente encontrado morto no porta-malas de um carro. As autoridades quebequenses e canadenses permitiram as pessoas que haviam sequestrado Cross a exilar-se em Cuba, com a condição de libertarem Cross.

Em 1972, mais de 200 mil trabalhadores públicos entraram em greve no Quebec, buscando melhores salários. Foi a maior greve da história do Canadá. A greve durou 11 dias, fechou a grande maioria das escolas da província, e limitou serviços hospitalares e governamentais. Em 1974, a Assembleia Nacional do Quebec adotou o francês como único idioma oficial da província. Até então, o Quebec era uma província bilingual, e também considerava o inglês como idioma oficial. Esta decisão fez com que o francês se tornasse o principal idioma a ser usado em todas as escolas públicas da província, e também o idioma a ser usado no comércio e no governo.

Em 1976, o Partido Quebequense comandado por René Lévesque venceu as eleições provinciais. No ano seguinte, Lévesque instituiria a Carta da Língua Francesa, também conhecida como Lei 101, que instituía multas e outras punições aos que não obedecessem à decisão tomada em 1974. Estas leis ajudariam a tornar a cidade de Toronto a nova capital econômica do Canadá, por ter causado a saída de várias empresas anglófonas de Montreal, a antiga capital econômica do país.

O Partido Quebequense realizou um plebiscito em 1980, e pediu aos eleitores que votassem a favor da separação do Quebec do resto do Canadá. Esta secessão seria somente política, e a província continuaria unido ao Canadá economicamente. Na votação, 60% dos eleitores votaram contra a secessão.

Em 1981, o Parlamento do Canadá votou a favor da instituição de diversas mudanças à Constituição canadense. Várias destas mudanças não agradaram aos quebequenses, que acreditavam que estas mudanças não ajudariam a preservar a língua francesa no Canadá. Lévesque foi a Ottawa para tentar negociar com o governo federal e os governadores das outras nove províncias canadenses. Porém, na noite de 4 de novembro para 5 de novembro de 1982 (chamada La Nuit des Longs Coûteaux no Quebec, que significa "noite das facas longas"), o então ministro da economia do Canadá, Jean Chrétien, reuniu-se secretamente com todos os governadores com exceção de Lévesque, para assinar e aprovar oficialmente o documento que viria a ser a nova Constituição do Canadá. No dia seguinte, Lévesque, ao ver o documento, recusou-se a assiná-lo, voltando imediatamente para Quebec. A nova constituição então foi aprovada pelo Reino Unido, e entrou em vigor ainda no mesmo ano. A população quebequense sentiu-se traída pelo governo canadense.

Seriam realizadas duas tentativas de integrar o Quebec à nova Constituição, uma em 1987 e outra em 1990. Na tentativa realizada em 1987, em Meech Lake, e conhecida como Meech Lake Accord, o primeiro-ministro do Canadá Brian Mulroney propôs algumas mudanças à Constituição canadense, entre elas, o reconhecimento do Quebec como uma distinta sociedade canadense. Para este acordo ter entrado em vigor, ele precisaria ter sido aprovado (ratificado) por todas as províncias do Canadá. Manitoba e Terra Nova e Labrador não ratificaram, e o acordo fracassou em 1990. Uma segunda tentativa realizada em 1992, em Charlottetown, foi reprovada por 56,7% dos canadenses não-quebequenses e por 57% da população quebequense. Até hoje, a Constituição do Canadá continua em vigor, mesmo sem a assinatura e aprovação do Quebec.

O Partido Quebequense venceu as eleições provinciais de 1994. Em 30 de outubro de 1995, um novo plebiscito foi realizado a favor da independência do Quebec. 50,6% dos eleitores quebequenses votaram contra a secessão e 49,4% dos eleitores quebequenses votaram a favor. Jacques Parizeau, então governador do Quebec, alegou que esta derrota havia acontecido por causa de "dinheiro e voto étnico". Este comentário imediatamente repercutiu na mídia quebequense e canadense, e Parizeau foi obrigado a renunciar. O Partido Quebequense venceria as eleições provinciais de 1998, perdendo em 2003 para o Partido Liberal do Quebec.

Em 1995 e 1996, o Parlamento do Canadá aprovou novas emendas cujo objetivo era promover a união canadense. Uma destas emendas reconheceu o Quebec e sua única linguagem, cultura e leis civis. A outra emenda deu ao Quebec e às outras quatro regiões canadenses (Ontário, Províncias Marítimas, Províncias Ocidentais e a Terra Nova e Labrador e os territórios canadenses) o poder de veto sobre mudanças à constituição canadense.

Em 2005, André Boisclair tornou-se o novo líder do Partido Quebequense. O partido prometeu realizar um terceiro referendo caso retorne ao poder. Em novembro de 2006, Stephen Harper do Partido Conservador do Canadá declarou na Câmara dos Comuns que o "Quebec é uma nação dentro de um Canadá unido", declaração apoiada por todos os partidos políticos presentes na Câmara, embora não tivesse nenhum efeito legal.

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