Guerra do Uruguai

Guerra do Uruguai
Campagne de l'Uruguay, prise de Paysandu. — D'après un croquis de notre correspondant spécial.jpg
O Cerco de Paysandú (L'Illustration, Vol. XLV, nº 1.151, 18 de março de 1865.)
Data10 de agosto de 1864 a 20 de fevereiro de 1865
LocalUruguai
DesfechoVitória brasileira-colorada
Beligerantes
Flag of Brazil (1822–1870).svg Império do Brasil
Flag of Colorado Party (Uruguay).svgPartido Colorado
Bandera argentina unitaria marina mercante.png Partido Unitário

Apoiados por:

Flag of Argentina.svg Argentina
Flag of Uruguay.svg Uruguai
Flag of the National Party (Uruguay).svg Partido Nacional
Flag of Artigas.svg Partido Federal

Apoiados Por

Flag of Paraguay.svg Paraguai
Comandantes
Flag of Brazil (1822–1870).svg Pedro II
Flag of Brazil (1822–1870).svg Barão de Tamandaré
Flag of Brazil (1822–1870).svg João Mena Barreto
Flag of Brazil (1870–1889).svg Manuel Luís Osório
Flag of Colorado Party (Uruguay).svg Venancio Flores
Flag of Uruguay.svg Bernardo Berro
Flag of Uruguay.svg Atanasio Aguirre
Flag of Uruguay.svg Servando Gómez
Flag of Uruguay.svg Leandro Goméz
Flag of Uruguay.svg Basilio Muñoz
  

A Guerra do Uruguai, também referida como Guerra contra Aguirre, ocorreu de 10 de agosto de 1864 até 20 de fevereiro de 1865 e foi travada entre o governante Partido Blanco do Uruguai e uma aliança que consistia no Império do Brasil e o Partido Colorado.

Desde a sua independência, o Uruguai tinha sido devastado por lutas constantes entre as facções colorada e branca, cada uma tentando conquistar e manter o poder. O líder colorado Venancio Flores lançou a Cruzada Libertadora em 1863, uma insurreição que visava derrubar Bernardo Berro, que presidia um governo de coalizão fusionista Colorado–Blanco. Flores foi ajudado pela Argentina, cujo presidente Bartolomé Mitre lhe forneceu suprimentos, voluntários argentinos e transporte fluvial para as tropas.

O movimento fusionista ruiu quando os colorados abandonaram a coalizão para se juntar aos soldados de Flores. A guerra civil uruguaia rapidamente se transformou, tornando-se uma crise de âmbito internacional que desestabilizou toda a região. Mesmo antes da rebelião colorada, os blancos dentro do fusionismo buscaram uma aliança com o ditador paraguaio Francisco Solano López. O governo blanco agora exclusivamente de Berro também recebeu apoio de federalistas argentinos, que se opunham a Mitre e seus unitários. A situação deteriorou-se quando o Império do Brasil foi arrastado para o conflito. Quase um quinto da população uruguaia era considerada brasileira. Alguns se juntaram à rebelião de Flores, estimulados pelo descontentamento com as políticas governamentais dos blancos, que consideravam prejudiciais aos seus interesses. O Brasil finalmente decidiu intervir no caso uruguaio para restabelecer a segurança das suas fronteiras no sul e sua ascendência regional.

Em abril de 1864, o Brasil enviou o ministro plenipotenciário José Antônio Saraiva para negociar com Atanasio Aguirre, que tinha sucedido Berro no Uruguai. Saraiva fez uma primeira tentativa de resolver a diferença entre blancos e colorados. Confrontado com a intransigência de Aguirre em relação às demandas de Flores, o diplomata brasileiro abandonou o esforço e ficou do lado dos colorados. Em 10 de agosto de 1864, depois que um ultimato brasileiro foi recusado, Saraiva declarou que os militares do Brasil começariam represálias severas. O Brasil se recusou a reconhecer um estado formal de guerra e, durante a maior parte de sua duração, o conflito armado uruguaio–brasileiro foi uma guerra não declarada.

Em uma ofensiva combinada contra redutos dos blancos, as tropas brasileiras–coloradas avançaram pelo território uruguaio, tomando uma cidade após a outra. Posteriormente, os blancos ficaram isolados em Montevidéu, a capital nacional. Diante de uma derrota certa, o governo blanco capitulou em 20 de fevereiro de 1865. A guerra de curta duração teria sido considerada um sucesso para os interesses brasileiros e argentinos. Porém a intervenção do Paraguai em apoio aos blancos (com ataques a províncias brasileiras e argentinas) provocou a longa e custosa Guerra do Paraguai.

Guerra Civil Uruguaia

Conflitos blancos-colorados

Ver artigo principal: Guerra Grande

A República Oriental do Uruguai, na América do Sul, tinha sido, desde a sua independência em 1828, perturbada por conflitos entre o Partido Blanco e o Partido Colorado. Eles não eram partidos políticos, no sentido moderno, mas facções que se envolviam em rebeliões mortíferas sempre que o outro dominava o governo. A nação estava profundamente dividida entre os lados colorado e blanco. Estes grupos partidários formaram-se na década de 1830 e surgiram a partir de relações clientelistas promovidas por caudilhos locais nas cidades e no campo. Em vez de uma unidade baseada em sentimentos nacionalistas comuns, cada um tinha diferentes objetivos e lealdades correspondentes aos seus respectivos quadros políticos insulares.[1]

O Uruguai tinha uma densidade populacional muito baixa e um governo fraco.[1] Os cidadãos comuns foram obrigados pelas circunstâncias a procurar a proteção de proprietários — caudilhos locais que eram colorados ou blancos e que usavam seus trabalhadores, em sua maioria cavaleiros gaúchos, como exército particular. As guerras civis entre as duas facções eram brutais. Táticas duras produziram a crescente alienação entre os grupos, e incluíam a apreensão de terra, o confisco do gado e execuções.[2][3] O antagonismo causado pelas atrocidades, juntamente com as lealdades familiares e os laços políticos, fizeram da reconciliação algo impensável. Imigrantes europeus, que vieram em grande número durante a segunda metade do século XIX, foram atraídos para um partido ou outro; ambas as partes tinham asas liberais e conservadoras, de modo que os pontos de vista sociais e políticos dos recém-chegados poderiam ser conciliados com qualquer um. Os blocos rivais impediam o desenvolvimento de uma administração central nacional amplamente apoiada.[3][4]

Cruzada Libertadora de 1863

Cavaleiros gaúchos foram usados como milicianos por caudilhos da região platina

Na segunda metade da década de 1850, os principais membros do grupo colorado e do blanco tentaram uma reconciliação. Com a aprovação de muitos membros de ambas as partes, foram feitos esforços para a implementação de políticas "fusionistas", que começaram a mostrar resultados em cooperações nas esferas governamentais e militares.[2][3] A tentativa de resolver o cisma sofreu um revés em 1858, quando os reacionários do Partido Colorado rejeitaram o plano. A revolta foi derrubada por Gabriel Pereira, ex-presidente colorado e do Uruguai, sob o governo fusionista. Os líderes rebeldes foram executados em Paso de Quinteros ao longo do rio Negro, o que provocou novos conflitos. Os colorados suspeitavam que o fusionismo promovesse os objetivos dos blancos em seu prejuízo e chamaram os mortos de "mártires de Quinteros", que deveriam ser vingados.[3][5]

Com as fraquezas internas do fusionismo agora expostas, os colorados moveram-se para afastar os seus apoiadores do governo. Seu líder, o brigadeiro-general Venancio Flores, um caudilho e um dos primeiros defensores do fusionismo, viu-se sem meios militares suficientes para montar uma revolta sustentada e recorreu à Argentina para pedir uma intervenção.[6]

A Argentina era uma nação fragmentada (desde a queda do ditador argentino Juan Manuel de Rosas, em 1852), com a Confederação Argentina e o Estado de Buenos Aires brigando por supremacia.[7] Flores se aproximou do Ministro da Guerra de Buenos Aires, Bartolomé Mitre, concordando em dar o apoio dos colorados a Buenos Aires em troca de assistência argentina subsequente na sua luta contra o governo fusionista em Montevidéu.[6] Flores e suas unidades coloradas serviram Buenos Aires com determinação feroz. Eles tiveram um papel decisivo na Batalha de Pavón em 17 de setembro de 1861, em que a confederação foi derrotada e toda a Argentina foi reunificada sob o governo de Buenos Aires.[8][9]

No cumprimento de seu compromisso, o presidente argentino Bartolomé Mitre forneceu à milícia colorada unidades voluntárias argentinas e suprimentos para serem transportados a bordo de embarcações argentinas ao Uruguai em maio e junho de 1863. Navios da marinha argentina mantiveram navios de guerra uruguaios longe da operação. De volta à sua terra natal, Flores pediu a derrubada do governo constitucional, até essa data liderado por Bernardo Berro. Flores acusou o governo de Montevidéu de ter simpatias com os blancos e emoldurou sua "Cruzada Libertadora" (como ele chamava sua rebelião) nos termos familiares de uma luta dos colorados contra os blancos. Colorados de áreas rurais aderiram aos desertores do serviço militar em resposta ao seu apelo.[10]

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