Problemas ambientais do Brasil

A ararinha-azul, Cyanopsitta spixii, espécie que só existia no Brasil, foi declarada extinta na natureza, restando apenas cerca de 70 indivíduos em cativeiro no mundo. Suas populações foram exterminadas pela caça e pela destruição de seu habitat pelo desmatamento.

Os problemas ambientais do Brasil, aqueles que afetam o meio ambiente, são múltiplos, vastos e de enorme gravidade, prejudicando todos os seus biomas. Entre as principais ameaças estão a poluição da água, do ar e do solo, o desmatamento, o depósito e disposição de lixo em locais inadequados, a caça e a pesca predatórias, o desperdício de alimentos e de recursos naturais, e o aquecimento global. Todas elas têm sua raiz na explosão demográfica, na acelerada expansão urbana e agropecuária, e no proporcional aumento no consumo geral de recursos, podendo agir em separado, mas em geral fazendo-o em combinação, e desencadeiam uma série de impactos negativos sobre a biodiversidade, fazendo declinar populações, extinguindo espécies, privando-as de comida e abrigo, e provocando-lhes doenças, redução em seu crescimento, anomalias genéticas e outros males.

Consequentemente, desencadeiam-se prejuízos variados para a sociedade, que em tudo da natureza depende para sobreviver, na forma de redução de fontes de alimento e energia, de serviços ambientais, de materiais de construção, de substâncias medicinais, de fibras, óleos, resinas, condimentos e outros recursos. Também prejudicam o homem diretamente, causando-lhe doenças e outros danos à sua saúde, finanças e bem estar. Toda a sociedade brasileira sente os efeitos combinados desses problemas, e sofrem mais os mais pobres, a despeito da existência de grossa legislação normativa e protetora. Várias são as políticas e os programas governamentais e privados dedicados à prevenção e combate às ameaças ambientais, mas no balanço eles têm se revelado pouco eficientes e pouco ambiciosos, visto que as ameaças se agravam dia a dia, sem que haja sinal de uma reversão em grande escala nas tendências atuais num futuro próximo.

Fatores culturais, econômicos e políticos, que privilegiam a exploração predatória, imediatista, imprevidente e insustentável da natureza, além da ilegalidade, dificultam enormemente a aplicação e a eficácia das normas legais de monitoramento, fomento e proteção das espécies selvagens. A falta de educação ambiental e de consciência da população sobre o papel fundamental que a natureza desempenha na vida humana são outros agravantes desse contexto dramático, fazendo com que as projeções de futuro não sejam otimistas, embora o conhecimento exista e seja facilmente acessível, e embora os custos de transformação do modelo atual sejam baixíssimos comparados aos seus benefícios, especialmente na perspectiva de longo prazo.

A combinação das ameaças ambientais

A Terra, um sistema onde todas as formas de vida são interdependentes, influem sobre o ambiente e são por ele influenciadas.

São importantes conceitos introdutórios no estudo da problemática ambiental os de sinergia e acumulação. Na definição de Milaré, "sinergia é o efeito ou força ou ação resultante da conjunção simultânea de dois ou mais fatores, de forma que o resultado é superior à ação dos fatores individualmente, sob as mesmas condições. Noutro passo, são cumulativos os impactos ou efeitos capazes de ensejarem alteração significativa na dinâmica ambiental a partir da acumulação de impactos locais".[1] A natureza é um sistema todo integrado, cada um de seus elos desempenha um papel específico no equilíbrio ecológico geral, que pode ser muito abrangente ou bastante limitado, conforme a espécie. Isso significa que a supressão ou declínio de uma certa espécie vai inevitavelmente afetar outras que dela dependiam em termos de alimentação, reprodução, proteção ou outro fator. Algumas espécies têm funções restritas e o efeito do seu desaparecimento é pequeno; não obstante, ele existe. Outras, porém, exercem influência sobre muitas outras, e o seu desaparecimento desencadeia uma cascata de eventos que pode levar à desestruturação de todo um ecossistema e ao seu colapso final. Dessa interatividade inerente ao funcionamento da natureza, decorre que muitas ameaças ambientais, senão todas, não ficam limitadas à sua origem, mas se interpenetram, interagem, acumulam e se reforçam mutuamente, produzindo efeitos que podem ser imprevisíveis, incontroláveis, de vasta escala e longa duração, e às vezes irreversíveis. O ser humano é talvez a única das espécies vivas que tem a capacidade de afetar todo o ambiente da Terra, como as observações recentes têm mostrado com superabundância de evidências, e seus atos, da mesma maneira sinérgica e cumulativa, têm efeitos em múltiplas esferas.[2][3][4][5] Há muitos séculos atrás, quando a população era pequena, o impacto da atividade humana foi na maior parte das vezes absorvido pela natureza, mas essa capacidade de neutralização já foi ultrapassada, e hoje a Terra dá sinais nítidos de esgotamento.[6][7][8][9][10] O Brasil, riquíssimo em recursos naturais e dono de uma natureza exuberante, não é exceção nesse estilo de vida insustentável, e todos os seus biomas estão ameaçados por um longo elenco de agressões que se combinam e produzem efeitos multiplicados.

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