Golpe de Estado de 1992 na Venezuela

O Golpe de Estado de 1992 na Venezuela consistiu em duas tentativas de Golpe de Estado: a primeira, em fevereiro, liderada por Hugo Chávez; a segunda, em novembro, liderada por outros. As tentativas de golpe foram direcionadas contra o governo de Carlos Andrés Pérez [1]. Apesar do fracasso das iniciativas, o golpe de fevereiro deixou controvérsias que se estendem até a atualidade e puseram Chávez como alvo da atenção nacional.,

Antecedentes

Na juventude de Chávez, a Venezuela passou por um período de estabilidade econômica e democrática notável no contexto sul-americano daquela época, ainda que a tortura, os maus-tratos, as execuções sumárias, os desaparecimentos de políticos e a corrupção fossem frequentes. Essas estabilidades se basearam no comércio externo e nos recursos oriundos do petróleo. Entretanto, quando a Arábia Saudita e outros países exportadores de petróleo aumentaram o nível de produção, a Venezuela entrou em crise [1]. Os preços atingiram o piso histórico e os ganhos socioeconômicos obtidos pela Venezuela foram subitamente levados a uma fração dos níveis anteriores. [2]

Em reação a isto, em 1989 o governo de Carlos Andrés Pérez pôs em prática medidas de ajuste estrutural propostas pelo FMI. Tais medidas tinham o objetivo de restabelecer a estabilidade fiscal e de implantar políticas neoliberais, tais como reduzir os gastos sociais e alterar a política de preços de muitos produtos. Tais políticas pioraram a vida da maioria da população venezuelana e culminaram nos violentos tumultos do dia 27 de fevereiro de 1989, conhecidos por Caracaço - o episódio mais violento e destrutivo desse tipo na história da Venezuela.

Origens ideológicas

Muitos conspiradores foram membros do "Partido de la Revolución Venezolana" na década de 1970, criado pelo ex-guerrilheiro Douglas Bravo, que concebeu a estratégia de infiltração na Força Aérea Venezuelana para alcançar o poder. [3] Além disso, a conspiração teve início mais de dez anos antes de Carlos Andrés Pérez tornar-se presidente da Venezuela.

MBR-200

O "Movimiento Bolivariano Revolucionario 200" (MBR-200) foi fundado pelo tenente-coronel Hugo Chávez Frías, ao qual mais tarde se juntou Francisco Arias Cárdenas. Eles usaram a imagem do herói revolucionário venezuelano Simón Bolívar como seu símbolo. Sua principal crítica era sobre a corrupção do governo de Carlos Andrés Pérez, assim como as dificuldades econômicas e a desordem social. Na visão desses dois homens, o sistema político devia ser mudado por inteiro para que a mudança social ocorresse.