Peter Frederick Strawson

Peter Frederick Strawson
Nascimento23 de novembro de 1919
Ealing, Londres
Morte13 de fevereiro de 2006 (86 anos)
Londres, Reino Unido
Nacionalidadebritânico
Alma materFaculdade de São João, Oxford[1]
Escola/tradiçãoFilosofia analítica
Principais interessesLógica, Filosofia da Linguagem, Filosofia da Mente

Peter Frederick Strawson (Londres, 23 de Novembro de 191913 de Fevereiro de 2006) foi um filósofo associado com movimento da filosofia da linguagem, dentro da filosofia analítica. Ele foi o Waynflete Professor of Metaphysical Philosophy na Universidade de Oxford entre 1968 e 1987. Tornou-se conhecido com o seu artigo "On Referring" (1950), uma crítica a Bertrand Russell e sua teoria das descrições definidas. É também conhecido pela reconstrução analítica dos argumentos de Immanuel Kant na Crítica da Razão Pura, e pela defesa de uma reabilitação da metafísica como disciplina filosófica, especialmente no seu livro Individuals, no qual delineia e fornece uma amostra de emprego de seu projeto de metafísica descritiva.

Seu filho Galen Strawson também é filósofo.

Visão da filosofia

Uma das características mais marcantes da filosofia strawsoniana é a completa unidade de seu pensamento: seja interpretando Kant (em The Bounds of Sense), seja tratando de questões metafísicas muito gerais (em Individuals), seja defendendo teses mais específicas (como a teoria causal da percepção), as linhas mestras de seu projeto geral de metafísica descritiva estão sempre presentes.

A principal obra na qual Strawson delineia e põe em andamento seu projeto filosófico é o livro Individuals, An Essay in Descriptive Metaphysics (London: Methuen & Co. Ltd., 1984). Para compreender a natureza da "metafísica descritiva" é necessário analisar duas distinções feitas por Strawson na introdução desse livro. A primeira delas é entre a metafísica descritiva e a posição antagônica denominada de "metafísica revisionista":

A metafísica tem sido freqüentemente revisionista, e menos freqüentemente descritiva. A metafísica descritiva se contenta em descrever a estrutura efetiva de nosso pensamento sobre o mundo, a metafísica revisionista almeja produzir uma estrutura melhor. (p. 9).

Essa caracterização inicial traz consigo uma conseqüência indesejável, que é imediatamente levada em conta por Strawson, por motivos que certamente eram prementes no cenário filosófico da época na qual ele escrevia seu livro. O problema reside na aproximação dessa posição de Strawson com aquilo que ele próprio chama de "análise conceitual", e diz respeito à possibilidade de enfrentar o ceticismo. Colocando de modo grosseiro, o problema enfrentado por uma posição filosófica como a da análise conceitual é que, na medida em que tal análise visa meramente descrever o uso dos conceitos, ela não estabelece nenhuma garantia de que esse uso é, digamos assim, o uso correto dos mesmos. Afinal, do fato de que efetivamente usamos tais e tais conceitos não se segue que necessariamente os devemos utilizar. Visando escapar desse tipo de problema, Strawson oferece uma nova diferenciação, respeitante ao escopo da análise que ele propõe, a que deverá ser mais geral do que a "análise conceitual" tradicional. Essa nova diferenciação é crucial para compreender o que há de distintivo na metafísica descritiva, e também para compreender como exatamente Strawson pretende "descrever a estrutura efetiva de nosso pensamento", de um modo que permita a defesa dessa estrutura contra o ceticismo. O ponto é assim apresentado por ele:

Como deve a [metafísica descritiva] diferir daquilo que é chamado análise filosófica, ou lógica, ou conceitual? Ela não difere em tipo ou intenção, mas apenas em escopo e generalidade. Alvejando revelar as características mais gerais de nossa estrutura conceitual, ela pode tomar como certo muito menos do que uma investigação conceitual mais limitada e parcial. Portanto, há também uma diferença no método. Até certo ponto, a confiança no exame cuidadoso do uso efetivo das palavras é o melhor, e de fato o único caminho seguro em filosofia. Mas as discriminações que nós podemos fazer, e as conexões que nós podemos estabelecer, desse modo, não são gerais o suficiente e não tem o alcance suficiente para satisfazer a demanda metafísica completa por entendimento. Pois quando nós perguntamos como nós usamos esta ou aquela expressão, nossas respostas, ainda que reveladoras em certo nível, estão aptas a assumir, e não a expor, aqueles elementos gerais da estrutura que o metafísico quer revelar. (p. 9-10)

Como Strawson defenderá um pouco adiante, o objeto próprio de investigação da metafísica descritiva é "um massivo núcleo central do pensamento humano que não possui história" – um núcleo que, apesar de formado por conceitos que "não são especialidades do pensamento mais refinado", é caracterizado como "o núcleo indispensável do equipamento conceitual dos seres humanos mais sofisticados" (p. 10).

Strawson também representa a filosofia como um análogo da gramática, especialmente em Análise e Metafísica (São Paulo: Discurso Editorial, 2002). Assim como um gramático explicita as regras que os falantes de uma língua natural seguem implicitamente, o filósofo explicita os conceitos-chave que as pessoas utilizam com uma compreensão meramente implícita no discurso cotidiano.

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