História da Argentina

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Buenos Aires pouco após sua fundação, em 1536.

A história da Argentina tem início com a chegada dos primeiros seres humanos à região, estimada em onze mil anos antes de Cristo.

A região noroeste de seu atual território formava parte do Império Inca e as pampas eram dominadas por ameríndios nômades. Em fevereiro de 1516 o navegante espanhol Juan Díaz de Solís pilotou sua embarcação ao estuário do Rio da Prata e reclamou a região em nome da Espanha.

A colonização espanhola se deu ao longo dos séculos XVI e XVII. O nome Argentina vem de argentum, prata em latim, visto ao metal precioso encontrado nas mãos de alguns indígenas, sem saber que eles o haviam tomado dos marinheiros da expedição portuguesa dirigida por Aleixo Garcia.

A independência da Argentina ocorreu em 1816 [1] após a revolução de Maio que teve seu processo iniciado em 1810.

Pré-história

Cova das Mãos, Santa Cruz.

Os primeiros seres humanos a chegar no atual território argentino parecem ter vindo pelo extremo sul da Patagônia, provenientes do que hoje é o Chile. A presença humana mais antiga se encontra em Piedra Museo ( Santa Cruz) e remonta a 11.000 anos a.C. Junto com os sítios arqueológicos de Monte Verde (Chile) e Pedra Furada ( Brasil) constituem, até o momento, os locais de povoamento mais antigos da América do Sul e sustentam a teoria de povoamento recente da América.

Outro remoto assentamento foi localizado em Los Toldos, também na província de Santa Cruz, com restos que datam do Décimo milénio a.C.

Estes primeiros habitantes do território argentino caçavam milodontes (Milodon darwinii) – semelhantes a um grande urso com cabeça de camelo; já extinto – e hipidions (Hippidion principale) – cavalos sul-americanos que desapareceram há 10.000 anos – além de guanacos, lhamas e emas. [2]

Próximo dali também é possível ver as pinturas de mãos e guanacos estampadas 7300 a.C. na Cova das Mãos (Rio Pinturas, Santa Cruz). Trata-se de uma das expressões artísticas mais antigas dos povos sul-americanos e foi declarada Património Mundial pela UNESCO.

Por volta de 9000 a.C. já havia se iniciado o povoamento dos pampas, ao passo que a zona noroeste do território argentino começou a ser habitada em 7000 a.C.

Populações pré-colombianas

Zonas culturais

Os povos primitivos argentinos se dividiram em dois grandes grupos: os caçadores e coletores, que habitavam a Patagônia, o Pampa e o Chaco; e os agricultores, instalados a noroeste, regiões próximas à Cordilheira dos Andes, as serras de Córdoba e, mais tarde, a Mesopotâmia argentina.

Culturas andinas do oeste e noroeste

Cultura de Ansilta. Uma das primeiras culturas a desenvolver uma agricultura foi a Cultura de Ansilta, em Mendoza, San Juan e San Luis. Cultura Condorhuasi. No ano 200 a.C. aparece a Cultura Condorhuasi, na atual Catamarca. Foi uma sociedade de pastores de lhamas onde a agricultura era apenas complementar. Tiveram violentos rituais, em que utilizavam de modo xamanista alucinógenos como o angico e realizavam sacrifícios humanos. [ carece de fontes?] Estiveram entre os primeiros em realizar ligas metálicas. Atualmente chamam a atenção suas esculturas antropomorfas de pedras. Desapareceu entre o ano 200 e 500

Cultura Tafi (200 a.C.- 800 d.C.). Aparece no que hoje é o território de Tucumán. Eram agricultores que cultivavam, entre outras coisas, milho, em bem elaborados andares e socalcos, além de domesticar lhamas.

Cultura da Ciénaga ( século I- 600). No século I apareceu a primeira sociedade plenamente agrícola que já se desenvolveu no atual território – a Cultura de Ciénaga, também na região de Catamarca. Tinham plantações de milho e sistemas de irrigação por canais. Tinham rebanhos de llamas ou lhamas e as utilizavam em caravanas para realizar intercâmbios entre aldeias. Construíram pequenas aldeias com no máximo 30 casas e foram antecedentes diretos da Cultura de Aguada.

Cultura da Aguada. Entre os séculos IV e X se desenvolve a Cultura da Aguada no território das atuais províncias de Catamarca e La Rioja, definida como "a mais andina das culturas do noroeste argentino", vinculada ao horizonte cultural Tiwanaku. A Aguada caracterizou-se por desenvolver uma extraordinária arte ao redor da figura do jaguar. Segundo José Pérez Gollán a Aguada é o momento histórico das culturas do Noroeste, em que surge uma nova forma política: os chamados "senhorios" ou "chefaturas", por estarem dominadas por um "senhor", que dominava uma determinada região pelo controle do excedente econômico e os recursos simbólicos.

Sua economia sustentava-se em uma expansiva agricultura de socalcos irrigados por complexos sistemas hidráulicos. Produziam milho, feijão, abóbora e mandioca. Trocavam produtos com lugares muito distantes – San Pedro de Atacama ou o Vale de Copiacó, usando um sistema de transporte baseado em lhamas. A metalurgia era muito avançada e descobriram o bronze antes da chegada dos espanhóis. Desaparece próximo a 900.

A batata é de origem sul-americana e mudou substancialmente a alimentação na Europa.

Cultura Santa Maria ( 1200- 1470): a existência de terraças de cultivo e sistemas de irrigação muito complexos permitiu a Santa Maria ter uma grande população e acumular excedentes que eram armazenados em silos subterrâneos. Cultivaram o milho, a batata, o feijão, a quinoa e a abóbora; coletavam intensivamente alfarrobeira (Ceratonia siliqua) e Geoffroea decorticans. Foram exímios produtores de gado e utilizavam a forragem. Realizaram uma ampla troca de produtos com outros povos distantes usando suas caravanas de lhamas. Alcançaram um notável desenvolvimento da metalurgia do cobre, ouro e prata, além de serem conhecidos em toda a região por bronzes de excelente qualidade. Santa Maria alcançou uma grande complexidade sociopolítica: um senhor – cujo poder era hereditário –, guerreiros e sacerdotes. A cultura Santamariana coincida em grande parte com a etnia pazioca, conhecida também por sua denominação em quechua de diaguitas.

A Invasão Inca ( 1400- 1520). A Formação de Tucuman: um século antes da chegada dos espanhóis à América, o noroeste andino do que hoje é a Argentina registrava a presença de uma grande quantidade de povos sedentários com identidades, culturas e civilizações próprias; entre eles contavam-se os pazioca, atacamenhos, omaguacas e huarpes. No século XV grande parte do território desses povos foi invadido pelos quechuas e anexado à zona meridional do Collasuyu (região meridional do território inca).

As Culturas Andinas independentes (1400-1520): Fora do território inca existiram no atual território argentino outras populações sedentárias com influências culturais andinas, como por exemplo os lule-toconoté (em guerra com os quechua) e os sanavirões na área que atualmente corresponde às províncias de Tucumán, a oeste de Santiago del Estero e norte de Córdoba, assim como os comechingões nas serras de Córdoba e San Luis.

Santuários Incas de Alta Montanha: Um dos mais interessantes pontos incas do território argentino foi o centro de rituais mais elevado do mundo, o vulcão Llullaillaco, a 6.710 metros, onde se realizavam sacrifícios humanos. Para os incas as montanhas eram huacas (lugares sagrados) e por essa razão estabeleceram um sistema de santuários nos cumes das montanhas mais altas dos Andes. Em 1999 uma equipe de arqueólogos realizou o resgate de três múmias incas, uma jovem (a donzela), uma menina (a Menina do Raio) e um menino, sacrificados no cume do vulcão, consagrados a Inti (deus do sol), Illapa (deus do raio) e Viracocha (o criador). Ceruti explica que "escolhiam-se meninos porque eram símbolos de pureza ante os deuses, e as meninas eram criadas na Casa das Virgens do Sol, onde viviam desde os oito anos de idade até o momento do sacrifício. O consumo de folhas de coca e o álcool de chicha adormecia as vítimas eleitas. Ao menos nesse caso não morreram com um golpe no crânio, nem por asfixia ou estrangulamento. Serenamente, ficaram adormecidas e morreram congeladas". Os meninos saíram a pé de Cuzco, acompanhados por um grupo de sacerdotes, em algum momento próximo ao ano de 1500.

O Senhorio de Tastil. Tastil ( Salta) é considerada a maior cidade pré-colombiana do atual território argentino. Com uma população de 3.000 habitantes do conjunto lickan-antay, sustenta-se que o Senhorio de Tastil chegou a contar com uma série de colônias na atual região de Salta e Jujuy. Tastil ficou subitamente desabitada ao final do século XIV – no momento de seu apogeu – antes da invasão quechua, não há consenso entre os estudiosos sobre as causas de seu colapso.

Culturas da Mesopotâmia

Os guaranis

Na Mesopotâmia Argentina, assentaram-se, também recentemente, os Guaranis, provenientes da Amazônia e parte do grupo cultural conhecido como Tupi-Guarani. Estabeleceram-se no território argentino ao final do século XV e começo do XVI, vindos de noroeste principalmente pelos rios e outros cursos de água. Subdividiram-se em distintos grupos dependendo da região que habitavam, como os guaranis das ilhas (nas ilhas do Delta do Paraná), os de Carcarañá, de Santa Ana (ao norte de Corrientes), os cáingang ou cainguás (na região mesopotâmica) e os chiriguanos (no Chaco).

Viviam em aldeias (tekua) que constituíam verdadeiras unidades tribais por ser entidades econômicas independentes. Cada aldeia guarani estava dirigida por um chefe político chamado mburuvichá e um chefe religioso chamado pajé. Sua organização social estava encabeçada por um cacique (tuvichá) hereditário.

Eram excelentes navegadores de canoas, caçadores da selva, coletores, pescadores e praticavam a agricultura. Entre os cultivos principais destacavam-se a mandioca (mandi'ó), a batata (jetý), a cabaça (andai), a abóbora (kurapepê), o milho (avati), o feijão (kumandá), o algodão (mandyju) e a erva mate (ka'á), usado para preparar a bebida que até hoje se conhece.

Os guaranis guiavam seus atos – e ainda guiam – pela busca da "Terra sem Mal", a base de sua cultura guerreira e suas práticas canibais. O povo guarani ingressou violentamente na região da foz do Rio da Prata, gerando um conflito permanente com as populações primitivas não guaranis que habitavam a área. Sua estratégia guerreira fundava-se em um sistema de maciços ataques. Antes deste faziam cair sobre as forças adversárias uma chuva de flechas e pedras. Logo vinha uma investida direta com lanças, porretes ou garrotes.

No século XV, a sociedade guarani passava por um período de mudança. Começaram a aparecer instituições unificadoras que provavelmente a longo prazo haveriam levado ao surgimento de um Estado. Surgiram os karai (palavra que inicialmente significava alguém supostamente dotado de poderes mágicos e logo passou a significar "senhor"), profetas aceitos por todas as tekua (aldeias), que se enfrentavam entre si num permanente ciclo de busca da "Terra sem Mal". Os Karai percorriam as aldeias predicando uma mensagem de aviso de importantes mudanças, e não pertenciam a nenhuma tekua em particular – eram Pan-Guaranis.

Cem anos depois, com a invasão europeia na região, chegaram os jesuítas, que, em certo sentido, vieram competir diretamente com os karai. Ainda que estrangeiros, traziam uma mensagem unificadora. Sobretudo havia algo muito importante: os guaranis que aceitavam sua convivência passavam automaticamente a estarem cobertos pelas leis do rei da Espanha.

Culturas do Chaco

Na região norte do Chaco instalaram-se cinco culturas ou famílias linguísticas: guaycurú, mataco-macá, tupi-guarani, arauac e lule-vilela. À Cultura Guaycurú pertencem qom'lek, pilagás, mocovíes e os abipones. Distinguiam-se por suas habilidades guerreiras e com a chegada dos espanhóis incorporaram o cavalo, resistindo à colonização. Os espanhóis os chamavam de "frentones" (especialmente aos qomlek) porque depilavam a frente. Ocupavam o território oriental e sul da região do chaco. À Cultura Mataco-Macá integram os wichis ("mataco"), chulupies e chorotes; localizavam-se na região ocidental do Chaco. Chiriguanos pertenciam à Cultura Tupi-Guarani, a oeste da região. Na mesma área assentaram-se os chané, da Cultura Aruaques. A noroeste, ficavam os vilelas, desaparecidos durante a Colônia.

Muitas destas culturas ainda guardam a memória do grande cataclismo produzido por uma chuva de meteoritos gigantes no século XXXVIII a.C. na zona conhecida como Campo do Céu.

Culturas do pampa e da Patagônia

Na região dos pampas e Patagônia destacaram-se os het ("pampas antigos" ou "querandies"), os Tehuelches (tsonek) e sobretudo os Mapuches – estes controlavam o norte da Patagônia até o fim do século XIX. Os estudos antropológicos dos grupos caçadores e coletores, tradicionalmente considerados mais simples que os povos agricultores, puseram de manifesto a complexidade que alcançaram culturas de um alto grau de simbolismo, como os sélknam, aush, yaganes e kawésqar, da Terra do Fogo.

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