Comércio atlântico de escravos

Maquete do interior de um navio negreiro.

O comércio de escravos no Atlântico ou comércio transatlântico de escravos, também chamado de tráfico negreiro, ocorreu em todo o Oceano Atlântico entre os séculos XVI e XIX. A grande maioria dos escravizados que eram levados para o Novo Mundo, a maior parte pela rota de Comércio Triangular, eram membros de povos da África Ocidental, nas partes central e ocidental do continente, vendidos por outros africanos ocidentais para os comerciantes de escravos da Europa Ocidental ou capturados diretamente pelos europeus.

O número de pessoas trazidas foi tão grande que, antes do final do século XVIII, os africanos que vieram por meio do comércio de escravos tornaram-se os mais numerosos membros do Velho Mundo tanto no Norte quanto no Sul da América.[1] Uma quantidade muito maior de escravos foi levada para a América do Sul em relação ao norte. O sistema econômico do Atlântico Sul era centrado na produção de culturas de commodities e produtos têxteis para vender na Europa. Aumentar o número de escravos africanos trazidos para o Novo Mundo foi crucial para os países da Europa Ocidental que, nos séculos XVII e XVIII disputavam entre si a criação de impérios ultramarinos.[2]

Estima-se que 15% dos africanos morreram no mar, com taxa de mortalidade consideravelmente maior na própria África no processo de captura e transporte de povos indígenas para os navios.[3] O número total de mortes africanas diretamente atribuíveis à viagens do período chamado de "Passagem Média"[4] é estimado em até dois milhões; um olhar mais amplo em africanos mortos diretamente atribuíveis à instituição da escravidão entre 1500 e 1900 sugere até quatro milhões de mortes de africanos.[5] Por duzentos anos, 1440-1640, traficantes de escravos portugueses tiveram um quase monopólio sobre a exportação de escravos da África. Durante o século XVIII, quando o tráfico de escravos transportou cerca de 6 milhões de africanos, os traficantes britânicos carregaram quase 2,5 milhões.[6] O comércio de escravos é às vezes chamado de Maafa por estudiosos afro-americanos, o que significa "grande desastre" em suaíli. Outros, como Marimba Ani e Maulana Karenga, usam os termos Holocausto Africano ou Holocausto da Escravidão para se referir ao período.[7]

O Império Português foi o primeiro a se engajar no comércio de escravos para o Novo Mundo no século XVI e outros logo o seguiram.[8] Os donos dos navios negreiros consideravam os escravos como uma carga que deveria transportada para a América da maneira mais rápida e barata possível,[2] para então serem vendidos para o trabalho escravo em lavouras de café, tabaco, cacau, açúcar e algodão, nas minas de ouro e prata, campos de arroz, de indústria de construção, corte de madeira e como empregados domésticos. Os primeiros africanos importados para as colônias inglesas eram classificados como "servos contratados" e também como "aprendizes para toda a vida". Em meados do século XVII, a escravidão tinha se consolidado como uma casta racial; os escravos negros e seus descendentes eram oficialmente uma propriedade de seus proprietários e as crianças nascidas de mães escravas também eram consideradas escravas. Enquanto uma propriedade, as pessoas eram consideradas um tipo de mercadoria ou unidades de trabalho e eram vendidas em mercados populares, ao lado de outros produtos e serviços. Os principais comerciantes de escravos do Atlântico, ordenados por volume de comércio, foram: os impérios Português, Britânico, Francês, Espanhol e Neerlandês, além dos Estados Unidos (especialmente a região sul). Eles estabeleceram postos avançados na costa africana onde adquiriram escravos de líderes africanos locais.[9] As estimativas atuais são de que aproximadamente 12 milhões de africanos foram enviados através do Atlântico,[10] embora o número de pessoas compradas pelos comerciantes de escravos seja consideravelmente maior.[11][12][13]

Períodos

Diagrama de um navio negreiro britânico (1822).

A escravidão passou a ser justificada por razões morais e religiosas. Ela é baseada na crença da suposta superioridade racial e cultural dos europeus. O tráfico de escravos africanos se dividiu em quatro fases:

  1. Ciclo da Guiné (século 16)
  2. Ciclo de Angola (século 17): traficou congos, ambundos, bacongos, benguelas e ovambos.
  3. Ciclo da Costa da Mina, hoje chamado Ciclo de Benim e Daomé (século 18 - 1815): traficou iorubás, jejes, minas, hauçás, tapas e bornus.
  4. período de tráfico ilegal, reprimido pela Inglaterra (1815-1851)[14]
Distribuição dos escravos africanos (1519–1867)[15]
Destino Porcentagem
América Portuguesa 38,5%
América Britânica (exceto a América do Norte) 18,4%
América Espanhola 17,5%
América Francesa 13,6%
América do Norte Britânica 6,45%
América Inglesa 3,25%
Antilhas Neerlandesas 2,0%
Índias Ocidentais Dinamarquesas 0,3%

O número de africanos que desembarcou em cada área pode ser calculado levando-se em consideração que o total de escravos foi próximo de 10 milhões.[16]

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