História da Venezuela

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O território venezuelano foi um dos primeiros habitados pelo homem na América do Sul, possivelmente há cerca de 15 mil anos. No entanto, não há registros de que as terras que hoje pertencem à Venezuela tenham sido palco de uma grande civilização pré-colombiana, como ocorreu em outros países andinos e da América Central. Antes da chegada dos europeus no século XVI, a região era habitada, em sua maior parte, por tribos que viviam do extrativismo, da caça e da pesca e que não possuíam uma organização social complexa. Os indígenas venezuelanos se concentravam em maior número no litoral marítimo e nas margens dos principais afluentes do Orinoco. No primeiro milênio da era cristã, o litoral do mar do Caribe foi povoado por pacíficos índios aruaques, progressivamente deslocados pelos ferozes caraíbas. Tribos nômades viviam nos llanos, no sistema Parima e na Amazônia.

Descobrimento e colonização

Em sua terceira viagem à América, em 6 de agosto de 1498, Cristóvão Colombo ancorou suas naus na península de Paria, que o almirante tomou por uma ilha, denominando-a "terra de Gracia". Apesar de a Venezuela ter sido descoberta por Colombo, foi Alonso de Ojeda quem, em 1499, pela primeira vez explorou o país, navegando ao longo do mar do Caribe até o lago Maracaibo. O navegador deu o nome de "Venezuela" ao país pela semelhança que encontrou entre as palafitas indígenas e a cidade italiana de Veneza.

A primeira cidade venezuelana foi Santa Cruz, fundada por Ojeda em 1502. O primeiro governo a vigorar foi o da jurisdição de Coquibacoa, concedido a Alonso de Ojeda (1501). Estendia-se desde o Cabo de la Vela (hoje Colômbia) até o cabo de Chichiriviche.

Inicialmente, os espanhóis não tentaram apoderar-se da terra firme, pois a pesca da pérola em algumas ilhas próximas à costa nordeste os atraiu mais. O interesse decaiu com o esgotamento das ostreiras perlíferas, e o impulso colonizador se deslocou então para oeste, em direção a Caracas e Coro. O primeiro estabelecimento permanente espanhol foi Cumaná, fundada em 1523.

Em 1528, no mesmo ano em que a província da Venezuela foi criada, o rei espanhol Carlos V, endividado com os banqueiros alemães Fugger, concedeu-lhes o território que, hoje, grosso modo, corresponde ao país. Durante quase duas décadas, se sucederam infrutíferas expedições alemãs pelo interior em busca de pedras preciosas, até o território ser devolvido à coroa espanhola em 1546.

Mais tarde, em 1591, foi desmembrada, da Venezuela, a província de Trinidad, enquanto a província da Guiana ia sendo o centro de atenção dos conquistadores que procuravam o El Dorado. Entre 1634 e 1636, as ilhas de Aruba, Curaçao e Bonaire foram perdidas para os holandeses, pouco tempo após estes terem se instalado na própria Guiana, em 1627, sob comando de Abraham van Pere.

Sobre a base da primeira designação de Nova Córdoba em 1562, Felipe II criou a província de Nova Andalucía ou Cumaná. Ao serem acrescentados os territórios de Mérida, Táchira e Barinas à jurisdição de La Guaira, esta se transformou em província.

A capitania geral da Venezuela foi criada em 1528. Carlos III separou as províncias de Cumaná, Guiana e Maracaibo, assim como as ilhas de Trinidad e de Margarita, do vice-reino da Nova Granada, somando-as à capitania geral da Venezuela. Dessa forma, o território ficava unificado com um só governador.

Na segunda metade do século XVI, teve início a atividade agrícola, baseada no trabalho escravo. Caracas foi fundada em 1567 e no fim do século havia mais de vinte núcleos de colonização nos Andes venezuelanos e no litoral do mar do Caribe. As planícies e a região do lago Maracaibo aos poucos foram ocupadas nos séculos XVII e XVIII por missões católicas. Ao começar a atividade missionária em Cumaná, os frades franciscanos construíram o primeiro convento, próximo ao estuário do rio Cumaná em 1516.

O panorama econômico e cultural mudou profundamente no século XVIII. Em 1717, o país deixou de depender da audiência de Santo Domingo para incorporar-se ao vice-reino de Nova Granada, com sede em Bogotá. Em 1725, a Real e Pontifícia Universidade de Caracas começou a promover o ensino. Três anos mais tarde, se criou, com o respaldo real, a Companhia Guipuzcoana de Caracas, que detinha o monopólio da venda do cacau à metrópole e das mercadorias espanholas à Venezuela. Sua missão era também reprimir o tráfico de escravos, que tinha, como principal centro, a ilha de Curaçao, e as incursões estrangeiras ao território venezuelano. Seus interesses contrariavam, no entanto, os dos produtores venezuelanos, que forçaram a dissolução da companhia na década de 1780.