Guerra Civil Síria

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Guerra Civil Síria
Parte da(o) Primavera Árabe, Inverno Árabe
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Situação atual da Síria (2018):
Período15 de março de 2011 - presente
LocalSíria
Situação
CausasDitadura;
Governo corrupto;[3]
Desemprego;
Inspiração em protestos da Primavera Árabe;
Conflito sectário;[4]
Queda na produção agrícola causada por secas;[5]
ObjetivosRenúncia de Bashar al-Assad;
Mudança de regime;[6]
Expansão dos direitos civis;[7]
Reconhecimento dos direitos dos curdos;
Participantes do conflito
Síria República Árabe da Síria



Irã Irã[8][9]

 Rússia (ver detalhes aqui)[11]


Hezbollah[12][13][14]
PFLP-GC Flag.svg FPLP–CG[15]
Milícias xiitas iraquianas[16]
Diversos outros grupos/milícias


Apoio (armas):


(Para ler mais detalhes sobre apoio estrangeiro ao regime sírio, ver aqui)

Flag of Syria 2011, observed.svg Oposição Síria

 Turquia (ver detalhes aqui e aqui)

Apoio:

(Para ler mais detalhes sobre apoio estrangeiro a oposição, ver aqui)


Logo of Ahrar al-Sham.svg Ahrar al-Sham

Logo of Jaysh al-Islam.jpg Jaysh al-Islam
Flag of the Army of Mujahedeen (Syria).png Exército dos Mujahideen (2014-2017)[33]

  • Diversos outros grupos/milícias[34]


Apoio:



Flag of Hayat Tahrir al-Sham.svg Tahrir al-Sham

Apoio:



Flag of Syrian Kurdistan.svg Rojava[39]

Apoio:

(Para ler mais detalhes sobre a frente curda da guerra, ver aqui)


Seal of Combined Joint Task Force – Operation Inherent Resolve.svg Operação Determinação Inerente:

No god but God.jpg Estado Islâmico do Iraque e do Levante[1] (em guerra com todos os lados envolvidos no conflito)
Líderes
Síria Bashar al-Assad

Síria Imad Khamis
Síria Wael Nader al-Halqi
Síria Ali Abdullah Ayyoub
Síria Fahd Jassem al-Freij
Síria Faruk al Shara
Síria Dawoud Rajiha
Síria Maher al-Assad
Síria Assef Shawkat
Síria Hisham Ikhtiyar
Irã Qasem Soleimani
InfoboxHez.PNG Hassan Nasrallah
PFLP-GC Flag.svg Ahmed Jibril
Rússia Vladimir Putin

Abdullah al-Bashir
Albay Ahmed Berri
Riad al-Asaad

Salim Idris
Jamal Maarouf
Síria Mustafa al-Sheikh
Ahmed Issa al-Sheikh
Abu Abdullah al-Hamawi
Flag of Hayat Tahrir al-Sham.svg Abu Jaber Shaykh
Flag of Jabhat al-Nusra.jpg Abu Mohammad al-Julani[38]
Essam al-Buwaydhani


Salih Muslim Muhammad
Sipan Hemo

No god but God.jpg Abu Bakr al-Baghdadi
No god but God.jpg Abu Mohammad al-Adnani
Flag of the Islamic State of Iraq and the Levant2.svg Abu Suleiman al-Naser
Flag of the Islamic State of Iraq and the Levant2.svg Abu Ala al-Afri
No god but God.jpg Abu Omar al-Shishani
No god but God.jpg Gulmurod Khalimov
No god but God.jpg Abu Ali al-Anbari
No god but God.jpg Abu Bakr al-Iraqi
No god but God.jpg Abu Muhammad al-Shimali
Forças
Síria Forças Armadas:

180 000 militares[47] (2015)
Síria Diretório de Segurança Geral:
8 000 soldados
Síria Força de Defesa Nacional:
60 000 combatentes[48]
Síria Brigada al-Abbas:
10 000 combatentes[49]
Síria Jaysh al-Sha'bi:
50 000 combatentes[50]


InfoboxHez.PNG Hezbollah:
3 000 – 5 000 combatentes[51]
Shiism arabic blue.PNG 15 000 guerrilheiros xiitas estrangeiros[52]


Irã 15 000 militares[53]
Rússia 4 000 militares[54]

Exército Livre da Síria:
40 000 - 50 000 combatentes[55]
Ahrar al-Sham black standard.png Ahrar al-Sham:
18 000 – 20 000[56][57]

Turquia Forças Armadas Turcas:
4 000 - 8 000[58]


Flag of Hayat Tahrir al-Sham.svg Tahrir al-Sham:
~ 31 000 combatentes[59][60]
Jaysh al-Islam:
25 000 combatentes[61]
Flag of Jihad.svg Outros grupos islamitas:
12 500 combatentes[62]


(Diversos outros combatentes de grupos menores)


Flag of Rojava.svg 50 000 – 60 000 guerrilheiros curdos[63][64]

Flag of Islamic State of Iraq.svg Estado Islâmico do Iraque e do Levante:

50 000 (auge, em 2015)[65]

~ 3 000 (segundo a CIA, em 2017)[66]
Baixas
Síria Forças do Governo Sírio:

~ 161 634 soldados, milicianos ou policiais mortos (segundo o OSDH)[67]
~ 8 000 militares capturados[67]
~ 7 686 combatentes não sírios mortos (incluindo centenas de iranianos e pelo menos 86 militares russos)[67]
Hezbollah:
+1 800 milicianos mortos[67]

Flag of Syria (1932-1958; 1961-1963).svg Flag of Jihad.svg Flag of Rojava.svg Rebeldes sírios, jihadistas e curdos:

~ 170 233 combatentes mortos[67]

+ 115 627 civis mortos[67]

+ 2 700 manifestantes mortos em protestos[68]
36 637 guerrilheiros ou manifestantes capturados[69]


Turquia 149 soldados mortos[70]


Seal of Combined Joint Task Force – Operation Inherent Resolve.svg CJTF–OIR:
5 militares mortos[71][72]

Desconhecido (pelo menos + 45 000 mortos, incluindo perdas no Iraque)[73]

~ 470 000 sírios mortos no conflito[74][67]
(segundo o OSDH)
~ 3 284 civis estrangeiros mortos


+7,6 milhões de desalojados (internamente)[75]
+ de 5,6 milhões de refugiados[76]

A Guerra Civil Síria[77] (às vezes referida como Revolta Síria ou ainda Revolução Síria;[78] em árabe: الحرب الأهلية السورية) é um conflito interno em andamento na Síria, que começou como uma série de grandes protestos populares em 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada em 15 de março de 2011, influenciados por outros protestos simultâneos no mundo árabe.[79] Enquanto a oposição alega estar lutando para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo "terroristas armados que visam desestabilizar o país".[80] Com o passar do tempo, a guerra deixou de ser uma simples "luta por poder" e passou também a abranger aspectos de natureza sectária e religiosa, com diversas facções que formam a oposição combatendo tanto o governo quanto umas às outras. Assim, o conflito acabou espalhando-se para a região, atingindo também países como Iraque e o Líbano, atiçando, especialmente, a rivalidade entre xiitas e sunitas.[81]

Foi iniciada como uma mobilização social e midiática, exigindo maior liberdade de imprensa, direitos humanos e uma nova legislação.[82] A Síria tem ficado em estado de emergência desde 1962, que efetivamente, suspendeu as proteções constitucionais para a maioria dos cidadãos. Hafez al-Assad esteve no poder por trinta anos, e seu filho, Bashar al-Assad, tem mantido o poder com mão firme nos últimos dez anos. As manifestações públicas começaram em frente ao parlamento sírio e a embaixadas estrangeiras em Damasco.[83]

Em resposta aos protestos, o governo sírio enviou suas tropas para as cidades revoltosas com o objetivo de encerrar a rebelião.[84] O resultado da repressão e do confronto com os manifestantes acabou sendo de centenas de mortes, a grande maioria de civis.[85] No fim de 2011, soldados desertores e civis armados da oposição formaram o chamado Exército Livre Sírio para iniciar uma luta convencional contra o Estado. Em 23 de agosto de 2011, a oposição finalmente se uniu em uma única organização representativa formando o chamado Conselho Nacional Sírio.[86] A luta armada então se intensificou, assim como as incursões das tropas do governo em áreas controladas por opositores.[87] Em 15 de julho de 2012, com grandes combates irrompendo por todo o país, a Cruz Vermelha Internacional decidiu classificar o conflito como guerra civil (o termo preciso foi "conflito armado não-internacional") abrindo caminho à aplicação do Direito Humanitário Internacional ao abrigo das convenções de Genebra e à investigação de crimes de guerra.[88]

A partir de 2013, aproveitando-se do caos da guerra civil na Síria e no Iraque, um grupo autoproclamado Estado Islâmico (EI, ou ad-Dawlah al-Islāmīyah) começou a reivindicar territórios na região. Lutando inicialmente ao lado da oposição síria, as forças desta organização passaram a atacar qualquer uma das facções (sejam apoiadoras ou contrárias a Assad) envolvidas no conflito, buscando hegemonia total. Em junho de 2014, militantes deste grupo proclamaram um Califado na região, com seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, como o califa. Eles rapidamente iniciaram uma grande expansão militar, sobrepujando rivais e impondo a sharia (lei islâmica) nos territórios que controlavam. Então, diversas nações ocidentais, como os Estados Unidos, as nações da OTAN na Europa, e países do mundo árabe, temendo que o fortalecimento do EI representasse uma ameaça a sua própria segurança e a estabilidade da região, iniciaram uma intervenção armada contra os extremistas.[89] Outras nações, como Rússia e Irã, também intervém militarmente no conflito, mas ao lado do regime de Assad.[90] Analistas políticos internacionais descrevem a participação das potências estrangeiras na Síria e o apoio dispensado as facções lutando no conflito como uma espécie de "guerra por procuração".[91]

Segundo informações de ativistas de direitos humanos dentro e fora da Síria, o número de mortos no conflito passa das 450 mil pessoas, sendo mais da metade de civis.[67] Outras 130 mil pessoas teriam sido detidas pelas forças de segurança do governo.[92] Mais de cinco milhões de sírios já teriam buscado refúgio no exterior para fugir dos combates, com a maioria destes tomando abrigo no vizinho Líbano.[76] O conflito também gerou uma enorme onda migratória de sírios e árabes em direção a Europa, sem paralelos na história do continente desde a Segunda Guerra Mundial.[93]

Segundo a ONU e outras organizações internacionais, crimes de guerra e contra a humanidade vêm sendo perpetrados pelo país por todos os lados de forma desenfreada.[94] Na fase inicial da guerra, as forças leais ao governo foram as principais alvos das denúncias, sendo condenadas internacionalmente por incontáveis massacres de civis.[95][96] Milícias leais ao presidente Assad e integrantes do exército sírio foram acusadas de perpetrarem vários assassinatos e cometerem inúmeros abusos contra a população.[97] Contudo, durante o decorrer das hostilidades, as forças opositoras também passaram a ser acusadas, por organizações de direitos humanos, de crimes de guerra.[98] O Estado Islâmico, desde 2013, passou então a chamar a atenção pelos requintes de violência e crueldade nas inúmeras atrocidades que cometiam pelo país.[99]

Contexto

Ver artigo principal: Primavera Árabe

No momento da revolta, a Síria se encontrava sob estado de emergência desde 1962, sendo assim suspensas as garantias constitucionais que protegiam a população síria. Então o regime instalou um estado policial, suprimindo qualquer manifestação pública que fosse contra o governo. Durante esses anos, revoltas de cunho islâmico[100] foram fortemente reprimidos, causando centenas de mortes, como no massacre de Hama.[101] O governo sírio justificou o estado de emergência, dizendo que a Síria estava em estado de guerra com Israel.

Desde 1963, após um golpe de estado, a Síria é governada pelo Partido Baath.[102] Apesar das mudanças de poder no golpe de estado de 1966 e no golpe de 1970, o Partido Baath continua mantendo-se como a única autoridade na Síria,[103] através do unipartidarismo.

Um manifestante anti-Assad grafitando na parede de um prédio a frase "Derrubem al-Assad", em maio de 2011.

No último golpe de estado, Hafez al-Assad tomou o poder como presidente, liderando o país por 30 anos e proibindo a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição.

Em 1982, durante um clima de insurgência islâmica em todo o país, que durou seis anos, Hafez al-Assad aplicou a tática da "terra arrasada", sufocando a revolta islâmica da comunidade sunita, incluindo a Irmandade Muçulmana, entre outros.[104] Durante essas operações, milhares de pessoas morreram no massacre de Hama.[105]

O presidente Bashar al-Assad se encontra no poder desde 17 de julho de 2000, sucedendo seu pai. Seu partido atualmente domina a política síria, incluindo o parlamento. A Frente Nacional Progressista é a única coalizão do parlamento, composto principalmente pelo Partido Baath (134 assentos) e outros nove membros, representando 35 partidos políticos.

Como vários outros países do Oriente Médio, a Síria sofria com retrações econômicas e altos índices de desemprego que chegava a 25% da população.[106] A situação socio-econômica, como a deterioração do padrão de vida, a redução do apoio do governo aos pobres como consequência da adaptação da economia para um mercado aberto, a erosão dos subsídios para bens e agricultura, sem uma indústria estável e índices de desemprego altos entre jovens incitaram o descontentamento popular.[107]

A situação dos direitos humanos na Síria também era considerada deplorável, conquistando várias críticas de organizações estrangeiras.[108] O país ficou sob estado de exceção de 1963 até 2011, o que dava as forças de segurança a autoridade de prender qualquer um que quisessem sem declarar um motivo.[109] Movimentos pró-democracia liderados, na maioria das vezes, pela Irmandade Muçulmana, foram mal recepcionados pelo governo que reprimia qualquer manifestação de oposição.[109] Todos os partidos políticos foram banidos da Síria, fazendo do partido do governo o único a concorrer nas eleições.[110]

Em entrevista feita em 31 de janeiro de 2011, al-Assad declarou que era tempo de fazer reformas, frente as revoltas de demanda popular que derrubaram governos no Egito, na Tunísia e no Iêmen, e que falou que uma "nova era" estava chegando ao Oriente Médio.[111][112] Segundo grupos de oposição, a lentidão ou não cumprimento das promessas de reformas incitaram a população a se manifestar contra o governo em massa. Os primeiros protestos começaram em janeiro e foram reprimidos duramente pelo governo.[113] Ainda no mesmo mês, uma manifestação em Ar-Raqqah terminou com dois mortos. Protestos em Al-Hasakah acabaram sendo dispersos pelas forças de segurança leais ao governo e centenas foram presos. A rede de televisão árabe Al Jazeera reportou a violência usada pelas forças de al-Assad na repressão e se disse preocupada com o risco de uma insurreição popular nos moldes da Líbia.[114] O presidente Assad então afirmou que seu país estaria imune a todos os tipos de protestos em massa como os que ocorreram no Cairo, Egito.[115]

En otros idiomas
беларуская (тарашкевіца)‎: Грамадзянская вайна ў Сырыі
Bahasa Indonesia: Perang Saudara Suriah
日本語: シリア内戦
한국어: 시리아 내전
Bahasa Melayu: Perang Saudara Syria
Papiamentu: Guera Civil Syrio
srpskohrvatski / српскохрватски: Građanski rat u Siriji
Simple English: Syrian civil war
татарча/tatarça: Süriä watandaşlar suğışı
Tiếng Việt: Nội chiến Syria
Bân-lâm-gú: Su-lī-a Lōe-chiàn