Manuel I Comneno

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Manuel I Comneno
Imperador bizantino
Manuelcomnenus.jpg
Iluminura de Manuel I,
Biblioteca do Vaticano, Roma
Reinado1143 a 1180[1]
ConsorteBerta de Sulzbach
Maria de Antioquia
Antecessor(a)João II
Sucessor(a)Aleixo II
DinastiaComneno
Nascimento28 de novembro de 1118
Morte24 de setembro de 1180 (61 anos)
Filho(s)Com Berta:
Maria Comnena
Ana Comnena
Com Maria:
Aleixo II Comneno
PaiJoão II Comneno
MãeIrene da Hungria

Manuel I Comneno (em grego: Μανουήλ Α' Κομνηνός; transl.: Manouēl I Komnēnós, 28 de novembro de 111824 de setembro de 1180) foi um imperador bizantino do século XII que reinou em uma época difícil e importante da história do Império Bizantino e do Mediterrâneo. Ávido por reconstruir seu império e torná-lo, como no passado, uma superpotência do Mediterrâneo, Manuel estabeleceu uma política estrangeira ativa e rigorosa. Durante seu reinado, fez alianças com o papa e o ocidente, invadiu a península Itálica, administrou eficazmente a passagem da Segunda Cruzada através de seu império e estabeleceu um protetorado bizantino sobre os estados cruzados do ultramar. Deparando-se com os avanços dos muçulmanos na Terra Santa, aliou-se ao reino de Jerusalém e invadiu o Egito dos fatímidas. Manuel reestruturou o mapa geopolítico dos Bálcãs e do leste do mediterrâneo, colocando os reinos da Hungria e de além-mar sob a hegemonia do Império Bizantino, e lutou violentamente contra seus vizinhos europeus e do leste. Entretanto, no final de seu reinado, suas conquistas no leste ficaram comprometidas com a derrota em Miriocéfalo, quando resolveu atacar o império seljúcida, uma área considerada bem protegida.

Conhecido como o Grande (em grego: 'o Μέγας') pelos gregos, Manuel é conhecido por ter inspirado um forte sentimento de lealdade naqueles que o serviram. Ele figura, ainda, como o herói de uma história escrita por seu auxiliar, João Cinamo, na qual toda virtude é atribuída a ele. Manuel, que foi influenciado pelas Cruzadas, era conhecido como "o abençoado imperador de Constantinopla" não só dentro de seus domínios, como também em algumas partes do mundo latino.[2] Contudo, historiadores não concordam com o que se atribui a Manuel. Alguns deles afirmam que o poder que possuía não advinha de seus próprios méritos, mas provinha da dinastia Comnena. Argumenta-se, ainda, que o poder bizantino caiu muito rapidamente com a morte de Manuel e que, para se conhecer as causas desse declínio, é necessário observar atentamente o seu reinado.[3]

Ascensão ao trono

Morte de João II Comneno e coroação de Manuel I Comneno (do Manuscrito de Guilherme de Tiro Historia e Old French Continuation). Iluminura feita em Acre século XIII, Biblioteca Nacional da França.

Quarto filho de João II Comneno e Piroska da Hungria, Manuel I Comneno não tinha qualquer possibilidade de suceder seu pai.[4] Seu avô materno era São Ladislau. Destacando-se na guerra promovida por seu pai contra os turcos seljúcidas, foi escolhido, em 1143, como seu sucessor ao trono, no lugar de seu irmão mais velho, Isaac. Com a morte de seu pai em 8 de abril de 1143, Manuel foi consagrado imperador por seu exército.[5] Entretanto, sua sucessão ainda estava ameaçada: no leito de morte de seu pai, em Cilícia, territórios muito afastados de Constantinopla, constatou que deveria retornar à capital imediatamente. Antes disso, deveria cuidar do funeral de seu pai e a tradição exigia que se organizasse a fundação de um mosteiro no local onde seu pai havia morrido. De forma rápida, enviou seu secretário João Axuco à capital com ordens para prender seu mais perigoso rival, seu próprio irmão Isaac, que residia no palácio imperial e possuía acesso irrestrito ao tesouro real. Axuco chegou à capital antes mesmo da notícia da morte do imperador; assegurou a lealdade da cidade com relação a Manuel e, quando este chegou à cidade, em agosto de 1143, foi coroado pelo novo patriarca, Miguel II Curcuas. Dias mais tarde, sem mais nada a temer e com a posição de imperador assegurada, Manuel ordenou a soltura de seu irmão Isaac.[6] Mais tarde, ordenou ainda que fossem dadas duas peças de ouro (moedas) a cada morador de Constantinopla e 200 libras de ouro (incluindo, ainda, 200 peças de prata (moeda) anualmente) à Igreja Ortodoxa.[7]

O império que Manuel herdou de seu pai passou por muitas mudanças desde sua fundação por Constantino I, oito séculos antes. A mudança mais importante ocorreu no século VII, quando os soldados islâmicos invadiram o Egito, a Palestina e grande parte da Síria, tomando-os para si de maneira irrevogável. Logo após, esses soldados rumaram para o oeste, para as províncias ocidentais do Império Bizantino, assim denominadas no tempo de Constantino, no norte da África e Espanha. Desde então, os imperadores governaram sobre um domínio que consistia, em sua maior parte, da Ásia Menor ao leste, e os Bálcãs a oeste. Desde a época de seu predecessor, Justiniano (r. 527–565), os imperadores também governaram partes da Itália, África e Espanha. Ainda assim, o império que Manuel herdou continuava a sofrer imensos desafios no que dizia respeito ao seu regime político. Ao final do século XI, os normandos da Sicília conquistaram a Itália, na época parte do Império Bizantino. Os turcos seljúcidas fizeram o mesmo com a Anatólia central e, no Levante, uma nova força aparecera - os estados dos Cruzados - os quais desafiaram o império. Neste momento, mais do que em qualquer outro durante os séculos precedentes, a tarefa que o imperador encarava era imensa.[8]

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