Guerra Civil Espanhola

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Guerra Civil Espanhola
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Da esquerda para a direita, do topo para baixo: Tanque da XI Brigada Internacional na Batalha de Belchite, um avião alemão Bf 109 com insignias dos nacionalistas, HMS Royal Oak patrulhando a região de Gibraltar, bombardeio de um campo de pouso no Saara Espanhol, forças nacionalistas operando um armamento anti-aéreo durante a Batalha de Madrid, soldados republicanos entrincheirados durante o Cerco a Alcázar.
Período17 de julho de 19361 de abril de 1939
LocalEspanha peninsular, Marrocos Espanhol, Saara Espanhol, Canárias, Baleares, Guiné Espanhola e Mar Mediterrâneo
ResultadoVitória dos Nacionalistas
Participantes do conflito
Flag of Spain (1931–1939).svg República Espanhola
Apoiado por:
Flag of the Soviet Union (1936–1955).svg União Soviética (1936-1938)
México México
Flag of the International Brigades.svg Brigadas Internacionais
Bandera del bando nacional 1936-1938.svg Espanha Nacionalista
Apoiado por:
Flag of Italy (1861–1946).svg Corpo Truppe Volontarie
Flag of the German Reich (1935–1945).svg Legião Condor
Flag of Portugal.svg Viriatos
Líderes
Flag of Spain (1931–1939).svg Manuel Azaña
Flag of Spain (1931–1939).svg Julián Besteiro
Flag of Catalonia.svg Lluís Companys
Flag of Spain (1931–1939).svg F. Largo Caballero
Flag of Spain (1931–1939).svg Juan Negrín
Flag of Spain (1931–1939).svg Indalecio Prieto
Flag of Spain (1931–1939).svg Vicente Rojo Lluch
Flag of Spain (1931–1939).svg José Miaja
Flag of Spain (1931–1939).svg Juan Modesto
Flag of Spain (1931–1939).svg Hernández Saravia
Flag of Spain (1931–1939).svg B. Durruti
Flag of Spain (1931–1939).svg José Giral
Flag of the Basque Country by Sabino Arana.svg José Antonio Aguirre
Flag of Spain (1931–1939).svg Belarmino Tomás
Flag of Spain (1938–1945).svg Francisco Franco
Flag of Spain (1938–1945).svg Queipo de Llano
Bandera del bando nacional 1936-1938.svg Emilio Mola
Bandera del bando nacional 1936-1938.svg Primo de Rivera
Flag of Spain (1931–1939).svg José Sanjurjo
Flag of Spain (1938–1945).svg Juan Yagüe
Forças
450 000 soldados
350 aeronaves
(1938)[1]
600 000 soldados
600 aeronaves
(1938)[2]
Baixas
500 000 mortos[3]

A Guerra Civil Espanhola [nb 1] foi um conflito armado ocorrido em Espanha entre 1936 e 1939. O conflito foi travado entre os Republicanos, leais à Segunda República Espanhola, urbana e progressista, numa aliança de conveniência com os Anarquistas e Comunistas, e os Nacionalistas, um grupo conservador falangista, carlista, católico e maioritariamente aristocrático liderado pelo General Francisco Franco. A facção Nacionalista venceu a guerra no início de 1939 e Franco governou toda a Espanha até à sua morte em novembro de 1975.

A guerra teve início na sequência de um pronunciamento (uma declaração de oposição militar) contra o governo republicano por parte de um grupo de militares das forças armadas espanholas, inicialmente sob liderança de José Sanjurjo. À data, o governo de Espanha era constituído por uma coligação moderada de Republicanos, apoiada nas Cortes por partidos comunistas e socialistas, sob a liderança do Presidente de centro-esquerda Manuel Azaña.[4][5] O grupo Nacionalista era apoiado por uma série de grupos conservadores, incluindo a Confederação Espanhola de Direitas Autónomas (CEDA), monárquicos como os conservadores religiosos Carlistas e a Falange Espanhola Tradicionalista e das Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista, um partido político fascista.[nb 2][6] Após a morte de Sanjurjo num acidente de aviação quando tentava regressar do exílio em Portugal, Franco sucedeu-lhe como líder dos Nacionalistas.

Em julho de 1936, as forças nacionalistas tentam levar a cabo um golpe de estado para depor o governo. Embora os Nacionalistas tenham obtido o controlo de cidades como Pamplona, Burgos, Zaragoza, Valladolid, Cádiz, Córdova e Sevilha, várias cidades importantes como Madrid, Barcelona, Valência, Bilbao e Málaga mantiveram-se leais ao governo. Espanha encontrava-se dividida política e militarmente, com Nacionalistas e Republicanos a lutar entre si pelo controlo do país. As forças Nacionalistas recebiam munições, combatentes e apoio aéreo da Alemanha Nazi e da Itália fascista, enquanto as forças Republicanas leais ao governo eram apoiadas pela União Soviética e pelo governo populista do México. Vários países, como o Reino Unido, França e Estados Unidos, embora continuassem a reconhecer a legitimidade do governo Republicano, não intervieram no conflito. Apesar disso, dezenas de milhares de cidadãos de países neutros e exilados de regimes nacionalistas tomaram parte no conflito, ingressando nas Brigadas Internacionais pró-Republicanas. Os Nacionalistas avançaram a partir dos bastiões no sul e oeste de Espanha, capturando a maior parte da costa norte ao longo de 1937. Madrid e a região a sul e oeste de Madrid encontraram-se cercadas durante a maior parte da guerra. Entre 1938 e 1939 as forças nacionalistas capturaram a maior parte da Catalunha. Com as cidades de Barcelona e Madrid isoladas, tornou-se óbvio que as forças republicanas não tinham possibilidade de vencer. Em fevereiro de 1939 Reino Unido e França reconhecem o regime de Franco. Na sequência da ofensiva final, em março o primeiro-ministro Juan Negrin exila-se em Espanha e as forças franquistas ocupam Madrid sem resistência e passam a controlar a totalidade do território espanhol. Em 1 de abril terminou oficialmente a guerra com a rendição das últimas forças republicanas.[6]

Franco instaurou uma ditadura e todos os partidos de direita foram incorporados na estrutura do regime franquista.[6] A guerra tornou-se notável pelo fervor e polarização políticos que inspirou e pelas diversas atrocidades ocorridas de ambos os lados. Durante a guerra, as forças de Franco organizaram purgas e campanhas de terror nos territórios conquistados com o objetivo de consolidar o futuro regime.[7] Nas áreas controladas pelos Republicanos também ocorreram vários massacres.[8][9] No fim da guerra, os Nacionalistas perseguiram e executaram sumariamente dezenas de milhar de Republicanos derrotados e mais de meio milhão de espanhois exilou-se em campos de refugiados no sul de França.[6] A Guerra Civil Espanhola é geralmente descrita como um conflito entre democracia e fascismo, sobretudo devido ao contexto político em que ocorreu, embora também possa ser descrita como um conflito entre um movimento revolucionário de esquerda e uma contra-revolução de direita, semelhante à Guerra Civil Finlandesa, à Guerra Civil Russa e às guerras travadas durante a formação das repúblicas soviéticas Húngara e Eslovaca.[10]

Antecedentes

A derrubada temporária dos Bourbons absolutistas por Napoleão Bonaparte, em março de 1808, a Guerra de Independência contra a ocupação francesa, a abertura das Cortes de Cádis, em 1810, e a proclamação da Constituição liberal de 1812 assinalam o desaparecimento do Antigo Regime espanhol, que, durante o reinado de Carlos III, chegou a ser considerado como um exemplo de Despotismo Esclarecido. Durante todo o século XIX e o início do século XX, no entanto, a Espanha não conseguiu completar, política e socialmente, a sua revolução burguesa de forma a produzir uma institucionalidade liberal-democrática estável.

O século XIX espanhol foi um período especialmente conflituoso, com lutas entre liberais e absolutistas, entre membros rivais da Casa de Bourbon (isabelinos e carlistas), e mais tarde entre monarquistas e republicanos, sobre o pano de fundo da perda das colônias americanas e filipinas.

A economia espanhola teve um crescimento rápido, desde o final do século XIX até ao início do século XX. Em especial, as indústrias mineiras e metalúrgicas lucraram e expandiram-se enormemente durante a Primeira Guerra Mundial, fornecendo insumos a ambos os lados em disputa.

Entretanto, os resultados desse crescimento não se refletiram em mudanças nas condições sociais. A agricultura, sobretudo na Andaluzia, continuou em mãos de latifundiários, que deixavam grandes extensões de terra sem cultivar. Somava-se a isto a forte presença da Igreja Católica, que se opunha às reformas sociais e se alinhava aos interesses da elite agrária. Finalmente, a monarquia espanhola apoiava-se no poder militar para manter o regime. O fim da monarquia e o advento da república, em 1931, em nada mudou esta configuração política básica, com a agravante de que Igreja e Exército se mantiveram monárquicos e as tentativas de golpe tornaram-se constantes.

Com o crescimento da economia, cresceu também o movimento operário. Após a fundação da primeira sociedade operária em Barcelona (1840), o movimento cresceu e se espalhou pelo país. Desde o início, e principalmente na Catalunha, a principal região industrial de Espanha, o anarquismo tornou-se a tendência política mais difundida entre os trabalhadores. A principal confederação sindical, a CNT (Confederación Nacional del Trabajo), sob influência anarcossindicalista, recusava-se a participar na política partidária.

O choque entre classes é frequente e violento. Desde o fim do século XIX até o início do século XX, grupos de extermínio, como o Sindicato Libre, procuram suprimir os sindicatos através do assassinato dos seus principais militantes. Do outro lado, grupos de militantes sindicalistas, como o famoso Nosotros, também assassina religiosos e industriais suspeitos de apoiar o Sindicato Libre. Insurreições armadas, tanto de direita como de esquerda, ocorrem com regularidade.

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