Fluminense Football Club

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o clube do Rio de Janeiro. Para outros significados, veja Fluminense.
Fluminense
Fluminense FC escudo.png
NomeFluminense Football Club
AlcunhasTricolor
Flu
Fluzão
Nense
Pó de Arroz (1914–atualidade)
Máquina Tricolor (1970–1986)
Time de Guerreiros (2009–atualidade)
Torcedor/AdeptoTricolor
MascoteCartola/Cartolinha (1943–2015)
Guerreiro/Guerreirinho (2016–atualidade)
Principal rivalFlamengo
Vasco da Gama
Botafogo[1]
Fundação21 de julho de 1902 (116 anos)
EstádioLaranjeiras
Capacidade8 000 pessoas
LocalizaçãoRio de Janeiro, Brasil
Mando de jogo emMaracanã
Capacidade (mando)78 838 pessoas
PresidentePedro Abad
Treinadora definir
Material (d)esportivoUnder Armour
CompetiçãoCampeonato Brasileiro - Série A
Campeonato Carioca - Série A
Copa do Brasil
Copa Sul-Americana
Ranking nacionalBaixa 13.º lugar, 10 034 pontos[2]
Websitefluminense.com.br
Cores do TimeCores do TimeCores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
titular
Cores do TimeCores do TimeCores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
alternativo
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Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
alternativo
Temporada atual
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Fluminense Football Club é uma agremiação poliesportiva e cultural sediada no bairro de Laranjeiras, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, fundada em 21 de julho de 1902. É uma sociedade civil de caráter desportivo que tem como principal atividade o futebol.

História

Um dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, primeiro entre os doze maiores do Brasil a entrar em campo e a ostentar a palavra futebol no nome, clube que mais disputou campeonatos estaduais no Brasil, tendo sido a sua primeira participação em 1906 e a de 2018 a sua 114ª,[3] o Fluminense abrigou os grandes jogos do futebol carioca e da Seleção Brasileira em seus primórdios.[4][5][6][7] Com os grandes títulos conquistados e a História construída desde então, consolidou-se entre os 12 maiores clubes de futebol de um país com dimensão continental, onde 489 clubes já disputaram alguma divisão do Campeonato Brasileiro, 157 já tendo disputado a primeira divisão, com 17 deles tendo sido campeões, apenas 8 com pelo menos quatro títulos, sendo 7 na Era dos Pontos Corridos, entre eles, o Fluminense.[8][9][10][11][12]

O Fluminense, através de projeto lançado em 2015, adquiriu um clube de futebol da Eslováquia, o ŠTK Šamorín, para passar a ser representado também na Europa,[13] alterando o nome do clube eslovaco para FC ŠTK Fluminense Šamorín em 2017 e passando a usar uniformes inspirados nos do Fluminense.[14] O time usa a estrutura do Xbionic Sphere, apontado como um dos melhores centros de treinamento da Europa e utilizado por grandes clubes do continente, tendo uma área de cerca de 1 milhão de metros quadrados.[15]

Primeiros passos

Diferentemente de outras associações esportivas da época, o Fluminense não se agrupou em torno da aristocracia agrária ou da burocracia imperial, como também não era um clube exclusivo de imigrantes europeus. Embora o seu principal fundador, Oscar Cox, tenha sido um cidadão anglo-brasileiro, o Fluminense desde o princípio agrupou industriais, literatos, historiadores e profissionais liberais. Era o representante de uma parcela da sociedade que surgia então, não baseada na posse da terra, mas empreendedora e que se apoiava no intelecto e no desenvolvimento cultural e social, e a partir da fundação do clube também esportivo, como padrão de atuação e representação na sociedade.[16]

A primeira vitória esportiva veio antes da primeira partida de futebol, quando no dia 15 de agosto de 1902, o Fluminense disputou uma competição de atletismo em homenagem à coroação do Rei Eduardo VII do Reino Unido, promovida pelo Rio Cricket, clube da colônia britânica da cidade de Niterói, vencendo a prova de 100 jardas por meio de seu atleta Víctor Etchegaray.[17]

O primeiro jogo foi disputado em 19 de outubro de 1902, contra o Rio Football Club, no campo do Payssandu, em Laranjeiras, com vitória do Fluminense por 8 a 0. Em 6 de setembro de 1903 aconteceu a estreia em jogos interestaduais, com três jogos no campo do Velódromo, em São Paulo, tendo como resultado um empate na primeira partida e posteriormente duas vitórias, nos dias 7 e 8. O empate, no dia da chegada à capital paulista, foi por 0 a 0 contra o Internacional local, seguido de vitórias sobre o Paulistano e São Paulo Athletic.[18]

Em 15 de julho de 1904, após leitura de carta de Oscar Cox e Mário Rocha, enviada da Inglaterra, na Assembleia Geral Extraordinária, o Fluminense trocou a camisa anterior, de cor cinza e branco, pela tricolor, devido à impossibilidade de conseguir tecido na cor cinza, porque ele existia em pouca quantidade no mercado. Então foram sugeridas as cores encarnado, branco e verde, a indicação foi posta em votação e aceita de imediato.[6][19]

A equipe que conquistou o primeiro Campeonato Carioca, em 1906.

Apesar dos inúmeros serviços prestados ao esporte e à cultura, foram as grandes conquistas nos gramados que alçaram o Fluminense à lista de um dos clubes mais populares do Brasil. Quando o futebol ainda engatinhava no país, o clube consolidou sua condição de elite esportiva com o tetracampeonato em 1906-1909, alcançando o tri em 1917-1919, época na qual brilharam os seus atacantes, o inglês Henry Welfare, autor de 48 gols em 40 jogos na campanha do tricampeonato[20][21] e Oswaldo Gomes, jogador recordista em conquistas do Campeonato Carioca com oito títulos (1906,1907,1908,1909,1911,1917,1918 e 1919) e autor do primeiro gol da Seleção Brasileira,[22] que marcou ainda o momento no qual o futebol do eixo Rio-São Paulo começou a atrair públicos relevantes.[23][24]

Tendo campo de jogo desde 1904, com arquibancadas de madeira para acomodar o público, em 1919 construiu no mesmo lugar o Estádio de Laranjeiras, estrutura de cimento, que foi inaugurado com a realização do Campeonato Sul Americano de Seleções daquele ano.[25][26] Em 1922, ampliou o seu estádio para receber 25.000 pessoas e as suas demais instalações esportivas a fim de sediar os Jogos Olímpicos Latino-Americanos e Campeonato Sul-Americano, grandes eventos comemorativos do Centenário da Independência do Brasil, tendo recebido pedido do Governo Federal para patrocinar e organizar os eventos, com a promessa de que seriam divididas as despesas, sem que recebesse o prometido posteriormente.[27][28][29][30][31][32][33]

O Fluminense se desprendeu da condição de ser um clube apenas da elite a partir da primeira metade da década de 1920, quando o futebol brasileiro finalmente penetrou na cultura das camadas mais populares, período no qual brilhou o seu multiatleta Preguinho, que em 1930 seria autor do primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo,[34] tendo conquistado a sua primeira taça internacional em 1928, a Taça Vulcain, disputada contra o Sporting Clube de Portugal, e se tornado o principal baluarte pela profissionalização do futebol brasileiro em 1933, deixando de restringir o futebol aos associados ou aos falsos amadores de alguns clubes, que praticavam o chamado "profissionalismo marrom".[35][36][37]

Em seus primeiros cinquenta anos, o Fluminense conquistou 16 campeonatos cariocas, sendo o período de maior glória, entre 1935 e 1941, quando conquistou 5 títulos cariocas, o Torneio Aberto de 1935, o Torneio Municipal de 1938, o Torneio Extra de 1941, e os torneios início de 1940 e 1941, um total de 10 títulos oficiais em 7 anos, estando na liderança do Torneio Rio-São Paulo de 1940, quando da ocasião de sua paralisação. No Campeonato Carioca de 1941 o Fluminense fez 106 gols em 28 jogos, média de 3,78 por partida, e no Campeonato Carioca de 1946 faria 97 gols em 24 partidas, média de 4,04.[38][39][40][41][42] O ataque na campanha de 1941 era composto por Pedro Amorim, Romeu Pellicciari, Rongo, Tim e Carreiro, tendo o argentino Rongo terminado como principal artilheiro do time ao marcar 26 gols.[43] Na campanha do Campeonato Carioca de 1946, Rodrigues, 28 gols, e Ademir de Menezes, 25, foram os destaques ofensivos.[44]

Em 1949, o Fluminense foi agraciado pelo Comitê Olímpico Internacional com a Taça Olímpica, por sua destacada contribuição aos esportes olímpicos.[45][46][47]

Principais feitos

Taças da Copa Rio de 1952 e de 3 dos 4 Campeonatos Brasileiros (1970-1984-2010) na antiga Sala de Troféus, quando em reforma.

Por ter sido o clube que mais conquistou títulos estaduais no Rio de Janeiro no século XX, o Fluminense ostenta o título honorífico de Campeão Carioca do Século XX.[48][49] Em 2005 o Tricolor se tornou o primeiro clube do eixo Rio-São Paulo a conquistar 30 títulos estaduais, sem levar em consideração o título carioca extra de 1941.[50]

O então Presidente, Lula, junto da delegação que havia acabado de ser campeã da Copa do Brasil em 2007.

Entre as suas maiores glórias no futebol, destacam-se a Copa Rio de 1952, os Torneios Rio-São Paulo de 1957 e de 1960, as 4 conquistas do Campeonato Brasileiro em 1970, 1984, 2010 e 2012,[51] a Copa do Brasil de 2007 e a Primeira Liga de 2016.[52]

Em 1952, quando a população ainda lamentava a perda da Copa do Mundo de 1950, o Fluminense elevou a autoestima do povo carioca,[53][54][55] conquistando no Maracanã, de forma invicta, a Copa Rio de 1952, embrião da atual Copa do Mundo de Clubes da FIFA.[56] Com Castilho, Píndaro, Pinheiro, Bigode, Didi, Telê e Orlando Pingo de Ouro, entre outros, tendo o exponencial Zezé Moreira no comando, o Tricolor passou por Sporting, Grasshopper, Peñarol, Austria Wien e, ao vencer o Corinthians, conquistou essa importante taça para o Brasil.[57]

Em 1957 conquistaria o Torneio Rio São Paulo, embrião do Campeonato Brasileiro, invicto, e em 1960 chegaria ao segundo título, com apenas uma derrota, quando estes eram os campeonatos mais competitivos do Brasil.[58][59][60][61] Além da inacabada edição de 1940, chegaria a última rodada precisando apenas de uma vitória para ser campeão, em 1952 e 1954, sem ter conseguido o seu intento nestas ocasiões, alcançando o pioneirismo carioca em 1957.[62][63]

Os seus times mais vitoriosos na segunda metade do Século XX foram o de 1969-1971, campeão brasileiro de 1970, campeão carioca e da Taça Guanabara, então competição independente, de 1969 e 1971,[64] e o de 1983-1985, campeão brasileiro de 1984 e tricampeão carioca, tendo em vista apenas os principais títulos oficiais. Os dois times ficaram marcados pelo equilíbrio de suas linhas e pelo jogo coletivo de seus jogadores, entre os quais brilharam o meia Samarone e os atacantes Flávio e seu substituto por contusão, Mickey, no time campeão brasileiro de 1970, e o meia paraguaio Romerito e a dupla ofensiva Assis e Washington no campeão brasileiro de 1984.[65][66]

Merecem destaques também, o time de 1957-1960, pois além dos dois títulos do Torneio Rio-São Paulo, conquistou o Campeonato Carioca de 1959, foi vice em 1957 e 1960, tendo sido eliminado da Taça Brasil de 1960 na semifinal tomando um gol em chute de longe aos 44' do segundo tempo,[67] e o de 1951-1954, campeão da Copa Rio de 1952, do Campeonato Carioca de 1951, vice carioca em 1952 e 1953 e do Torneio Rio-São Paulo de 1954. Castilho, Pinheiro e Telê jogaram durante toda a década de 1950, fazendo parte da base do time nos dois momentos mais vitoriosos dessa década, com Waldo, o maior artilheiro da História do Fluminense, brilhando no segundo momento.[68] O período de 1975-1976 ficaria lembrado pela técnica refinada dos jogadores, bicampeões cariocas, duas vezes semifinalista do Campeonato Brasileiro e pelas conquistas de prestigiosos torneios amistosos no exterior, elenco que ostentava nomes como Félix, Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho, Marco Antônio, Paulo César Caju, Gil, Doval e Dirceu, entre outros.[69]

No Século XXI, destaca-se o período entre 2007 e 2012, quando o clube conquistou dois campeonatos brasileiros, uma Copa do Brasil e um Carioca, considerando-se os títulos mais importantes, chegando ainda a duas finais continentais. O meia argentino Conca e o centroavante Fred foram os grandes destaques do time nas conquistas dos campeonatos brasileiros de 2010 e de 2012, respectivamente.[70]

Até o final da temporada de 2017, o time principal contava com um retrospecto histórico de 5.633 jogos, com 2.886 vitórias, 1.308 empates e 1.439 derrotas, tendo feito 11.144 gols e sofrido 6.932.[71] Nesse período, o Fluminense disputou um total de 399 partidas contra clubes, seleções ou combinados estrangeiros, com 211 vitórias, 90 empates, 98 derrotas, 818 gols pró e 513 gols contra,[72] tendo jogado em 51 países diferentes de todos os continentes, exceto a Oceania, e apresentando como maiores destaques em competições da Conmebol, os vice-campeonatos da Copa Libertadores da América em 2008 e da Copa Sul-Americana em 2009.[73] Levantamento da revista Placar em 2017, apontou o Fluminense como o clube brasileiro com o segundo melhor aproveitamento contra times europeus, com 65,7% de aproveitamento nos 143 jogos disputados contra 108 times de 22 países, com 84 vitórias, sendo o quinto clube em número de partidas disputadas e o segundo em média de gols, 2,31 por partida até então.[74][75]

Seleção Brasileira

Foi o seu Estádio de Laranjeiras a primeira sede da seleção nacional, onde ela permaneceu invicta em 18 jogos disputados entre 1914 e 1932, e onde conquistou os seus dois primeiros títulos relevantes, as edições da Campeonato Sul-Americano de Seleções, atual Copa América, de 1919 e 1922,[76] sendo o Fluminense o clube que mais cedeu técnicos e comissões técnicas a Seleção Brasileira, com oito técnicos e 10 comissões cedidas até os dias atuais.[77]

Também no primeiro título internacional relevante conquistado pela Seleção Brasileira no exterior, o Campeonato Pan-Americano de 1952 disputado no Chile, apenas dois anos após a traumática perda da Copa do Mundo de 1950, o Fluminense contribuiu com o seu técnico Zezé Moreira e com os jogadores Castilho, Pinheiro e Didi, titulares nas cinco partidas disputadas pela seleção canarinho, além de Bigode, no mesmo ano em que o Flu conquistaria a Copa Rio, tendo sido ainda representado por seus atletas em quatorze Copas do Mundo, fora os atletas e treinadores formados no Fluminense que serviram a Seleção após terem saído do Tricolor, entre os quais se destacam nomes como Telê Santana e Carlos Alberto Parreira, sem contar João Havelange, torcedor, ex-atleta e presidente de honra do Fluminense, que presidiria ainda a CBD e a FIFA.[78]

O Fluminense é o quinto clube que mais jogadores cedeu à Seleção Brasileira de Futebol em Copas do Mundo, com trinta e uma convocações,[79] tendo tido um total de 92 jogadores apenas considerando-se os que atuaram em jogos oficiais da Seleção Brasileira principal, ou 97, considerando os que atuaram em jogos contra clubes, combinados ou seleções regionais, isso sem mencionar a destacada contribuição tricolor para as seleções olímpicas (23 jogadores cedidos) ou pan-americanas (25 jogadores cedidos), números estes que não incluem outros jogadores que tenham participado de amistosos, torneios preparatórios ou competições seletivas por essas seleções.[80] Três deles foram eleitos por 250 jornalistas de todo o mundo reunidos durante a Copa do Mundo de 1998 para a Seleção de Futebol da América do Sul do Século XX: Carlos Alberto Torres, Didi e Roberto Rivellino.[81][82]

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