Crise econômica no Brasil desde 2014

Disambig grey.svg Nota: Para a crise política, veja Crise política no Brasil desde 2014.
Capa da revista Exame de 5 de agosto de 2015. Tem o texto "Prepare-se, a crise vai ser longa" sobre um fundo vermelho.
Capa da revista Exame de 5 de agosto de 2015, alertando sobre a crise.

A atual crise econômica no Brasil teve início em meados de 2014.[1][2] Uma de suas consequências foi a forte recessão econômica, levando a um recuo no produto interno bruto (PIB) por dois anos consecutivos. A economia contraiu-se em cerca de 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. A crise também gerou desemprego, que atingiu seu auge em março de 2017 com uma taxa de 13,7%, o que representava mais de 14 milhões de brasileiros desempregados.

A crise foi acompanhada e intensificada por uma crise política, que resultou em protestos contra o governo por todo o país. Dilma Rousseff, presidente na época, que tinha sido reeleita para seu segundo mandato, foi afastada do cargo definitivamente em agosto de 2016, com a conclusão de um processo de impeachment, assumindo seu vice Michel Temer, que também foi alvo de protestos.

Em 2016, os efeitos da crise econômica foram amplamente sentidos pela população, que precisou adaptar as contas para a realidade financeira. De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no ano, quase metade dos entrevistados (48%) passou a usar mais transporte público e 34% deixaram de ter plano de saúde.[3] O aprofundamento da crise levou 14% das famílias a trocarem a escola dos filhos de particular para pública em junho, com percentual superior aos verificados em 2012 e 2013, antes da crise.[4] Além disso, os consumidores trocaram produtos por similares mais baratos (78%), esperaram liquidações para comprar bens de maior valor (80%) e pouparam mais para o caso de necessidade (78%).[5]

No primeiro trimestre de 2017, o PIB subiu 1%, sendo o primeiro aumento após oito quedas trimestrais consecutivas.[6] O Ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que o país "saiu da maior recessão do século".[7]

Contexto político

Imagem da Dilma em sua cerimônia de posse de seu segundo mandato. Ela aparece na imagem junto com sua filha, com Michel Temer e com Marcela Temer.
Dilma Rousseff em sua posse como presidente no dia 1.º de janeiro de 2015, ao lado de seu vice, Michel Temer.

A crise econômica se manifestou de diversas formas e teve como agravante a crise política.[8] Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores, venceu a eleição presidencial de 2014 derrotando o candidato do PSDB, Aécio Neves. Porém, a vitória foi muito apertada, tendo sido a disputa presidencial mais acirrada da história.[9] A campanha presidencial foi marcada por tumultos e controvérsias, principalmente devido à Operação Lava Jato, que trazia à tona um enorme esquema de corrupção que atingia em cheio a classe política e partidos.[10]

Em 2015, a crise econômica, bem como o avanço da Operação Lava Jato, fez com que, ao longo do ano, milhões de pessoas fossem às ruas protestar contra o governo em todo território nacional.[11] Manifestações em defesa de Dilma também ocorriam.[12] Em dezembro, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou um pedido de impeachment contra Dilma por crime de responsabilidade.[13]

Em 12 de maio de 2016, o Senado Federal afastou Dilma Rousseff da presidência por 180 dias. Imediatamente, seu vice Michel Temer assumiu interinamente o cargo.[14] Em 31 de agosto, o Senado fez o julgamento final que removeu Dilma do cargo em caráter definitivo.[15] Em seus primeiros meses frente à presidência da República, Temer envolveu-se em controvérsias devido a ministros de seu governo que estavam sendo investigados no âmbito da Lava Jato, bem como o próprio presidente.[16] O escândalo veio a público com áudios divulgados do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em delação premiada.[17]

Em 2017, mais escândalos surgiram. Em 17 de maio, os proprietários do frigorífico JBS disseram, em delação, que gravaram o presidente Michel Temer autorizando a compra do silêncio do deputado Eduardo Cunha, quando ele já se encontrava preso pela Lava Jato. Em uma gravação de áudio, um dos donos da empresa teria dito a Temer que estava pagando uma "mesada" a Cunha a fim de que permanecesse calado na prisão.[18] Apesar do governo de Temer ter sobrevivido a esse e a vários outros escândalos, houve um desgaste da imagem política do presidente. Houve vários protestos populares e dúvida se Temer poderia continuar no cargo de presidente.[19] Os escândalos afetaram a tramitação das reformas propostas pelo governo que visavam a recuperação econômica.[20]