Encyclopædia Britannica

Encyclopædia Britannica
Autor(es)4411 colaboradores registrados
Corpo Editorial
IdiomaInglês
País Reino Unido (1768–1901)
 Estados Unidos (1901–presente)
AssuntoEnciclopédia
Linha temporal1768–presente
EditoraEncyclopædia Britannica, Inc.
Lançamento1798
ISBNISBN 1-59339-292-3

A Encyclopædia Britannica é uma enciclopédia generalista de língua inglesa publicada pela Encyclopædia Britannica, Inc., uma editora privada. Os verbetes na Britannica têm como público alvo diretamente os leitores adultos cultos; a enciclopédia é escrita por 19 editores em tempo integral e conta com a colaboração de mais de quatro mil peritos. É amplamente considerada como a mais acadêmica das enciclopédias.[1][2]

A Britannica inicialmente foi publicada entre 1768 e 1771, em Edimburgo, Reino Unido, e depressa aumentou em popularidade e tamanho, com a sua terceira edição, em 1801, alcançando os vinte volumes.[3][4] O aumento de tamanho implicou a contratação de colaboradores, e as suas 9.ª (18751889) e 11.ª edições (1911) são consideradas como marcos no que toca a enciclopédias acadêmicas e de estilo literário.[3] Começando com a 11.ª edição, a Britannica foi gradualmente diminuindo e simplificando os seus artigos a fim de os tornar mais acessíveis, e alargar a sua expansão ao mercado nos Estados Unidos.[3] Em 1933, a Britannica tornou-se a primeira enciclopédia a adotar a política "em contínua revisão", que resulta em que a enciclopédia seja continuamente reimpressa e cada verbete seja atualizado regularmente.[4]

A edição atual (a 15.ª) tem uma única estrutura dividida em três partes: a Micropædia, de 12 volumes, contém verbetes menores (geralmente tendo menos de 750 palavras), a Macropædia, de 17 volumes, com longos artigos (tendo de duas a 310 páginas cada) e a Propædia, num só volume, que pretende fornecer um esboço do conhecimento humano, de modo hierárquico. A Micropædia é destinada a pesquisa rápida e a servir como guia para a Macropædia; os leitores são aconselhados a estudar o esboço da Propædia a fim de entender o contexto do assunto e para encontrar outros artigos, mais detalhados.[5] O tamanho da Britannica tem-se mantido muito constante ao longo dos últimos 70 anos, com cerca de 40 milhões de palavras e meio milhão de tópicos.[6] Embora a sua publicação tenha sede nos Estados Unidos desde 1901, a Britannica manteve a ortografia inglesa tradicional.[1][7]

Ao longo da História, a Britannica tem tido dificuldade em permanecer rentável — um problema enfrentado por muitas enciclopédias.[8] Alguns verbetes, em determinadas edições anteriores da Britannica, foram acusados de imprecisão, viés ou falta de qualificação dos colaboradores.[3][9] A precisão de partes da edição mais recente (de 2005) tem sido igualmente questionada,[1][10] embora tais críticas tenham sido contestadas pela gestão da Britannica.[11] Apesar disso, a Britannica mantém a sua reputação como fonte de pesquisa confiável. Em 3 de março de 2012, foi anunciado que a Encyclopædia Britannica, agora com sede em Chicago, não iria publicar mais versões impressas em papel focando-se apenas na sua versão online.[12][13]

História

Descrição geral

A propriedade da Britannica mudou muitas vezes ao longo do tempo, tendo passado por vários donos como: a editora escocesa A & C Black, Horace Everett Hooper, Sears Roebuck e William Benton.[7] O presente dono da Encyclopædia Britannica, Inc. é Jacqui Safra, de nacionalidade suíça, milionário e ator.[7] Os recentes avanços das tecnologias da informação e o aumento das enciclopédias eletrônicas tais como a Encarta e a Wikipédia reduziram a procura de enciclopédias impressas.[14] A fim de permanecer competitiva, a Encyclopædia Britannica, Inc. tem enfatizado a boa reputação da Britannica, reduzindo seu preço e os custos de produção e desenvolvido versões eletrônicas em CD-ROM, DVD e World Wide Web. Desde os primeiros anos da década de 1930, a editora promoveu também trabalhos de referência spin-off.[4]

Edições

Frontispício da primeira edição da Encyclopædia Britannica.

A Britannica foi impressa em 15 edições oficiais, com suplementos multi-volumes da 3.ª a 5.ª edições (ver a Tabela abaixo). Estritamente falando, a décima edição foi apenas um suplemento da 9.ª, assim como as edições 12.ª e 13.ª foram suplementos da 13.ª edição. A 15.ª edição sofreu uma mudança drástica, em termos de organização, em 1985, mas a atualização, versão corrente, continuou conhecida como 15.ª edição.

Ao longo de sua história, a Britannica foi desenvolvida com dois objetivos: ser um excelente livro de referências e providenciar material educacional para quem tenha desejo de estudar.[8] Em 1974, a 15.ª edição adotou um terceiro alvo: sistematizar todo o conhecimento humano.[5]

A história da Britannica pode ser dividida em cinco fases principais em que se destacam mudanças maiores, tanto na gestão quanto na reorganização do seu conteúdo. Na primeira fase (edições 1 a 6, 1768–1826), a Britannica foi gerida por seus fundadores originais, Colin Macfarquhar e Andrew Bell,[15] e por seus amigos e conhecidos, tais como Thomas Bonar, George Gleig e Archibald Constable. A Britannica foi primeiramente publicada entre 1768 e 1771 em Edimburgo como Encyclopædia Britannica, ou, Um dicionário de arte e ciência, compilado sob um novo plano. Foi concebida como uma reacção conservadora à provocativa Encyclopédie francesa de Denis Diderot (publicada entre 1751 e 1766), que por sua vez havia sido inspirada pela anterior Chambers Cyclopaedia. A Britannica foi, primeiramente, uma empresa escocesa e tinha como símbolo o cardo, o emblema nacional da Escócia. A criação da enciclopédia é um dos mais famosos e perseverantes legados do Iluminismo Escocês.[16] Nesta fase, a Britannica deixou de ser um conjunto de três volumes (1.ª edição)[15] compilados por um jovem editor — William Smellie[17] para se tornar uma obra de vinte volumes escrita por numerosas autoridades. Embora várias outras enciclopédias tenham competido com a Britannica, como a Rees's Cyclopaedia e a Encyclopaedia Metropolitana, de Samuel Taylor Coleridge, estes rivais ou faliram ou ficaram inacabados por desentendimentos entre os editores. No fim desta fase, a Britannica tinha constituído uma rede de ilustradores, primeiramente entre os conhecidos de seus editores, sendo os mais relevantes Constable e Gleig.

Edições de meados do século XIX da Encyclopædia Britannica incluíram pesquisas embrionárias, tais como o verbete sobre o Egipto, de Thomas Young, que incluía a tradução dos hieróglifos na gravura da Pedra de Rosetta.

Durante a segunda fase (edições 7 a 9, 1827–1901), a Britannica foi gerida pela editora de Edimburgo, A & C Black. Embora alguns colaboradores fossem recrutados novamente através de relacionamentos, sendo Macvey Napier o mais relevante, outros foram atraídos pela reputação sempre crescente da Britannica. Os colaboradores muitas vezes vinham de outros países e incluíam algumas das autoridades mais respeitadas nas suas áreas. Na sétima edição foi incluído, pela primeira vez, um índice geral de todos os artigos, prática que se manteve até 1974. O primeiro editor-chefe nascido em Inglaterra foi Thomas Spencer Baynes, que supervisionou a produção da famosa 9.ª edição; nomeada "Edição Acadêmica", a 9.ª edição é muitas vezes considerada como sendo a Britannica mais direcionada ao uso acadêmico alguma vez produzida.[1][3] No entanto, no fim do século XIX, a 9.ª edição estava desatualizada e a Britannica enfrentava sérias dificuldades financeiras.

Na terceira fase (10.ª a 14.ª edições, 1901–1973), a Britannica foi gerida por negociantes estadunidenses, que introduziram técnicas de venda agressivas, tais como o marketing direto e venda porta a porta, a fim de aumentar os lucros. Os donos norte-americanos simplificaram, gradualmente, os verbetes da Britannica, fazendo-a menos acadêmica, mas mais inteligível para o mercado das massas. A décima edição foi rapidamente produzida, como suplemento da 9.ª, mas a 11.ª edição ainda é prezada pela sua excelência; o seu dono, Horace Everett Hooper, esforçou-se na busca da sua perfeição.[3] Quando Hooper entrou em dificuldades financeiras, a Britannica passou a ser gerida por Sears Roebuck durante cerca de 18 anos (1920–1923, 1928–1943). Em 1932, a vice-presidente de Sears, Elkan Harrison Powell, assumiu a presidência da Britannica; em 1936, começou a política de revisão contínua (ainda praticada), que faz com que cada verbete seja verificado e possivelmente revisado pelo menos duas vezes em cada década. Esta foi uma grande mudança pois, com a prática anterior, os artigos não eram alterados a não ser aquando de uma nova edição, com cerca de 25 anos de intervalo, com alguns artigos sendo transportados de edições anteriores sem alteração.[4] Powell, agressivamente, desenvolveu novos produtos educacionais, que se baseavam na reputação da Britannica. Em 1943, a posse passou de Sears Roebuck para William Benton, diretor da Britannica até sua morte, em 1973. Benton fundou ainda a Fundação Benton, que geriu a Britannica até 1996. Em 1968, perto do fim desta fase, a Britannica celebrou o seu bicentenário.

Anúncio da 11.ª edição, em maio de 1913, na revista National Geographic.

Na quarta fase (15.ª edição, 1974–1994), a Britannica introduziu a sua 15.ª edição, que foi reorganizada em três partes: a Micropædia, a Macropædia e a Propædia.[18] Sob influência de Mortimer J. Adler (membro do quadro de editores da Encyclopædia Britannica desde o seu ingresso na companhia, em 1949, e seu presidente desde 1974; diretor dos planos para realização da 15.ª edição da Britannica, desde 1965),[19] a Britannica procurou não só ser uma boa obra de referência e uma ferramenta educacional, mas também sistematizar todo o conhecimento humano. A ausência de um índice separado e o agrupamento de artigos em duas enciclopédias paralelas (a Micro- e a Macropædia) provocaram uma "tempestade de críticas" sobre a 15.ª edição, inicialmente.[1][20] Em resposta, a 15.ª edição foi totalmente reorganizada e indexada para novo lançamento em 1985. A segunda versão da 15.ª edição continua a ser revisada e publicada; a versão mais recente foi impressa em 2007. O título oficial da 15.ª edição é Nova Encyclopædia Britannica, e está ainda a ser promovida como Britannica 3.[1]

Na quinta fase (1994–presente), foram desenvolvidas versões digitais da Britannica, lançadas em disco óptico e internet. Em 1996, a Britannica foi comprada à Fundação Benton por Jacqui Safra, bastante abaixo do seu valor, devido às dificuldades financeiras por que a editora passava. A editora Encyclopædia Britannica, Inc. dividiu-se em 1999. Uma parte manteve o nome da companhia e desenvolveu a versão impressa; a outra parte, Britannica.com Inc., desenvolveu as versões digitais. Desde 2001, estas duas companhias partilharam um único CEO, Ilan Yeshua, que continuou a estratégia de expansão da Encyclopædia Britannica, Inc. de Elkan Harrison Powell em lançar novos produtos sob a marca Britannica.[carece de fontes?]

Dedicatórias

A Britannica foi dedicada aos monarcas britânicos de 1788 a 1901 e, após sua venda a uma sociedade estadunidense, ao monarca britânico e ao presidente dos EUA.[1] Assim, a 11.ª edição foi "dedicada, com permissão, a Sua Majestade Jorge V, Rei da Grã-Bretanha e Irlanda e dos Domínios Britânicos de além-mar, Imperador da Índia, e a William Howard Taft, Presidente dos Estados Unidos."[21] A ordem destas duas dedicatórias mudou com os poderes relativos dos EUA e da Grã-Bretanha, e com as vendas relativas da Britannica nesses países; a versão de 1954 da 14.ª edição é "dedicada, com permissão aos Chefes de Estado das Duas Nações Anglófonas, Dwight D. Eisenhower, Presidente dos Estados Unidos, e a sua Majestade, Isabel II."[22] De acordo com esta tradição, a versão de 2007 da corrente 15.ª edição é "dedicada, com permissão, ao ex Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a sua Majestade, Elizabeth II."[23]

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