Palácio do Louvre

Vista geral do Palácio do Louvre, da Grande Galeria e dos Jardins das Tulherias.

O Palácio do Louvre (em francês: Palais du Louvre) é um antigo palácio real da França, localizado em Paris, na margem direita do rio Sena. Fica entre os Jardins das Tulherias e a Igreja de São Germano de Auxerre. A suas origens remontam há quase um milénio atrás, sendo a sua história indissociável da de Paris. A sua estrutura tem evoluído por etapas desde o século XVI.

O Louvre, cujo nome derivou da palavra latina Lupara, do termo lupus, lobo, ou da palavra franca leovar ou leower, que significa lugar fortificado de acordo com o historiador francês Henri Sauval (1623-1676), foi a sede do poder na França até ao reinado de Luís XIV. Na época, este mudou-se para o Palácio de Versalhes, em 1682, levando a encenação governamental consigo. O Louvre permaneceu como a sede formal do governo até ao final do Antigo Regime.

O Palácio do Louvre acolhe, actualmente, o Museu do Louvre, um dos mais ricos e famosos museus de arte do mundo.

Origem do nome

A primeira fortaleza do Louvre, durante o reinado de Filipe II, foi construída num local chamado de Lupara, cuja etimologia é desconhecida. No entanto, uma hipótese amplamente admitida aproxima-a do termo latino lupus, o que deixa supôr que o dito lugar seria habitado por lobos.

Uma outra hipótese faz remontar a origem do nome de Louvre ao francês arcaico lauer ou lower que significava "torre de guarda".

É, no entanto, do saxão (e não do francês antigo) - consequência direta da ocupação dos "Francos sálios" (ou sicambros: Meroveu, Quilderico I, Clóvis, etc.), cuja língua era germânica e não latina - que Henri Sauval (historiador francês 1623-1676) deduz a origem da palavra "Louvre". Nesta língua, que já forneceu a etimologia de numerosos nomes de lugares da região de Parisis (Stains derivado de Stein; Château du Mail de Mâhl, nome que significa "assembleia" na língua franca; Ermenonville de Ermenoldi Villa), a palavra "leovar, lovar, lover, leower ou lower" significa castelo ou campo fortificado.

No século V, os povos anglo-saxões, com o acordo explícito do Império Romano, tomam posse do Norte da Europa Ocidental. Constituem-se, então, em comunidades encarregadas pelo Império de defendê-lo na eventualidade de um ataque exterior. Foi, de resto, em 463 que Quilderico e Egídio afastaram os Visigodos em Orleães.

Posteriormente a integração ganhou raízes, processo que foi acelerado pela inegável decadência do Império. É então que os novos sicambrianos descem com Meroveu até às planícies do Parisis; os Francos confraternizando com os da sua nação que já ali se encontravam. Constituíam, nesta época, um grupo suficientemente poderoso para se estender até à Lutécia. Se não chegam a tomar conta do lugar, erguem, ao menos, os seus próprios muros, o sólido estabelecimento do qual falamos: um "lower", um campo fortificado. Este "lower" já devia existir na margem direita do Sena nos tempos de Meroveu e deve ter representado uma ameaça constante durante os dez anos de cerco que a capital conheceu nos tempos da Santa Genoveva.

A Lutécia, armada e defendida, foi o primeiro obstáculo sério que Clóvis encontrou, pois a cidade representava para ele a chave do resto do território. O cerco, por falta de meios para um ataque de grande envergadura, acabou por não ser mais que um bloqueio, o qual teve fim com a conversão de Clovis ao Cristianismo.

Pode supôr-se a importância que teria para os Merovíngios um tal campo fortificado. Este célebre "lower" permitia-lhes, mesmo deixando lá apenas algumas tropas, ter a cidade em respeito, cortar-lhes os alimentos e servir de ponto de apoio se estes tentassem de um ataque sério.

Houve, na sequência desta ocupação persistente, duas cidades face a face: a cidade galo-romana de um lado e a instalação franca, continuamente reforçada, do outro.

Por conseguinte, foi muito provavelmente a partir deste nome de campo fortificado que os francos, de "leowar" ou "lower" (a sua forma anglo-saxónica) fizeram evoluir para "Luver", "Luvre" e por fim "Louvre", o nome actual que já se encontrava numa carta de 1198. A amálgama foi feita em seguida pela semelhança com "louvre", palavra derivada do latim vulgar lupara, louve ou louverie. Efetivamente, a floresta estendia-se até aos arredores periféricos da actual capital e está comprovada a presença de canídeos às portas da cidade.

Em seguida, Clóvis e os seus sucessores não esqueceram que o seu domínio foi exercido, inicialmente, sobre a margem Norte do Sena. Enquanto negligenciavam o desenvolvimento de Paris da outra margem, que lhes resistiu por tanto tempo, criaram na margem direita uma cidade rival: uma nova Paris. Taranne, nas suas notas de tradução do poema de Abbon, faz a seguinte observação: Paris, cidade galo-romana, havia crescido consideravelmente a Sul; Paris, cidade franca, estendeu-se mais para Norte.

A cidade crescia a cada dia em direção ao Norte quando se encontrou sob a ameaça de uma outra conquista, da qual só lhe restaria ruínas e desolação. Os Normandos, que podiam subir o Sena sem obstáculos, fizeram de Paris, pelo menos durante cinquenta anos, o seu principal destino de conquista. Para dar um ponto de apoio aos seus ataques - e aproveitando que os parisienses ainda não tinham retomado para a defesa o lugar do qual já se haviam servido para atacá-los - foi no local do antigo campo forte de Clovis (e em volta de Saint-Germain-le-Rond, actual Igreja de Saint-Germain-l'Auxerrois de Paris), que os Normandos se estabeleceram. As suas muralhas constituíam um sólido abrigo. Tratava-se de uma verdadeira fortaleza defendida por largas paliçadas, uma muralha em pedra e largos fossos. A chegada do Imperador com um exército considerável não mudou nada, e isto mais por covardia que por imposição militar: em lugar de terminar com a invasão com um ataque decisivo, Carlos, o Gordo negociou com os Normandos. pagou-lhes um tributo desmedido em troca da sua partida! Um resgate, de qualquer forma. No entanto eles regressariam durante vinte anos, até que foi cedido a Rollon, o seu chefe, o território actualmente chamado de Normandia (911 - Tratado de Saint-Clair-sur-Epte).

As fundações medievais ainda podem ser vistas no interior do museu.

Mais tarde, próximo do local onde Clovis havia acampado, encontrava-se um dos fornos mais conhecidos de Paris: "Furnus de Lovres", como é chamado no Livre Noir (Livro Negro), datado de 1203. Este localizava-se numa grande rua paralela ao Sena, a qual atravessava toda a cidade da margem direita, prolongando-se para Oeste através da cidade nova, onde tomava o nome de Rua Saint-Honoré.

Depois da passagem devastadora dos Normandos foi necessário reconstruir, tendo sido pela paróquia de Saint-Germain l'Auxerrois que essa reconstrução começou. Este edifício fica actualmente situado em frente da colunata do Louvre. Opõe-se simetricamente à actual prefeitura do primeiro arrondissement, com um campanário em estilo gótico flamejante ao centro; imagens, entre tantas outras, do "Pastiche" do século XIX.

O Rei Roberto reconstruiu esta basílica, cujas ruínas haviam sido muito mal reparadas. O quarteirão, do qual Saint-Germain era o centro, tinha-se tornado uma espécie de Paris nova unida aos flancos da antiga.

Foi com a sua partida para as cruzadas, em companhia de Ricardo, Coração de Leão, que Filipe II resolveu, em 1190, proteger a sua cidade de qualquer ataque exterior - e nomeadamente dos seus parentes e, no entanto, pretendentes ao trono de França: os Plantagenetas. O novo recinto, cuja construção durou quase vinte anos, passou a cercar a Paris antiga e moderna, prolongando-se até ao local onde Clovis e os Normandos já haviam possuído o seu feudo. A consonância da palavra permaneceu nas memórias e o lugar tornou-se no antigo "luver" ou "luvre" definido previamente. Foi portanto, muito naturalmente, que Filipe II decidiu edificar na orla desta muralha aquela que se tornaria na fortaleza de Paris por excelência e, mais tarde, num dos mais prestigiados palácios do mundo.

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