Engenharia industrial

A Engenharia industrial ocupa-se do projeto, melhoria e instalação de sistemas integrados de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia. Baseia-se em conhecimentos e técnicas especializadas das ciências matemáticas, físicas e sociais, juntamente com os princípios e métodos de análise e projeto de engenharia, para especificar, predizer e avaliar os resultados a serem obtidos por esses sistemas.[1]

A Engenharia industrial é também definida, de uma forma mais abreviada, como sendo a especialidade de engenharia que se ocupa da criação e gestão de sistemas que integram pessoas, materiais e energia de uma forma produtiva[2] ou, simplesmente, que se ocupa da produção eficiente, com o projecto dos métodos e não dos equipamentos.[3] Mais recentemente, a engenharia industrial foi definida como o planeamento, projecto, implementação e melhoria de sistemas consistindo numa rede de processos através dos quais fluem objectos que sofrem transformações. Estas actividades são levadas a cabo para o benefício a longo prazo da empresa ou organização.[4]

À medida que as empresa de serviços usam, cada vez mais, a tecnologia como parte de uma estratégia competitiva, contratam, cada vez mais, pessoal com uma orientação técnica. As empresa de serviços aperceberam-se que a utilização inteligente da tecnologia pode ajudá-las a reduzir custos de operação. A mesma ideia aplica-se à informação; é uma arma competitiva. A engenharia industrial é a especialidade que utiliza a tecnologia para dar um enquadramento a melhores decisões de gestão.[5]

História

Ver artigo principal: História da Engenharia Industrial (História da Engenharia)

Portugal

O regulamento da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, elaborados em 1869, tal como os Estatutos, determinava que a associação se dividia em classes. Pertenceriam à classe das indústrias os sócios que mais particularmente se ocupassem dos assuntos relativos às indústrias agrícola e fabril, às artes químicas, à engenharia mecânica e industrial. Em 1898, a classe da engenharia industrial, máquinas e electricidade, formada na sequência de modificações estatutárias, apresenta ao presidente da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, um documento em que se faz o ponto da situação das relações existentes entre a classe e a indústria nacional, focando três aspectos fundamentais:

  • as exigências de formação de pessoal técnico superior capaz de responder às necessidades de uma indústria cada vez mais dependente de um saber teórico-prático especializado;
  • as potencialidades do sector industrial na perspectiva de mercado de trabalho aberto aos novos formados em engenharia;
  • as reformas necessárias, em termos da estrutura de ensino, para adequar os conteúdos didáticos dos diversos cursos às expectativas do meio industrial.

Subjacentes a toda a exposição estão dois elementos cruciais: a formação de engenheiros industriais e a definição de um espaço de trabalho para esta área. O carácter inovador da área da engenharia industrial, no nosso país, é acentuado na introdução:

«(...) o ramo da engenharia industrial (...) [é] (...) um campo novo, pouco explorado entre nós e de largos horizontes talvez. Realmente, os acentuados progressos da indústria fabril em Portugal, demonstrados pelas estatísticas, revelados com a evidência dos números nas cifras das importações decrescentes dos produtos manufacturados, crescentes das matérias primas e das exportações (...), põem, também, em evidência, que se vai abrindo uma via nova para a actividade e ciência dos nossos engenheiros, que poderão adoptar o ramo industrial, ligando os seus nomes ao desenvolvimento do trabalho fabril e contribuindo directamente para a riqueza do país.»

O corpo de engenharia industrial é criado em 1916, pelo Decreto n.º 2354, de 21 de Abril, reconhecendo, no plano institucional, o papel da engenharia na indústria. A Associação dos Engenheiros Civis Portugueses extinguiu-se, em 1937, para dar lugar à Ordem dos Engenheiros que, ainda hoje, não reconhece a especialidade de engenharia industrial, tendo os licenciados desses cursos de se inscrever noutras especialidades.[6]

O Serviço de Produtividade, do antigo Instituto Nacional de Investigação Industrial (INII), foi, também, precursor da engenharia industrial em Portugal. A esse serviço, às muitas publicações que editou, e trabalhos que foram realizados, estão associados nomes conhecidos como Pereira Júnior, Corrêa Gago, Torres Campos, Pereira Magro, e Cardoso dos Santos, entre muitos outros. O INII foi extinto, na sequência da sua integração no, então, Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (LNETI), depois Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), cuja extinção foi anunciada em Junho de 2006.[7] O Serviço de Produtividade do INII não teve continuidade no LNETI, e as pessoas, entretanto, dispersaram-se por outras instituições e carreiras. Perdeu-se um órgão de âmbito nacional, polarizador da problemática da engenharia industrial, e perdeu-se, também, praticamente, o resultado do muito trabalho pioneiro, desenvolvido por aqueles que integravam aquele serviço. E perdeu-se, sobretudo, continuidade.[8]

Os primeiros licenciados pelas universidades portuguesas concluíram os seus cursos (em engenharia de produção) na Universidade do Minho em 1980. Seguiram-se os licenciados (em engenharia de produção industrial) pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a partir de 1982 A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa foi a primeira a oferecer o mestrado em engenharia industrial, sob proposta de Virgílio A. P. Machado.[9] Esse grau foi conferido, pela primeira vez em Portugal, no ano lectivo de 1995/1996.

Em 1995 foi constituído o Instituto Português de Engenharia Industrial - IPEI, uma associação sem fins lucrativos, com a finalidade de promover o bem estar da comunidade através dos recursos e capacidades criativas da engenharia industrial e promover a arte e ciência da engenharia industrial para o benefício da comunidade em geral. No âmbito das actividades do IPEI, em 1998, foram criados o Portugal Chapter e o Universidade Nova de Lisboa Chapter. Virgílio A. P. Machado e mais oito colegas foram os fundadores do IPEI. Liderou também os oito organizadores do Portugal Chapter e foi o primeiro Faculty Advisor do Universidade Nova de Lisboa Chapter do Institute of Industrial Engineers (IIE).

Sob a presidência de Virgílio A. P. Machado, o Portugal Chapter foi galardoado com um Bronze Award (1999) e dois Silver Awards (2000 e 2001) pelo IIE. Em 2002, Paulo J. M . Ferreira recebeu do IIE um Gold Award, como presidente do Portugal Chapter, assim como um Bronze Award, em 2003.

Brasil

Ver artigo principal: Engenharia de produção

No Brasil, a engenharia industrial desenvolveu-se com o nome de engenharia de produção, a partir de 1950. Em 1967, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), surgiu o primeiro curso de pós-graduação (mestrado). Em 1972 foram criados os cursos de doutorado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) e no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia, anteriormente designado por Coordenação dos Programas de Pós Graduação em Engenharia e mais conhecido pela sua antiga sigla, COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o que ajudou a dinamizar a especialidade e as áreas de atuação do engenheiro industrial.

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