Guadalajara

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Guadalajara
—  Cidade do México México  —
Vista parcial da cidade de Guadalajara.
Vista parcial da cidade de Guadalajara.
Bandeira de Guadalajara
Bandeira
Brasão de armas de Guadalajara
Brasão de armas
Guadalajara está localizado em: México
Guadalajara
Localização de Guadalajara no México
Coordenadas20° 40' 35" N 103° 20' 49" O
País México
Estado do MéxicoJalisco
MunicípioGuadalajara
Fundação14 de fevereiro de 1542 (476 anos)
Área
 - Total151 km²
Altitude1 567 m
População
 - Total1 495 182
    • Densidade9 901,9 hab./km²
Gentílico:Guadalajarense
Tapatío(a)
Fusos horários-6
-5
IDH0.880
Temperatura média20
Sítiowww.guadalajara.gob.mx

Guadalajara é uma cidade mexicana, capital do estado de Jalisco. Está localizada no oeste do México, no centro de Jalisco, na área geográfica conhecida como Vale de Atemajac. É a terceira cidade mais populosa do país, com 1 495 182 habitantes e é sede da Região Metropolitana de Guadalajara, formada com outros sete municípios, considerada a segunda área metropolitana mais populosa do país e a décima na América Latina, com 4 625 000 habitantes. Seu território é delimitado a norte pelos municípios de Zapopan e Ixtlahuacán del Río, na direção leste com Tonalá e Zapotlanejo, ao sul com San Pedro Tlaquepaque e a oeste com Zapopan. O município possui, ainda, 814 km², o que faz desta uma das maiores cidades do país em área territorial, juntamente com a Cidade do México, Monterrey, Puebla e Tijuana. Guadalajara é o terceiro principal centro econômico mexicano, com um Produto interno bruto (PIB) de 77.400 milhões em 2012, o décimo primeiro na América Latina.[1] É classificada, desde 2010, como uma cidade global, sendo uma das 120 cidades mais competitivas do mundo, com uma pontuação de 39,0 pontos.[2]

A economia da cidade é baseada na indústria, especialmente de tecnologia da informação, com um grande número de empresas internacionais e fábricas na área metropolitana de Guadalajara. Produtos locais, tais como calçados, têxteis e indústrias de processamento de alimentos, também faz-se presente. Guadalajara é um importante centro cultural no México, considerado pela maioria como a casa do Mariachi e sediando vários grandes eventos culturais, como o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara e a Feira Internacional do Livro - eventos de renome mundial que atraem multidões internacionais. É também a sede do Club Deportivo Guadalajara, um dos times de futebol mais populares no México. Guadalajara foi nomeada a Capital Americana da Cultura em 2005 e sediou os Jogos Pan-Americanos de 2011.

Em 5 de janeiro de 1532 foi fundada a Vila de Guadalajara, por Cristóbal de Oñate e outros 42 vizinhos. No entanto, após três tentativas fracassadas da fundação, Doña Beatriz Hernandez convenceu a comunidade a não deixar o lugar e mantê-lo povoado. Guadalajara desempenhou um papel importante durante a Independência do México, já que foi nesta cidade onde o padre Miguel Hidalgo y Costilla decretou a abolição da escravatura no país. Depois da guerra de independência, e da proclamação do estado livre e soberano de Jalisco, Guadalajara tornou-se a capital do estado, até os dias atuais.

Guadalajara foi crescendo rapidamente em setores como a indústria, turismo e serviços. Na cidade foi construído o primeiro shopping center da América Latina, o Plaza del Sol, além do primeiro sistema de luz ferroviário urbano na América Latina (Light Rail), e a primeira universidade privada no México, a Universidade Autônoma de Guadalajara (UAG), fundada em 1935.[3]

História

Fundação e colonização europeia

Mapa da área ocidental do Vice-Reino no século XVI.

A cidade foi estabelecida em outros cinco lugares antes de se mudar para sua localização atual. O primeiro assentamento em 1532 foi em Mesa del Cerro, agora conhecido como Nochistlán, Zacatecas. Este local foi ocupado por Cristóbal de Oñate, comissionado por Nuño de Guzmán, com o objetivo de garantir conquistas recentes e defendê-las contra os nativos ainda hostis. O assentamento não durou muito neste local devido à falta de água; em 1533 foi movido para um local perto de Tonalá. Quatro anos depois, Guzmán ordenou que a aldeia fosse transferida para Tlacotán, quando o rei espanhol Carlos I concedeu o brasão que a cidade ainda tem hoje..[4]

Este assentamento foi atacado ferozmente durante a Guerra do Mixtón em 1543 pelos povos caxcan, portecuex e zacateco sob o comando de Tenamaxtli.[4] A guerra foi iniciada pelos nativos devido ao tratamento cruel de índios por Nuño de Guzmán, em particular a escravização de nativos capturados. O vice-rei Antonio de Mendoza teve que assumir o controle da campanha para suprimir a revolta depois que os espanhóis foram derrotados em várias batalhas. O conflito terminou depois que Mendoza fez algumas concessões aos índios, como libertar os escravos e conceder anistia.[5]

A aldeia de Guadalajara mal sobreviveu à guerra e os aldeões atribuíram sua sobrevivência ao Arcanjo Miguel, que continua a ser o patrono da cidade. Foi decidido mudar a cidade novamente, desta vez para Atemajac, que um local mais fácil de defender e onde a cidade permaneceu até hoje. Em 1542, os registros indicavam que 126 pessoas viviam em Guadalajara e, no mesmo ano, o estatuto de cidade foi concedido pelo rei da Espanha. Guadalajara foi oficialmente fundada em 14 de fevereiro de 1550 no Vale de Atemajac. O nome do assentamento foi uma homenagem à cidade espanhola homônima, local de nascimento de Nuño de Guzmán.[4]

Em 1559, escritórios reais da província de Nova Galícia foram transferidos de Compostela para Guadalajara, bem como o bispado. A construção da catedral foi iniciada em 1563. Em 1575, chegaram ordens religiosas como os agostinianos e os dominicanos, o que tornaria a cidade um centro para os esforços de evangelização.[4]

O centro histórico da cidade abrange o que eram quatro centros populacionais, já que as aldeias de Mezquitán, Analco e Mexicaltzingo foram anexadas ao local de Atemajac em 1669.[4] Em 1791, a Universidade de Guadalajara foi estabelecida na cidade, que era então a capital de Nova Galícia. A inauguração foi realizada em 1792 no local do antigo Colégio Santo Tomas. Embora a instituição tenha sido fundada durante o século XVIII, não estaria totalmente desenvolvida até o século XX, começando em 1925. Em 1794, o Hospital Real de São Miguel de Belém, ou simplesmente o Hospital de Belém, foi aberto.[4]

A economia de Guadalajara no século XVIII era baseada na agricultura e na produção de bens não duráveis, como têxteis, sapatos e produtos alimentares.[6]

Século XIX

Centro Histórico no final do século XIX.

Guadalajara permaneceu a capital de Nova Galícia com algumas modificações até a Guerra da Independência do México.[4] Depois que Miguel Hidalgo y Costilla decidiu não atacar a Cidade do México, apesar dos primeiros sucessos, recuou para Guadalajara no final de 1810. Inicialmente, ele e seu exército foram bem-vindos na cidade, já que as condições de vida tornaram-se difíceis para os trabalhadores e Hidalgo prometeu baixar impostos e acabar com a escravidão. No entanto, a violência do exército rebelde com os residentes da cidade, especialmente os realistas, azedou a recepção.[7] Hidalgo assinou uma proclamação que acabou com a escravidão, que é homenageada no país desde a guerra. Durante este tempo, ele fundou o jornal El Despertador Americano, dedicado à causa insurgente.[4]

As forças realistas marcharam para Guadalajara, chegando em janeiro de 1811 com quase 6.000 homens.[8] Os insurgentes Ignacio Allende e Mariano Abasolo queriam concentrar suas forças na cidade e planejar uma rota de fuga se fossem derrotados, mas Hidalgo rejeitou isso. A segunda escolha foi fazer uma posição no Puente de Calderón, fora da cidade. Hidalgo tinha entre 80.000 e 100.000 homens e 95 canhões, mas os realistas mais bem treinados ganharam, dizimando o exército insurgente, forçando Hidalgo a fugir para Aguascalientes. Guadalajara permaneceu em mãos realistas até quase o fim da guerra.[8][9]

Depois que o estado de Jalisco foi criado em 1823, a cidade tornou-se sua capital.[4] Em 1844, o general Mariano Paredes y Arrillaga iniciou uma revolta contra o governo de Antonio López de Santa Anna, que o presidente conseguiu sufocar pessoalmente. No entanto, enquanto Santa Anna estava em Guadalajara, uma revolta chamada Revolução das Três Horas levou José Joaquín de Herrera à presidência e colocou Santa Anna no exílio.[10] Durante a Guerra da Reforma, o presidente Benito Juárez manteve seu governo na cidade em 1856. As tropas francesas entraram em Guadalajara durante a segunda intervenção francesa no México, em 1864, e a cidade foi retomada pelas tropas mexicanas em 1866.[4]

Apesar da violência, o século XIX foi um período de crescimento econômico, tecnológico e social para a cidade.[11] Após a independência do México, indústrias de pequena escala se desenvolveram, muitas delas de propriedade de imigrantes europeus. As linhas ferroviárias que ligam a cidade à costa do Pacífico e ao norte aos Estados Unidos intensificaram o comércio e permitiram que os produtos das áreas rurais do estado de Jalisco fossem exportados. A cultura de rancho tornou-se um aspecto muito importante da identidade de Jalisco e de Guadalajara desde então.[6] De 1884 a 1890, o serviço elétrico, o serviço ferroviário e o observatório foram estabelecidos.[4]

Século XX

Guadalajara novamente experimentou um crescimento substancial após a década de 1930[12] e o primeiro parque industrial foi estabelecido em 1947.[4] Sua população superou 1 milhão de pessoas em 1964[4] e, na década de 1970, era a segunda maior cidade do país[12] e a maior do oeste do México.[6] A maior parte da urbanização da cidade moderna ocorreu entre os anos 1940 e os 1980, com a duplicação da população a cada dez anos até atingir 2,5 milhões em 1980.[13] A população do município estagnou e até declinou, devagar, mas de forma constante, desde o início dos anos 1990.[14]

O aumento da população trouxe consigo um aglomerado urbano agora denominado Grande Guadalajara, em vez de um aumento na densidade populacional da cidade. Os migrantes que entram em Guadalajara da década de 1940 para a década de 1980 eram principalmente de áreas rurais e moravam no centro da cidade até terem dinheiro suficiente para comprar imóveis. Estas propriedades eram geralmente compradas nas margens da cidade, que estavam se urbanizando em áreas residenciais.[15] Na década de 1980, foi descrito como uma "cidade dividida" de leste a oeste com base na classe socioeconômica. Desde então, a cidade evoluiu para quatro setores, que são ainda mais ou menos centrados em classes. As classes superiores tendem a viver em Hidalgo e Juárez no noroeste e no sudoeste, enquanto as classes mais baixas tendem a viver no centro da cidade, Libertad no nordeste e em Reforma, a sudeste. No entanto, o desenvolvimento de classes mais baixas desenvolveu-se na periferia da cidade e as classes média e alta estão migrando para Zapopan, o que tornou a situação social da região menos bem dividida. (Napolitano21-22).[16]

Desde 1996, a atividade de empresas multinacionais teve um efeito significativo no desenvolvimento econômico e social da cidade. A presença de empresas como Kodak, Hewlett-Packard, Motorola e IBM, que construíram instalações de produção fora da própria cidade, trouxeram mão de obra e capital estrangeiros. Isso foi possível na década de 1980 devido à mão de obra excedente, melhorias de infraestrutura e incentivos governamentais. Essas empresas se concentram em itens elétricos e eletrônicos, que agora é um dos dois principais produtos de Guadalajara (o outro é a cerveja). Isso internacionalizou a economia, afastando-a da fabricação e dos serviços, dependente da tecnologia e do investimento estrangeiro. Isso não tem sido favorável para a classe trabalhadora não qualificada e os setores tradicionais do trabalho.[17]

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