Cinema da Alemanha

O cinema produzido na Alemanha é fortemente marcado por uma influência das tendências artísticas e vanguardas plásticas.

Entre 1949 e 1990, a nação alemã esteve dividida em dois estados diferentes: a República Federal Alemã (Alemanha Ocidental) e a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), cada qual produzindo filmes bem distintos em termos de temática, linguagem e estética.

História do cinema alemão

Expressionismo e “Nova Objetividade” (1918-1933)

Logo após o final da Primeira Guerra Mundial, a cinematografia alemã alcançou ligeiro sucesso económico, causado pela desvalorização do Marco alemão, que possibilitou a oferta de filmes no exterior a preços praticamente sem concorrência; e por outro lado, tirou dos produtores estrangeiros a vontade de exportarem para a Alemanha. A indústria alemã de filmes caracterizava-se através de uns poucos consórcios financeiros à base de imenso capital de ações e por numerosas companhias economicamente fracas. O complexo mais forte de produção e distribuição era a UFA, fundada em 1917. O florescimento aparente alcançou seu ponto mais alto em 1920, quando foram produzidos 474 filmes de longa-metragem, número posteriormente jamais alcançado na Alemanha.

A estabilização do Marco terminou no ano seguinte e propiciou a normalização das condições de produção. Os produtores americanos passaram a interessar-se pelo mercado germânico. Contudo, os empresários alemães não se mostravam à altura da concorrência estrangeira. O governo interveio a favor da produção nacional, os filmes estrangeiros não podiam ultrapassar o número de fitas realizadas no país. Aqueles que mais sofreram com a concorrência foram os complexos empresariais, em primeiro lugar a UFA. Em 1926 ela viu-se forçada a fazer um empréstimo de quatro milhões de dólares junto às concorrentes americanos da “Metro Goldwin Mayer” e “Paramount”. Como nem mesmo assim podia ser evitado o desaparecimento da empresa, o consórcio “Hugenberg” passou a interessar-se na solução do problema. E, por conseguinte, a UFA ficou sob controle de Hugenberg. Ela conduziu-a no tempo subsequente não por interesses econômicos, porém por objetivos de publicidade política. E assim a UFA chegava ao “Terceiro Reich” como um dos mais importantes instrumentos de propaganda.

No cinema alemão dos anos 20, como se pôde comprovar mais tarde, épocas de crise ofereceram maiores chances à atividade artística do que períodos de consolidação e segurança. Ascensão e queda da arte cinematográfica correspondem ao desenvolvimento econômico, social e político.

Terceiro Reich (1933-1945)

Leni Riefenstahl filmando em 1936.

A crise econômica mundial de 1929-1930 atingiu o cinema alemão ainda antes do filme sonoro ter atingido, com maior profundidade. Os nacional-socialistas por sua vez, logo depois de terem conseguido o poder, serviram-se dessa situação para sanar o cinema por meio de medidas estatais e colocá-lo, assim, sob o seu controle. As companhias pequenas foram liquidadas umas após as outras; as grandes, postas sob o controle do Estado. Em 1937 a UFA e a Bavaria foram encampadas pelo Estado. Já em 1930 a NSDAP, tinha criado uma seção para assuntos de cinema. Dois meses depois da tomada do poder por Hitler, Goebbels, comunicava ao pessoal do cinema, o interesse ativo do novo governo em tudo que se referia à sétima arte.

Em fevereiro de 1934 uma nova lei relativa ao cinema nacional colocava a censura sob direção autoritária, enrigecia os seus princípios e se estendia a todo o processo de produção desde o “script” até ao filme acabado. Na Alemanha, o governo nazista privou o cinema alemão de todas as suas conquistas anteriores. A idéia de um “revolução nacional” não chegou a inspirar nenhuma obra cinematográfica, como também, sob a ditadura, qualquer formulação crítica, mesmo no domínio meramente publicitário do cinema, era de todo impossível.

Sob o nazismo, o cinema alemão desenvolveu formalmente os modelos da República de Weimar apenas em um setor: nos documentários de Leni Riefenstahl. Sua muita falada amizade com Hitler, e o reconhecimento de seu talento por parte do Führer, valeram então a Leni Riefenstahl o encargo de vários documentários oficiais. “Sieg des Glaubens” (A vitória da fé, 1933), curta-metragem sobre o congresso do partido de 1933 se constituiu em estudo preliminar para “Triumph des Willens” (O Triunfo da Vontade, 1935), o longa sobre o congresso do partido de 1934.

O término da guerra libertou o cinema alemão da ditadura da arte do “Terceiro Reich”, porém não do conformismo e da esterilidade de seus autores e diretores. Na medida em que se voltavam para temas atuais, o que aliás acontecia raramente, permaneciam contudo presos à apologia sentimental da mesma passividade política que lhe havia dado projeção.

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