Construcionismo (filosofia)

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Construcionismo (em alemão, Konstruktivismus), em sentido mais estreito e original, é uma série de inícios que tentaram vencer a crise de fundamentos mathematicae, causada, no princípio do século XX, por uma fundamentação nova da lógica, informática e matemática. Hoje o termo, contudo, é empregado essencialmente de maneira mais ampla. Ele é empregado àquelas direções teórico-cognitivas e teórico-científicas que acentuam as prestações constituintes do observador no processo de conhecimento ou que, relacionado com isso, tomam por base um conceito de fundamentação construtivo. Em parte muito diferentes, as correntes construcionistas estão de acordo na crítica de concepções realistas, ontológicas, assim como teórico-corresponsais de verdade e saber. O construcionismo substitui a questão epistemológica tradicional sobre o que do conhecimento pela questão sobre o como do processo de conhecimento; assim, cada forma de cognição, percepção, e conhecimento é concebida como construção ativa autônoma de um observador e não como reprodução passiva.[1]

Principais escolas do construcionismo

Escola de Erlangen (Erlanger Schule)

Atualmente, fala-se de construcionismo sobretudo com referência à Escola de Erlangen (Erlanger Schule), assim como ao construcionismo radical. A partir da Escola de Erlangen é considerado um início novo de filosofar metódico e dialógico que, nos anos sessenta, foi desenvolvido por Wilhelm Kamlah e Paul Lorenzen e posteriormente, então, prosseguido, sobretudo por Friedrich Kambartel, Kuno Lorenz e Jürgen Mittelstraß. O interesse principal dos representantes da Escola de Erlangen (que em seus trabalhos, ao lado de temas da teoria da ciência e história da ciência, ocuparam-se com questões da lógica, filosofia do idioma e ética) é dirigido à formulação de uma teoria da fundamentação construtiva.[2]

Partindo de circunstâncias elementares, indiscutíveis do mundo da vida cotidiano, devem, de modo controlado metodicamente, ser reconstruídas formas mais complexas de atuar e falar humanos, especialmente a prática científica, técnica e política, passo a passo, com auxílio da crítica construtiva do idioma, discussão-meio-finalidade, e assim por diante. A concepção construcionista pede uma fundamentação sem lacuna e livre de argumento circular (isso entendido no sentido falacioso, e não no sentido de círculo hermenêutico de Gadamer); assim, em cada passo da justificação se pode somente recorrer a tais meios auxiliares que, ou já antes foram construídos, ou que estão à disposição da prática do mundo da vida. Esse princípio metódico é complementado por um princípio dialógico, em virtude do qual todas as convenções iniciais e passos da argumentação podem ser postos em dúvida por um oponente possível. Uma fundamentação última – como, por exemplo, foi imputado da parte do racionalismo crítico –, contudo, não é aspirada; a filosofia não inicia, segundo a autoconsciência da Escola de Erlangen, nem sem pressuposto nem arbitrariamente.[2]

Construcionismo radical

Um dos mais proeminentes proponentes do construcionismo radical é o alemão Ernst von Glasersfeld, que diz que o conhecimento é o processo cognitivo auto-organizado do cérebro humano. Isto é, o processo de construção do conhecimento regula a si próprio, e, considerando que o conhecimento é uma construção em vez de uma compilação de dados empíricos, é impossível saber em que extensão o conhecimento reflete uma realidade ontológica.

Construcionismo matemático

Teoria desenvolvida pelo matemático holandês Luitzen Egbertus Jan Brouwer. Teoria conhecida também como intuicionismo matemático (por ser da família filosófica do intuicionismo), foi fundada por Brouwer como antagonista ao formalismo matemático de sua época. Suas ideias principais foram expostas em seu livro Beweis des Jordanschen Satzes für N Dimensionen ("Prova do Teorema de Jordan para N dimensões") (1912). Brouwer passou muito tempo em busca da teoria intuicionista dos números reais, os quais chamou de espécies. Esse esforço poderia hoje ser considerado fora de propósito: não há uma única teoria.

Epistemologia genética

Teoria desenvolvida por Jean Piaget. Ver Epistemologia genética.

Construcionismo informático

Teoria desenvolvida por Seymour Papert. Ver Construcionismo.

Construcionismo social

O construcionismo social é uma teoria desenvolvida pelo psicólogo estadunidense Kenneth Gergen. Gergen esteve particularmente interessado em fomentar uma visão relacional, onde a traditional emphasis on the individual mind is replaced by a concern with the relational processes from which rationality and morality emerge (“tradicional ênfase sobre a mente individual é substituída por uma reflexão dos processos relacionais dos quais a racionalidade e a moralidade emergem”). Ele é também conhecido pela sua frase I am linked therefore I am (“estou ligado, logo existo”) como uma resposta à frase de Descartes “penso, logo existo”.

Construcionismo crítico

Teoria desenvolvida por Alípio de Sousa Filho. Ver Construcionismo crítico.

Referências

  1. Metzler-Philosophie-Lexikon: Begriffe un Definitionen/Hrsg. Von Peter Prechtl und Franz-Peter-Burkard. 2. Aufl., Stuttgart; Weimar: Metzler, 1999.
  2. a b Ibidem.