Organon

Organon (do grego, ὄργανον) é o nome tradicionalmente dado ao conjunto das obras sobre lógica do filósofo antigo Aristóteles. Significa "instrumento" ou “ferramenta” porque os peripatéticos consideravam que a lógica era um instrumento da filosofia e, a partir daí, passaram a designar o conjunto de textos de Aristóteles a esse respeito. Com essa denominação, os peripatéticos da Antiguidade Tardia marcavam uma diferença com relação aos estoicos, que por sua vez tomavam a lógica como uma parte da filosofia.

O Órganon abre o Corpus aristotelicum e é composto pelos livros: Categorias, Da Interpretação, Analíticos Anteriores, Analíticos Posteriores, Tópicos e Elencos Sofísticos.

O próprio Aristóteles não designou que esses livros formassem um conjunto, muito menos deu um título único que os englobasse, mas essa tradição tem suas bases na antiguidade. Justamente por ocupar a primeira posição na leitura das obras de Aristóteles, o conjunto recebeu mais atenção que todo o resto das suas obras, sendo proporcionalmente mais reproduzida e comentada que as demais.

Composição e Ordem Interna

Atualmente, as seguintes obras de Aristóteles compõem o Órganon, nesta ordem. Vai ao lado a ideia que normalmente se tem da obra:

  1. Categorias: tratado sobre os termos tomados individualmente (por exemplo, “homem”, “branco”).
  2. Da Interpretação (mais conhecido pelo título latino De Interpretatione): tratado sobre os enunciados (p.ex.: “homem é branco”).
  3. Analíticos anteriores (também chamados de Primeiros Analíticos), em 2 livros: tratado sobre o raciocínio (em grego, συλλογισμός, silogismo, também traduzido por “dedução”. Exemplo de silogismo: “Todo animal é mortal”, “Todo homem é animal”, logo “Todo homem é mortal”.)
  4. Analíticos posteriores (também chamados de Segundos Analíticos), em 2 livros: tratado do raciocínio científico (ou demonstração ou silogismo demonstrativo).
  5. Tópicos, em 8 livros: manual para debates de opiniões aceitas pela sociedade (silogismo dialético).
  6. Elencos Sofísticos (também conhecidos como Refutação dos Sofistas): manual para perceber erros argumentativos.

Essa composição, porém, não é unânime. Muitos antigos e medievais, principalmente siríacos e árabes, incluíam nesse conjunto também a Retórica e a Poética.[1] Por outro lado, uma ou outra obra, ou parte de obra, já foi considerada inautêntica (ou seja, não escrita pelo próprio Aristóteles), o que implicaria tirá-la do conjunto. Ademais, o Isagoge de Porfírio é uma introdução às Categorias que muitas vezes foi editado junto às outras, mas sempre demarcando-se, obviamente, que não se tratava de uma obra de Aristóteles. Assim, havia uma versão longa desse conjunto com a seguinte ordem: 1º: Isagoge, 2º: Cat., 3º: De Int., 4º: An.Ant., 5º: An. Pos., 6º: Tóp., 7º: El.Sof., 8º: Retórica, 9º: Poética.

Em todo caso, porém, os estudiosos hoje se referem a somente as seis obras acima quando falam sem especificar de Órganon.

Os títulos das obras que compõem o conjunto também podem ser discutidos, pois os Analíticos anteriores e os Analíticos posteriores são citados por Aristóteles como uma única obra, cujo nome seria “Analíticos” simplesmente[2] e os Elencos sofísticos são considerados um nono livro dos Tópicos.[3] A rigor, então, seriam quatro obras. Entretanto, vem desde a Antiguidade e ainda hoje é seguida a tradição de dividir em dois Analíticos[4] e de separar os Elencos sofísticos dos Tópicos.[5]

Existem outras formas de ordenar internamente as obras. Começar as edições do Organon (e de todo o Corpus Aristotélico) pelas Categorias é quase uma unanimidade. Existe, contudo, a seguinte ordem, presente no catálogo de um certo Ptolomeu[6]: 1º: Cat., 2º: De Int., 3º: Tóp., 4º: An.Ant., 5º: An.Pos. e 6º: El.Sof. E é possível também pensar numa ordem em que as Categorias estejam imediatamente antes dos Tópicos, fazendo jus a um dos seus antigos títulos (algo como “Pré-Tópicos”). Não há, em todo o caso, um critério cronológico ao assim ordenar o Órganon.[7]

Sabe-se que não antes dos neoplatônicos, no século IV, a ordem acima foi estabelecida[8] e o critério deles de ordenação segue uma preocupação pedagógica, segundo o seguinte pensamento: a demonstração é o assunto principal da lógica; portanto, antes de chegarmos a ela, devemos estudar seus elementos, a saber, os termos, as proposições e o silogismo em geral; cada um desses assuntos é tema de uma obra, a saber, das Categorias, o Da Interpretação e os Analíticos Anteriores, respectivamente. E é óbvio que se deve começar do mais elementar até chegar à demonstração; por isso, a ordem Cat., Int., AAn e APo. Em seguida, deve-se estudar algumas coisas que, de alguma forma, nos ajudam a evitar o que não é demonstração, pois são coisas que podem se parecer com demonstração, sem o ser verdadeiramente; daí o estudo da dialética e da sofística em Tópicos e Elencos Sofísticos".[9]

En otros idiomas
العربية: أورغانون
català: Òrganon
English: Organon
español: Órganon
eesti: Organon
suomi: Organon
français: Organon
עברית: אורגנון
Bahasa Indonesia: Organon
italiano: Organon
日本語: オルガノン
қазақша: Органон
한국어: 오르가논
kurdî: Organon
Кыргызча: Органон
македонски: Органон
occitan: Organon
polski: Organon
română: Organon
srpskohrvatski / српскохрватски: Organon
српски / srpski: Органон
svenska: Organon
Türkçe: Organon
українська: Органон
中文: 工具論