Guerra de Independência dos Estados Unidos

Guerra de Independência Americana
AmericanRevolutionaryWarMon.jpg
Data19 de abril de 17753 de setembro de 1783
LocalCosta leste da América do Norte, Oceano Atlântico, Mar Mediterrâneo, Caribe
DesfechoVitória estadunidense
Beligerantes
Us flag large Betsy Ross.png Estados Unidos
Royal Standard of the King of France.svg Reino da França
Bandera de España 1760-1785.svg Império Espanhol

Co-beligerantes:
Statenvlag.svg República da Holanda
Flag of Mysore.svg Mysore


Várias tribos de índios nativos
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Reino da Grã-Bretanha

Flag of Hanover (1692).svg Hanôver


Mercenários alemães:


Várias tribos de índios nativos
Comandantes
Flag of the United States (1777-1795).svg George Washington
Flag of the United States (1777-1795).svg Nathanael Greene
Flag of the United States (1777-1795).svg Horatio Gates
Flag of the United States (1777-1795).svg Richard Montgomery
Royal Standard of the King of France.svg Marquês de La Fayette
Royal Standard of the King of France.svg Jean-Baptiste de Rochambeau
Bandera de España 1760-1785.svg Bernardo de Gálvez
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Friedrich von Steuben
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Jorge III
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Frederick North
Flag of Great Britain (1707–1800).svg George Germain
Flag of Great Britain (1707–1800).svg William Howe
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Thomas Gage
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Henry Clinton
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Charles Cornwallis
Flag of Great Britain (1707–1800).svg John Burgoyne
Forças
Estados Unidos:
40 000 (exército e milícias, em média)
200 000 (agregados ao longo do tempo)

França e Espanha:
63 000
Grã-Bretanha:
48 000 (na América)
121 000 (pelo mundo)

Lealistas: 25 000

Soldados alemães: 30 000
Baixas
Estados Unidos:
6 824 mortos em combate
25 000–70 000 mortos de outras causas

França: 7 000 mortos (75% no mar)

Espanha: 5 000 baixas
Grã-Bretanha:
9 372 mortos em combate (exército)
1 243 mortos em combate (marinha)
42 000 desertores
18 500 mortos de doenças (1776-1780)

Alemães:
7 774 mortos
4 888 desertores[1]

A Guerra de Independência dos Estados Unidos, Guerra Revolucionária Americana (1775–1783), Guerra Americana da Independência,[2] ou simplesmente Guerra Revolucionária nos Estados Unidos, foi um conflito armado entre o Reino da Grã-Bretanha e as Treze Colônias na América do Norte, que haviam declarado sua independência como os Estados Unidos da América.[3]

Logo após a Guerra dos Sete Anos, começou a crescer nas colônias britânicas na América um sentimento de descontentamento com a metrópole, baseado em diferenças filosóficas e políticas exacerbadas com o azedamento dos laços entre a Coroa e os povos da colônia. Após a introdução da Lei do selo de 1765, os Patriotas (como se chamavam os americanos pró-independência) protestaram contra a ideia de "taxação sem representatividade" e iniciaram boicotes contra os ingleses; um grupo conhecido como "Filhos da Liberdade" acabou destruindo um carregamento de chá no ancoradouro de Boston. O governo britânico respondeu fechando os portos da cidade e passou medidas punitivas contra Massachusetts. Os colonos, por sua vez, instituíram as "Resoluções de Suffolk", estabelecendo um governo paralelo para tentar tirar dos ingleses o controle das áreas fora da cidade de Boston. Representantes das colônias americanas estabeleceram então o Congresso Continental para coordenar os esforços de resistência e estabelecer comitês e convenções para efetivamente tomar o poder.

Em abril de 1775, os britânicos tentaram desarmar as milícias rebeldes que tomaram a zona rural de Massachusetts, precipitando o primeiro confronto armado da guerra. Os milicianos americanos então cercaram Boston e, eventualmente, em março de 1776, forçaram os ingleses a evacuar. Ao mesmo tempo, os revolucionários tentaram invadir o Quebec para tentar trazer os canadenses ao conflito, mas falharam. A 2 de julho de 1776, com a escalada da violência por todas as Treze Colônias, o Congresso Continental votou por independência, proclamando-a dois dias depois, em 4 de julho.[4] Sir William Howe, comandante do exército britânico nas Colônias estadunidenses, ordenou um contra-ataque e suas forças lançaram uma invasão ao norte, conquistando a cidade de Nova Iorque e partes de Nova Jérsei, abalando a moral dos revolucionários americanos. Contudo, vitórias rebeldes em Trenton e Princeton restauraram a confiança na causa americana. Em 1777, os britânicos, sob comando do general John Burgoyne, lançaram uma grande campanha para limpar de rebeldes os estados de Nova Iorque e Vermont, isolando a região da Nova Inglaterra. O comando inglês, porém, não agiu de forma coesa, com o general Howe preferindo realizar uma campanha própria, capturando Filadélfia. Sem apoio, Burgoyne acabou sendo derrotado na decisiva Batalha de Saratoga, em outubro de 1777.

A vitória rebelde em Saratoga foi decisiva na guerra; ela convenceu a França (rival da Inglaterra) a entrar no conflito ao lado dos americanos em 1778. No ano seguinte, a Espanha, através do Pacte de Famille, se aliou aos franceses e aos americanos. Os britânicos tiveram de mudar de estratégia, com o general Charles Cornwallis movendo tropas para uma ampla campanha no sul, onde a presença lealista era mais forte, porém isto não se traduziu em vantagem. Em 1780, tensões cresceram e ameaçaram escalar o conflito para longe do continente americano, por exemplo com a deflagração da Guerra Anglo-Holandesa. Os ingleses começaram a sofrer uma série de revezes (como na importante Batalha de Cowpens), forçando Cornwallis a recuar até Yorktown, na Virgínia, onde planejou uma evacuação. Então, a marinha francesa derrotou a armada britânica em Chesapeake, cortando a rota de fuga dos ingleses. Um exército franco-americano, sob comando de Jean-Baptiste de Rochambeau, o conde de Rochambeau, e George Washington, marchou sobre Yorktown e forçou a rendição de Cornwallis e suas tropas.

A guerra nas Treze Colônias sempre dividiu opiniões no Parlamento Britânico, com os Whigs se opondo aos Tories, estes últimos favoráveis a continuação do conflito. Após a rendição de Cornwallis, em outubro de 1781, o movimento anti-guerra na Inglaterra ganhou força. Em 1782, os parlamentares britânicos votaram por encerrar todas as operações militares na América do Norte, embora as hostilidades que haviam se alastrado na Europa continuassem; o Reino Unido eventualmente derrotaria os espanhóis em Gibraltar e na Batalha do Cabo de São Vicente, enquanto também venciam os franceses na Batalha de Saintes. Na Índia, o Reino de Mysore havia se aliado aos franceses contra a Inglaterra, mas o conflito por lá só terminou em 1784.

Em 3 de setembro de 1783, os beligerantes assinaram o Tratado de Paris, formalmente encerrando a guerra, onde o Reino Unido reconheceu a soberania dos Estados Unidos como uma nação independente. O envolvimento da França no conflito se mostrou decisivo para a vitória americana, mas, no geral, os franceses ganharam muito pouco e viram sua economia entrar em colapso. A Espanha foi outra que, apesar de estar no lado dos vitoriosos, não conseguiu conquistar muita coisa. Os holandeses, que também estavam em guerra contra a Inglaterra, acabaram sofrendo grandes perdas financeiras e territoriais.[5]

Causas

Ver artigo principal: Revolução Americana

Impostos

Um jornal de 1765 falando sobre a Lei do Selo.

Ao fim da Guerra dos Sete Anos em 1763 (e a Guerra Franco-Indígena), o Reino Unido da Grã-Bretanha emergiu triunfante contra a França na América do Norte, mas terminou muito endividado. Os impostos na Inglaterra já estavam muito altos e então foi decidido que os colonos americanos deveriam contribuir mais. O Parlamento britânico então aprovou a Lei do selo de março de 1765, que colocou uma taxação direta sobre as colônias que começou formalmente em 1 de novembro. O novo imposto irritou os colonos americanos, que argumentavam que os seus "direitos como ingleses" significava que novos impostos não podiam ser cobrados deles pois eles não tinham representação no Parlamento.[6] Naquele momento, na verdade, muitos colonos rejeitavam a solução de representatividade afirmando que sua "circunstâncias locais" tornavam isso impossível.[7][8]

A resistência civil impediu que a lei do selo fosse implementada e boicotes a produtos britânicos entraram em vigor. Esta resistência foi inesperada e gerou uma "irritação violenta e natural" entre os britânicos.[9]

Uma mudança de governo na Grã-Bretanha acabou por revogar a lei do selo, mas o novo parlamento aprovou a Lei Declaratória de 1766, que dizia que "as colônias e plantações na América eram, são e serão subordinadas e dependentes da Coroa Imperial e do Parlamento do Reino Unido".[10]

Os americanos declararam que leis internas impostas a eles, como a lei do selo, eram ilegais, mas não as externas como taxas nos serviços de alfandega. Em 1767, o Parlamento inglês passou uma lei criando as chamadas Tarifas Townshend, que instituiu taxas sobre vários bens britânicos exportados para as colônias. Os americanos denunciaram isso como ilegal também, já que o objetivo destas tarifas era aumentar a renda do Estado e não regulamentar o comércio.[9]

Em 1768 a violência começou a tomar conta de Boston, a cidade com os maiores portos da região da Nova Inglaterra. Um dos motivos das queixas eram as atitudes anti contrabando tomadas pelo governo britânico e o envio de 4 000 soldados ingleses para ocupar a cidade. O Parlamento em Londres ameaçou decretar os cidadãos de Massachusetts como traidores. Os colonos americanos não se intimidaram e formaram associações para boicotar bens britânicos, embora menos eficientes que antes pois as tarifas Townshend eram muito usadas. Em março de 1770, cinco colonos em Boston foram mortos quando soldados ingleses abriram fogo contra uma multidão que protestava em frente a casa do governador real. Esta notícia espalhou ultraje pelas Treze Colônias. Em 1770, o Parlamento tentou aplacar os americanos ao repelir todos os impostos, menos os do chá.[11]

Em 1773, em um esforço para resgatar financeiramente a Companhia Britânica das Índias Orientais, os ingleses tentaram aumentar as vendas de chá ao reduzir seu preço e nomearam certos comerciantes na América para receber este produto e vende-lo. Todas as colônias resistiram a isso e quando o governador de Massachusetts se recusou a enviar de volta os navios de chá já ancorados em Boston, colonos americanos destruíram diversas caixas de chá que estavam nestas embarcações.[12]

Crise

Litografia de 1846 por Nathaniel Currier chamada A Destruição do Chá no Porto de Boston"; o termo "Boston Tea Party" ("Festa do Chá de Boston") ainda não era usado para descrever o evento. Ao contrário da forma como Currier apresentou, eram muito poucos os homens fantasiados como índios naquele dia.[13]

Ninguém foi realmente punido pela "Festa do Chá de Boston" mas em 1774 o Parlamento Britânico ordenou que o porto de Boston fosse fechado até que o prejuízo do chá perdido fosse pago. Foi então aprovado a "Lei de Governo de Massachusetts" para punir e mandar uma mensagem para a Colônia. Com essa lei, a câmara alta da legislatura de Massachusetts seria apontada diretamente pela Coroa Britânica, como já era o caso das colônias de Nova Iorque e Virgínia. O governador real seria capaz de apontar e remover qualquer juiz, xerife e outros oficiais executivos, além de restringir as sessões do legislativo. Jurados seriam selecionados pelos xerifes e soldados britânicos acusados de crimes seriam julgados fora da colônia. Essas medidas, que também incluíam proibir manifestações públicas contrárias a Coroa e que atingiam outras liberdades individuais e coletivas, foram descritas como as "Leis Intoleráveis" pelos patriotas americanos (como eram chamados os revoltosos americanos pró-independência).[9]

Apesar destas ações não serem sem precedente (Massachusetts já havia sido colocada sob semi-lei marcial em 1691), a população americana pelas colônias havia ficado revoltada. Lideranças populares e políticas americanas se reuniram e decidiram não cooperar com as autoridades britânicas. Em outubro de 1774, um congresso provincial (que pela lei inglesa era ilegal) foi estabelecido para tomar controle do governo sob áreas não ocupadas por tropas britânicas em Massachusetts, especialmente aos arredores de Boston. Com as tensões aumentando, milícias populares começaram a ser formadas.[9]

Enquanto isso, em setembro de 1774, representantes de todas as Treze Colônias reuniram-se no Primeiro Congresso Continental para arranjar uma maneira de responder à crise. O congresso rejeitou seguir o "Plano de União" que estabeleceria um parlamento na América que aprovaria ou desaprovaria as ações do parlamento britânico em Londres. Ao invés disso, eles preferiam adotar as Resoluções Suffolk e exigiram que fossem vetadas todas as leis parlamentares impostas pelos ingleses desde 1763, sendo assim não queriam que apenas as taxas sobre o chá e as "Leis Intoleráveis" fossem revogadas, mas diversas outras também. Eles afirmaram que o parlamento britânico não tinha autoridade para legislar na América, mas eles aceitariam regulamentações no comércio, incluindo deveres alfandegários para beneficiar o Império.[14] Eles também queriam que o Reino Unido reconhecesse que a decisão unilateral de estacionar tropas nas colônias em tempos de paz era um "ato contra a lei". Apesar do Congresso não ter nenhum poder legalmente falando, eles estabeleceram a formação dos comitês Patriotas que iria supervisionar um boicote a produtos britânicos nas colônias, a partir de 1 de dezembro de 1774.[9]

Ainda assim, os britânicos não se intimidaram. O político anglo-irlandês Edmund Burke aprovou uma lei no parlamento para repelir todos os Atos introduzidos pelos parlamentares ingleses a qual os americanos se opunham e pedia para os britânicos para renunciar o direito de colher as receitas dos impostos no continente, mas tal lei foi reprovada no Parlamento por uma boa margem. Os parlamentares então votaram por restringir todo o comércio colonial com a Grã-Bretanha, impedir os direitos dos americanos de pescar em Terra Nova e Labrador, e autorizaram um aumento da presença militar na América do Norte para 6 000 homens. Em fevereiro de 1775 o primeiro-ministro britânico Frederick North propôs que nenhum novo imposto fosse feito sobre as colônias, se estas pagassem "contribuições fixas". Isso garantiria os direitos das colônias sobre taxas de futuros infringimentos enquanto permitiam que eles contribuíssem financeiramente para o bem do Império Britânico. Este projeto, porém, foi igualmente rejeitado pelo Congresso Continental americano em julho, considerado como uma "manobra insidiosa". Naquele momento, ao fim de 1774, as situação chegava a um ponto de ruptura, com hostilidades entre tropas britânicas e cidadãos armados americanos se tornando comuns e se intensificando cada vez mais.[9]

Política interna britânica

Durante este período, os britânicos não apresentaram uma postura unificada para lidar com os americanos revoltosos. O Parlamento da Grã-Bretanha era, neste tempo, informalmente dividido entre os conservadores (Tory) e os liberais (Whig). Os Whigs favoreciam um tratamento mais brando para com os colonos (mas não independência) enquanto os Torys defendiam veementemente os direitos do Parlamento. Os Whigs acreditavam que os conservadores estavam empurrando os americanos para uma rebelião, enquanto os Torys diziam que a leniência dos Whig (como a campanha deles para repelir a Lei do Selo) estaria fazendo a mesma coisa. Muitos Whigs se identificavam com a causa dos rebeldes americanos, o que os Torys achavam que iria encorajar os colonos a se revoltar. O resultado foi, apesar do governo Tory do Lorde North ter maioria no parlamento, os Whigs sempre apareciam para se opor a todas as suas políticas.[15] Enquanto isso, comandantes militares simpáticos aos Whig na América, como Sir William Howe e seu irmão, o almirante Howe, eram questionados pelos Torys e lealistas (americanos leais a Coroa) por não apoiarem tão vigorosamente o esforço de guerra.[16]

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