Extinção

Extinção em biologia e ecologia é o total desaparecimento de espécies, subespécies ou grupos de espécies. O momento da extinção é geralmente considerado sendo a morte do último indivíduo da espécie. Em espécies com reprodução sexuada, extinção de uma espécie é geralmente inevitável quando há apenas um indivíduo da espécie restando, ou apenas indivíduos de um mesmo sexo. A extinção não é um evento incomum no tempo geológico - espécies são criadas pela especiação e desaparecem pela extinção.

Apesar da grande diversidade biológica que existe, estima-se que cerca de 99% das espécies existentes na Terra já se tenham tornado extintas. Um dos maiores enigmas dos paleontólogos consiste em descobrir e explicar como se processaram os eventos de extinção no passado e quais foram as suas causas.[1] As causas das extinções sempre podem ser estudadas por meio da evidência fóssil. A partir dos fósseis, obtêm-se informações sobre organismos que viveram em tempos muito distantes dos atuais, nos levando a entender um pouco mais da diversidade da vida no passado.[2]

Evidência fóssil

Apesar de ser um fato aceito atualmente, a defesa da ocorrência de eventos de extinção durante a história da vida na Terra recebeu adesão somente após a aceitação dos estudos de Georges Cuvier. Tal naturalista francês formulou as leis da Anatomia Comparada, possibilitando assim as reconstruções paleontológicas de organismos que somente eram encontrados na forma fóssil e sem correspondentes vivos na atualidade, ou seja, os organismos extintos.[3] A extinção é uma questão de escala geográfica. A extinção local é a extinção de uma população em uma determinada região e não necessariamente de toda a espécie. Isso, em biogeografia, é um fator importante no delineamento da distribuição geográfica das espécies. Eventos de vicariância e de mudanças climáticas, por exemplo, podem levar a extinção local de populações e, assim, configurar os padrões de distribuição das espécies.

Atualmente muitos ambientalistas e governos estão preocupados com a extinção de espécies devido à intervenção humana. As causas da extinção incluem poluição, destruição do habitat, e introdução de novos predadores. Espécies ameaçadas são espécies que estão em perigo de extinção. As espécies extintas na natureza são aquelas que só existem em cativeiro.

Extinções em massa

Há periódicas extinções em massa, onde muitas espécies desaparecem em um período geológico de tempo. Estes são tratados com mais detalhes no artigo de eventos de extinção. O mais recente evento destes, a extinção K-T no fim do período Cretáceo, é famoso por ter eliminado os dinossauros.

São reconhecidos cinco eventos de extinção em massa no tempo geológico, aqueles ocorridos no Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo. As três primeiras são consideradas extinções da Era Paleozóica e as duas últimas como extinções da Era Mesozóica.[2][5]

Muitos biólogos acreditam que nós estejamos atualmente nos estágios iniciais de uma extinção em massa causada pelo homem, a extinção em massa do Holoceno. E.O. Wilson, da Universidade de Harvard, em seu O futuro da vida (ISBN 0679768114), estima que se continuar a atual taxa de destruição humana da biosfera, metade de todas as espécies de seres vivos estará extinta em 100 anos. Uma das maiores provas disso é o fato de dois fungos, espécies consideradas livres da extinção, já estarem ameaçadas.

Não há dúvida de que a atividade humana tem aumentado o número de espécies extintas no mundo todo, entretanto, a extensão exata da extinção antrópica permanece controversa.

Veja-se também A sexta extinção: padrões de vida e o futuro da humanidade, de Richard Leakey (ISBN 0385468091).

Extinções em massa são parte fundamental da hipótese do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould e Niles Eldredge. Veja-se Molduras de tempo: a evolução do equilíbrio pontuado (ISBN 0691024359).

De acordo com um relatório divulgado em março de 2005 pelo secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica, da ONU, a Terra está sofrendo a maior extinção de espécies desde o fim dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás. O relatório concluiu que o objetivo definido no ano de 2002 de conter o ritmo de extinção de espécies até 2010 está cada vez mais distante e aponta ainda que a perda de biodiversidade, em vez de se estabilizar, está se acelerando.

Tanto no ambiente marítimo quanto em ambientes terrestres, um número significativo de ecossistemas estão ameaçados. Entre eles, mormente os recifes de coral e as selvas tropicais. Há uma seção especialmente dedicada ao desmatamento, que já destruiu uma média anual de 60 mil quilômetros quadrados, o que corresponderia a duas Catalunhas, desde o ano 2000. Os ecossistemas fluviais lacustres, por sua vez, encontram-se geralmente em situação ainda mais crítica, já com cerca de 50% das espécies extintas no período 1970-2000.

"Os ecossistemas saudáveis proporcionam os bens e serviços de que os humanos necessitam para o seu bem-estar", aponta o relatório, que sintetiza em 92 páginas os dados científicos mais relevantes sobre a perda de biodiversidade.

As cinco grandes extinções

Houve um grande evento de extinção de invertebrados marinhos no Ordoviciano, mas o registro de vertebrados para esta época é muito pobre para que se saiba se esse evento também os afetou. Cerca de 12% das famílias e 65% das espécies desapareceram.

A seguinte grande extinção, no Devoniano Superior, produziu graves efeitos nos vertebrados marinhos. Trinta e cinco famílias de peixes (76% das famílias existentes) extinguiram-se incluindo todos os ostracodermes remanescentes, a maioria dos placodermes (com a completa extinção deste grupo por volta do final do Devoniano) e muitos dos peixes de nadadeiras lobadas.

Ostracodermes

A maior extinção massiva ocorreu no final do Paleozoico, com oitenta a 96% das espécies sendo extintas, marcando o limite entre o Permiano e o Triássico. Embora esta extinção tenha afetado floras e faunas terrestres, é no ambiente marinho que se verifica suas grandes proporções: muito além da metade das formas marinhas desapareceram.

A primeira das extinções da Era Mesozoica aconteceu no final do Triássico e teve efeitos consideráveis nos vertebrados terrestres e nos invertebrados marinhos. A fauna do Triássico, que era essencialmente uma continuação do final da Era Paleozoica, foi substituída por formas que dominariam a Era Mesozoica, como os dinossauros; dezoito famílias de tetrápodes tornaram-se extintas nessa época. As extinções do Triássico coincidiram com a fragmentação inicial da Pangeia, embora também haja certa evidência, nessa época, de um impacto causado por um asteroide ou meteoro. Extinções menores de tetrápodes aconteceram no Triássico Inferior e no Jurássico Superior e esses dois eventos de extinção terrestre encontram paralelo no ambiente marinho.[5]

Já a extinção ocorrida no final do Cretáceo é a mais conhecida e melhor documentada e foi aquela que levou à extinção a maior parte do grupo dos dinossauros. De uma maneira generalizada, pode-se afirmar que todos os grupos de animais e plantas, marinhos e terrestres, perderam espécies e gêneros. Grupos de sucesso durante o Cretáceo, como os pterossauros, os grandes répteis marinhos (mosassauros, ictiossauros e plesiossauros) e invertebrados como os amonites desapareceram completamente.[1] Aves e mamíferos sofreram extinções menores e os insetos estavam entre os poucos grupos que sobreviveram relativamente intactos ao Cretáceo. Houve também grandes extinções entre plantas e invertebrados marinhos.[5]

Vários fósseis de dinossauros

Extinção do Cretáceo e suas causas

Determinar a causa desta extinção tem sido uma difícil tarefa para os pesquisadores, tendo sido aventadas inúmeras causas. Entre as causas terrestres sugerem-se mudanças no nível do mar, alterações climáticas e intenso vulcanismo. No entanto, não se pode ignorar que esta extinção tenha sido provocada por eventos extraterrestres, como o impacto de meteoros. Indicativos sedimentares, geoquímicos e outros sinais estratigráficos mostram a presença de um elemento químico chamado irídio em grande quantidade nas rochas desta idade.

O irídio é uma substância presente nos meteoros, o que leva a supor que ele possa ter sido incorporado às rochas após o choque com a Terra. Para reforçar esta hipótese, crateras foram identificadas, evidenciando um grande impacto em junho ou julho, há 65 milhões, quando diversos grupos de animais se extinguiram. Caso esta hipótese seja possível, o impacto deveria ter provocado um cataclismo ambiental em todo o mundo, expelindo enormes quantidades de rocha e poeira nos céus, provocando gigantescos tsunamis e incêndios globais. Isso teria feito com que a Terra passasse por um longo período de escuridão global, causada pela nuvem de finas partículas geradas pelo impacto.[6] Este longo período teria sido suficiente para cessar a atividade fotossintética, provocando o colapso das cadeias alimentares marinhas e terrestres. Acompanhando a escuridão, as temperaturas caíram drasticamente, sobretudo no interior dos continentes.[1]

Os cientistas têm certeza de que um grande asteroide atingiu o planeta e provocou a morte dos répteis gigantes, mas desconhecem sua origem exata. Em 2007, um estudo realizado com telescópios terrestres, feito pelo Instituo de Pesquisa de Southwest, no Colorado, apontou como suspeito pela extinção dos dinossauros um corpo celeste do tipo Baptistina, situado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Isso explicaria um dos fatos mais impressionantes da história da vida na Terra - a queda de um meteorito de 10 km de diâmetro na península do Yucatán (sudeste do México), 65 milhões de anos atrás.[6] No entanto, observações realizadas com instrumentos infravermelhos da sonda WISE afastaram essa possibilidade. Durante mais de um ano uma equipe da Nasa estudou 120 mil asteroides, entre eles 1.056 da família Baptistina, e constatou que a quebra do asteroide cujo pedaço atingiu a Terra aconteceu há 80 milhões de anos, metade do tempo sugerido anteriormente.[7] Similarmente, a erupção do Krakatoa, em 1883, lançou na atmosfera uma quantidade de matéria estimada em 18 km³ e ela demorou 2,5 anos para depositar-se novamente. Estima-se que o asteroide que atingiu a Terra no fim do Cretáceo tinha de 12 a 15 km de diâmetro. Um tal asteroide teria produzido uma explosão cerca de 1000 vezes maior do que a da erupção do Krakatoa. A perda da luz solar, por si, seria suficiente para causar as extinções, mas o impacto poderia ter tido outros efeitos destrutivos, em diferentes prazos, como aquecimento global, chuva ácida, vulcanismos extremos; teriam sido determinantes para romperem a cadeia alimentar, com a morte de vegetais, animais herbívoros e, posteriormente, as formas carnívoras, sobretudo aquelas de grande tamanho. Mas nem todos se extinguiram: répteis, como crocodilos e tartarugas, e anfíbios, como sapos e salamandras, sobreviveram.

Além disso, os pequenos mamíferos e as primeiras aves puderam se irradiar, sem grandes competidores. Esse modelo proposto, sobre a colisão do asteroide na superfície terrestre e consequente extinção em massa que ocorreu na transição entre o Cretáceo e o Terciário foi considerado em detalhe por Luis Walter Alvarez e por outros autores. A extinção em massa do Cretáceo-Terciário é apenas uma das várias extinções em massa e o impacto de asteroides é só um dos vários fatores que, hipoteticamente, causam extinções em massa. Existem grandes crateras no Jurássico que não estão associadas a extinções em massa. Portanto, o impacto de asteroides não parece ser necessário ou suficiente para explicar extinções em massa.[2]

Vulcanismos e a morte dos dinossauros

Evidências de outros fatores hipoteticamente causadores de extinções em massa compreendem mudanças no nível do mar e no clima, níveis de erupções vulcânicas e mudanças nas formas dos continentes por causa dos movimentos tectônicos das placas. Vários períodos com taxas elevadas de extinção estão associados com mudanças no nível do mar. Diminuições do nível reduzem o habitat disponível para a vida marinha, levando a extinção das espécies. As mudanças no nível do mar também estarão correlacionadas com mudanças no clima. Muitos pensam que a influência combinada do clima e o nível do mar contribuiu para algumas extinções em massa. Entretanto, também ocorrem mudanças no nível do mar em épocas em que não há extinções em massa e é improvável que esse fator seja uma causa geral de todas as extinções em massa. Erupções vulcânicas em grande escala também podem causar extinções em massa. Três extinções, inclusive as duas maiores, estão associadas a grandes áreas de rochas depositadas após erupções vulcânicas.

Os vários fatores não são mutuamente exclusivos. O impacto de um grande asteroide, como descrito acima, poderia desencadear a atividade vulcânica ou uma mudança climática, que por sua vez, poderia afetar o nível do mar. O padrão da tectônica de placas também influencia o nível do mar e o clima e a atividade tectônica influencia o vulcanismo.[2][4]

Movimento tectônico das placas
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