Extinção do Cretáceo-Paleogeno

Terreno em erosão em Drumheller, Canadá, onde se observa o nível K-Pg, registro da passagem do Cretáceo para o Paleogeno.

A extinção do Cretáceo-Paleógeno (K-Pg), anteriormente chamada de extinção do Cretáceo-Terciário (K-T), foi uma extinção em massa, ocorrida há mais ou menos 65,5 milhões de anos, que marca o fim do período Cretáceo (K, abreviação tradicional) e o início do Paleógeno (Pg). Este evento teve um enorme impacto na biodiversidade da Terra e vitimou boa parte dos seres vivos da época, incluindo os dinossauros e outros répteis gigantes. O registro estratigráfico mostra que o desaparecimento abrupto das espécies que foram extintas coincide com um nível estratigráfico, denominado nível K-Pg, rico em irídio, um elemento químico pouco abundante na Terra[1] e geralmente associado a corpos extraterrestres[1] ou a fenômenos vulcânicos. Diversas teorias tentam explicar a extinção K-T, sendo que a mais aceita atualmente é a que justifica a catástrofe como sendo resultado da colisão de um asteroide com a Terra.

A partir de 1989, a Comissão Internacional de Estratigrafia deixou de reconhecer o período Terciário. Em seu lugar foram estabelecidos dois períodos, o Paleógeno (constituído pelas épocas Paleoceno, Eoceno e Oligoceno) e o Neógeno (constituído pelas épocas Mioceno e Plioceno). Com isso, muitos passaram a adotar o termo extinção K-Pg (onde Pg representa o período Paleógeno) em substituição ao termo extinção K-T.

Padrões de extinção

Intensidade das extinções marinhas através do tempo. O gráfico azul mostra a percentagem aparente (não o número absoluto) de géneros de animais marinhos que se tornaram extintos durante cada um dos intervalos temporais. Não representa todas as espécies marinhas, apenas aquelas que são facilmente fossilizadas.

Apesar do evento ter sido severo, houve variabilidade significativa na taxa de extinção entre e dentro de clados. Porque as partículas atmosféricas bloquearam a luz do sol, reduzindo a quantidade de energia solar que chega à superfície da Terra, as espécies que dependem da fotossíntese sofreram declínio ou extinguiram-se. Organismos capazes da fotossíntese, incluindo fitoplâncton e plantas terrestres, formavam os alicerces da cadeia alimentar no fim do Cretáceo tal como hoje em dia. Evidências sugerem que animais herbívoros morreram quando as plantas das quais dependiam se tornaram raras; consequentemente, predadores do topo da cadeia tal como o Tiranossauros rex também pereceram.[2]

Cocolitóforos e moluscos, incluindo amonitas, rudistas, caracóis de água doce e mexilhões, e organismos cuja cadeia alimentar incluía estes construtores de carapaças, tornaram-se extintos e sofreram perdas consideráveis. Por exemplo, pensa-se que amonitas foram a fonte principal de comida de mosassauros, um grupo de répteis marinhos gigantes que se extinguiram na transição.[3]

Omnívoros, insectívoros e animais que se alimentam de carniça sobreviveram à extinção em massa, talvez devido ao aumento da disponibilidade das suas fontes de alimento. No fim do Cretáceo, pareciam não haver mamíferos puramente herbívoros ou carnívoros. Os mamíferos e aves que sobreviveram às extinção alimentaram-se de insectos, minhocas e caracóis, que se alimentavam de plantas mortas e matéria animal em decomposição. Cientistas colocam a hipótese que estes organismos sobreviveram ao colapso das cadeias alimentares baseadas nas plantas porque se alimentavam de detritos.[4][5][6]

Em comunidades de riachos, poucos grupos de animais se tornaram extintos; porque estas comunidades dependem menos diretamente em comida de plantas vivas e mais em detritos vindos da terra, protegendo-os da extinção.[7] Padrões similares, mas mais complexos foram também encontrados nos oceanos. A extinção foi mais severa entre animais vivendo na coluna de água, do que entre animais que vivem em cima ou no fundo oceânico. Os animais na coluna de água são quase inteiramente dependentes de produção primária de fitoplancton vivo, enquanto que os animais que vivem no fundo oceânico se alimentam de detritos ou podem mudar para uma alimentação à base de detritos.[5]

Os maiores animais que respiram ar sobreviventes deste evento, crocodilianos e Choristodera, eram semi-aquáticos e tinham acesso a detritos. Crocodilianos modernos podem viver como detritívoro e pode sobreviver durante meses sem comida, e os seus juvenis são pequenos, crescem devagar, e alimentam-se principalmente de invertebrados e organismos mortos ou fragmentos nos seus primeiros anos. Foi feita uma ligação entre estas características e a sobrevivência dos crocodilianos no fim do Cretáceo.[4]

Após o evento K-T, a biodiversidade precisou de uma quantidade substancial de tempo para recuperar, apesar da existência de nichos ecológicos vagos em abundância.[5]

En otros idiomas
Gaeilge: Díobhaí K-T
日本語: K-Pg境界
srpskohrvatski / српскохрватски: K-T izumiranje
Simple English: K/T extinction event