Imigração no Brasil

Monumento Nacional ao Imigrante, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

Imigração no Brasil refere-se ao conjunto de povos que imigraram para o Brasil ao longo de sua história. Ela deixou fortes marcas na demografia, na cultura e na economia do país. Um dos primeiros povos a ocupar o território que hoje forma o Brasil foram os índios, que são geneticamente de origem asiática.[1] Segundo a tese mais aceita, a sua chegada ao continente americano deu-se através do estreito de Bering, em data ainda controversa, mas durante a Idade do Gelo.[2] As estimativas quanto ao número de indígenas que existiam no Brasil à época do descobrimento do país por Portugal variam de 1,8 milhão a 6 milhões de indígenas.[3] John Hemming estimou o número de indígenas no Brasil, à época do descobrimento, em 3,2 milhões.[4] Em 1500, desembarcaram, no atual litoral brasileiro, os primeiros portugueses. Estima-se que, até o fim do Brasil Colônia, em 1822, entre 500 e 700 mil lusitanos se deslocaram para o Brasil.[5][6]

Em decorrência do tráfico negreiro, entre meados do século XVI até a sua extinção, em 1850, entre 4 e 5 milhões de africanos foram levados ao Brasil na condição de escravos, [7] [8] o que torna o Brasil o país que mais recebeu africanos em toda a História. [9]

No século XIX, teve início a imigração de outros povos europeus para o Brasil, em particular da Itália, rivalizando numericamente com os portugueses, seguidos por fluxos de espanhóis e de alemães. No início do século XX, intensificou-se o fluxo migratório oriundo da Ásia, particularmente de japoneses e de sírio-libaneses.[10][11] A maior parte desses imigrantes foi destinada a plantações de café no estado de São Paulo,[12] embora muitos tenham tido, como destino, os centros urbanos, em particular São Paulo e Rio de Janeiro,[13] bem como colônias rurais no Brasil meridional.[14] Entre 1884 e 1959, entraram, no Brasil, 4 734 494 imigrantes, sendo 1 507 695 italianos e 1 391 898 portugueses. [15][16]

Na década de 1960, o Brasil deixou de ser um grande receptor de imigrantes, passando a ser um país expulsor de trabalhadores, a partir da década de 1980, sobretudo para os Estados Unidos, o Paraguai, a Europa e o Japão.[17] Essa tendência manteve-se constante até recentemente, uma vez que vem sendo observado o crescimento da imigração para o Brasil, em particular de países como Portugal [18], a Bolívia e o Haiti.[19]

Ocupação pré-cabralina

Reconstituição cranofacial de Luzia
Índia guajajara e seu filho.

A tese mais aceita é que os povos indígenas das Américas são descendentes de caçadores asiáticos que cruzaram o Estreito de Bering passando da Sibéria para a América do Norte. Os mais antigos povoadores do atual território brasileiro chegaram há aproximadamente 12 mil anos. Contudo, foi encontrado, em Lagoa Santa (Minas Gerais), o crânio de uma mulher de traços negroides, batizada de Luzia, que viveu há 11 500 anos. Deste modo, alguns pesquisadores consideram provável que populações negroides também tenham vivido nas Américas, e que estas foram exterminadas ou assimiladas pelos povos mongoloides muitos séculos antes da chegada dos europeus.[20]

Estima-se que, no início da colonização portuguesa, cerca de quatro milhões de ameríndios viviam no atual território brasileiro.[21] Encontravam-se divididos em diversos grupos étnico-linguísticos: tupis-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central do Brasil), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia).[22]