José-Augusto França

José-Augusto França
José Augusto França, Paris, 1954
Nome completoJosé Augusto Rodrigues França
Nascimento16 de novembro de 1922 (96 anos)
Tomar
Nacionalidadeportuguês
Alma materUniversidade de Lisboa
OcupaçãoCrítico de arte; historiador de arte
Influenciados
PrémiosPrémio Autores (2014)
Magnum opusA bela angevina

José Augusto Rodrigues França GOIHGCIHGCIP (Tomar, 16 de Novembro de 1922[1]) é um historiador, e crítico de arte português.

Professor Catedrático Jubilado da Universidade Nova de Lisboa, é considerado um nome maior da historiografia da Arte em Portugal. "França é uma figura maior da Cultura Portuguesa. Poesia, cinema, pintura, arquitetura - pouco há que não interesse a este homem renascentista que privou com os melhores criadores e pensadores do último século".[2][3]

Biografia

José-Augusto França, Amadeo de Souza-Cardoso, 1972

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa (1944), José-Augusto França partiu para Paris, como bolseiro do Estado francês em 1959, aí permanecendo até 1963, tendo estudado com Pierre Francastel. Na Universidade de Paris IV (Panthón-Sorbonne) obteve, sucessivamente, os graus de doutor em História, em 1962 – apresentando a tese Une Ville des Lumères: la Lisbonne de Pombal –, e, alguns anos depois, de doutor em Letras, em 1969 – apresentando a tese Le Romantisme au Portugal.[4][5]

O seu interesse pela pintura manifestou-se em 1946 na sequência de viagens a Espanha e Paris, tendo realizado outras viagens à Europa e às Américas até se fixar em Paris em 1959. Nas décadas de 1940 e 1950 foi uma das figuras mais dinâmicas e influentes da vida cultural portuguesa. Entre 1947 e 1949 participou nas atividades do Grupo Surrealista de Lisboa, tendo um papel polémico de oposição aos neorrealistas. Na década seguinte seria um defensor da arte abstrata, cujo primeiro salão nacional organizou, na Galeria de Março, que dirigiu entre 1952 e 1954. Publicou os seus primeiros artigos de crítica de arte no Horizonte, Jornal das Artes, tendo a partir daí uma extensa colaboração em jornais e revistas da especialidade de onde podem destacar-se: Unicórnio (1951-1956); Art d’Aujourd’hui; KWY; Colóquio/Artes (que dirigiu entre 1970 e 1996); etc. Dirigiu o Centro Cultural Português em Paris (1980-86).[6][7][5][8] O seu nome também consta na lista de colaboradores da Revista Municipal [9] (1939-1973) publicada pela Câmara Municipal de Lisboa.

Lecionou na Sociedade Nacional de Belas Artes. Foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa (desde 1974), onde criou os primeiros mestrados de História de Arte do país. Antigo presidente da Academia Nacional de Belas Artes, membro do Comité Internacional d’Histoire de l’Art e presidente de honra da Association Internationale des Critiques d’Art.[10]

Autor de referência na área das artes visuais e da cultura em Portugal, entre as suas obras destacam-se os estudos sobre a arte em Portugal nos Séculos XIX e XX, as monografias sobre Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, além de outros volumes de ensaios de interpretação e reflexão histórica, sociológica e estética sobre problemas da arte contemporânea.[4]

Na domínio da ficção, publicou um primeiro romance em 1949, Natureza Morta, seguindo-se, em 1958, um livro de contos. Depois de um prolongado interregno, voltou a publicar com mais regularidade, podendo nomear-se obras como Buridan (2002), A Bela Angevina (2005), José e os Outros (2006), Ricardo Coração de Leão (2007), João sem Terra (2008) e A Guerra e a Paz (2010).[1]

A 30 de Setembro de 2018 o jornal Público noticiou por equívoco a sua morte.[11]

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