História de Pamplona

Bandeira de Pamplona até 1923
Pendão de Pamplona, conforme a descrição do "Privilégio da União", a lei de Carlos III que uniu a cidade em 8 de setembro de 1423 e estabeleceu os respetivos privilégios

A História de Pamplona como cidade remonta ao 1º milénio a.C., altura em que existia no local um povoado de vascões de nome Iruña. No entanto, os vestígios de ocupação humana da zona remontam a 75 000 anos. Na era romana, o povoado vascão foi convertido numa cidade romana pelo general Pompeu, que ali começou por instalar um acampamento militar em 74 a.C. a que chamou Pompelo.[nt 1]

Aos romanos seguiram-se os visigodos, os muçulmanos do Alandalus e, brevemente, entre 778 e 816 de forma intermitente, os carolíngios. No início do século IX foi fundado o Reino de Pamplona, um principado cristão autónomo vassalo do Califado de Córdova. O Reino de Pamplona tornou-se um reino completamente independente em 905 e, sob o reinado de Sancho Garcês III, chegou a ser o estado cristão mais poderoso da Península Ibérica no século XI. Em 1164 o nome de "Reino de Pamplona" foi definitivamente abandonado e passou a denominar-se Reino de Navarra, um nome que já era usado antes.

Às guerras com os estados vizinhos, frequentes sobretudo no séculos X e XI, somaram-se os conflitos internos em Pamplona, mais graves no século XIII, mas que só terminariam em 1423. Até este ano, Pamplona não era exatamente uma cidade única, mas um conjunto de burgos autónomos que eram inclusivamente separados por muralhas para se protegerem das guerras que estalavam entre eles. Em 1276 um dos burgos foi mesmo destruído e a sua população massacrada.

Na segunda metade do século XV Pamplona viu-se envolvida na Guerra civil de Navarra, uma longa disputa entre sucessivos pretendentes ao trono de Navarra. A guerra civil acabaria por ser o prenúncio da anexação de Navarra pela recente união dos reinos de Castela e de Aragão, a qual ocorreu formalmente em 7 de julho de 1515, três anos após a rendição de Pamplona às tropas invasoras castelhanas.

Após a Revolução Francesa, durante a Campanha do Rossilhão, Pamplona foi cercada por forças francesas em 1794, as quais não lograram entrar na cidade. Entre 1808 e 1813 a cidade foi ocupada por tropas de Napoleão Bonaparte. A cidade viu-se envolvida nas Guerras Carlistas que marcaram o século XIX, tendo sido palco de um movimento popular em defesa dos fueros (forais) que ficou conhecido como a "Gamazada".

Apesar da vitória dos republicanos e esquerdistas nas eleições autárquicas que conduziram à Segunda República Espanhola, Pamplona foi controlada pelas forças franquistas desde o primeiro dia da guerra civil, o que não a livrou de ter assistido a centenas de fuzilamentos de republicanos, os quais se prolongaram para além do final da guerra. Durante o franquismo, a cidade transformou-se de uma cidade rural apenas com indústria artesanal para uma cidade industrial, tendo mais que triplicado a sua população. Em atenção à fidelidade da região à causa franquista durante a guerra, Navarra foi a única região histórica espanhola a conservar a sua autonomia durante o franquismo, mas ao mesmo tempo foi uma das zonas com mais conflitualidade sindical de toda a Espanha, tendo sido palco de várias greves, a primeira das quais em 1951.

A transição do franquismo para a democracia foi vivida intensamente em Pamplona. Nesse período foram frequentes os distúrbios nas ruas de Pamplona, alguns bastante violentos. Apesar de durante a primeira fase da transição não ter havido atentados do movimento terrorista e separatista basco ETA, o mesmo não aconteceu nas fases seguintes, tendo Pamplona assistido a vários atentados terroristas.

Monumento aos Forais de Navarra, erguido por subscrição pública para comemorar o movimento popular do século XIX em defesa da autonomia fiscal de Navarra que ficou conhecido com Gamazada. Foi finalizado em 1903

Da Pré-história à era romana

Mapa político da região basca no século I a.C., antes da chegada dos romanos

A condições da bacia (cuenca) de Pamplona favoreceram o assentamento humano desde tempos remotos. Os achados de indústria lítica (ferramentas de pedra) nos terrenos ribeirinhos do Rio Arga testemunham que a ocupação humana no que é hoje a cidade remonta a 75 000 anos. Durante as escavações feitas na Praça do Castelo foi encontrado um menir que não foi possível datar.[1]

No I milénio a.C. erguia-se um povoado de vascões onde se encontra a cidade atualmente, o qual se chamava Iruña.[2] Pamplona é também identificada com a capital dos vascões que aparece referida em documentos históricos como Bengoda.[3] O território vascão cunhou moeda própria, em cujo reverso aparecia a legenda Bascunes ou Barscunes e no anverso, ainda que nem sempre, a legenda de Bengoda, que segundo o historiador e numismata Antonio Beltrán Martínez correspondia à casa da moeda e capital dos vascões. Cronologicamente as moedas poderão ser da segunda metade do século II ou I a.C..[4]

O nome basco Iruña poderá ter origem no termo hiri (cidade ou vila). Os povoados com esse hiri no nome foram fundados por motivos estratégicos ou comerciais e acabaram por ser centros de referência regional, pelo que eram "a cidade" para as gentes locais. Segundo outros, o nome Iruña pode estar relacionado com o rio Runa, atualmente chamado Arga.[5]

Busto de Pompeu, o fundador de Pamplona

Na era romana, o povoado de Iruñea converteu-se numa cidade com a fundação de "Pompelo" pelo general romano Pompeu no ano 74 a.C., que ali estabeleceu um acampamento militar que com o tempo viria a ser a cidade de Pamplona. Pompelo, batizada com o nome do seu fundador não foi mais que uma pequena civitas edificada por legionário, onde foram se estabeleceram os vascões da antiga aldeia. A defesa da cidade era relativamente simples, por estar situada a alguma altitude e por estar protegida pelo Rio Arga, por isso bastando muralhar um dos flancos. Em quase todas as zonas próximas do rio existiriam então áreas de bosque ou de arbustos que asseguravam a subsistência dos rebanhos, o fornecimento de madeira e de alguns frutos. A parte mais próxima das muralhas deveria conter os edifícios, com o fórum no centro e uma rua dái até à muralha, onde uma porta se abria em direção à zona do Vale do Ebro. Os campos agrícola localizar-se-ia no exterior da cidade e junto ao rio. Pode ter existido uma relação semelhante a vassalagem entre Pompeu e algum chefe vascão, possivelmente anterior à fundação da cidade romana, nomeadamente porque se sabe que a cidadania romana foi concedida a nove pessoas da cidade vascã de Ségia por Cneu Pompeu Estrabão, o pai de Pompeu, no ano 90 a.C., em recompensa pela ajuda dada na tomada de Ásculo Picentino, em Piceno, durante a Guerra Social. Posteriormente a cidade adquire maior importância, como menciona Estrabão:

.....depois, acima da Lacetânia, em direção a norte, está a nação dos vascões, que tem por cidade principal a Pompelon, como quem diz "a cidade de Pompeu".
 
Estrabão [6][7].

Segundo as últimas descobertas arqueológicas na Praça do Castelo, em pleno centro da cidade atual, a Pompelon romana dispunha de termas, as maiores do norte de Espanha segundo alguns estudiosos, o que confere à cidade uma categoria superior à que tradicionalmente se tinha vindo a considerar.[8][nt 2]

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