Campeonato Brasileiro de Futebol

Campeonato Brasileiro de Futebol
Brasileirão
Campeonato Brasileiro Série A logo.png
Logotipo oficial da competição.
Dados gerais
OrganizaçãoCBF
Edições62 (10 em mata-mata, 36 em sistema misto e 16 na modalidade de pontos corridos)
Outros nomesBrasileirão
Local de disputaBrasil
Número de equipes20
SistemaPontos corridos
Divisões
Série ASérie BSérie CSérie D
Soccerball current event.svg Edição atual
editar
Nomes Oficiais do Campeonato Brasileiro
Taça Brasil1959–1968
Torneio Roberto Gomes Pedrosa1967
Taça de Prata*1968–1970
*De 1968 a 1970, o nome oficial era Taça de Prata, mas ficou conhecido pelo seu nome antecessor, Robertão.
Campeonato Nacional de Clubes1971–1974
Copa Brasil1975–1979
Taça de Ouro1980–1983
Copa Brasil1984
Taça de Ouro1985
Copa Brasil1986
Copa União*1987–1988
*Em 1987 e 1988, o nome oficial era Copa Brasil, mas ficou conhecido como Copa União.
Campeonato Brasileiro Série A1989–1999
Copa João Havelange2000
Campeonato Brasileiro Série A2001–2018
Brasileirão2018–presente

O Campeonato Brasileiro de Futebol, também conhecido como Campeonato Brasileiro, Brasileirão e Série A, é a liga brasileira de futebol profissional entre clubes do Brasil, sendo a principal competição futebolística no país. É por meio dela que são indicados os representantes brasileiros para a Copa Libertadores da América (juntamente com o campeão da Copa do Brasil).

Devido às peculiaridades históricas e a grande dimensão geográfica do país, o Brasil tem uma história relativamente curta de competições nacionais de futebol. Apenas em 1959, como estabelecido em 1955,[1][2] foi criado um torneio nacional com a finalidade de apontar o clube campeão brasileiro da temporada, a Taça Brasil.[2] Em 1967, o Torneio Rio-São Paulo foi expandido para incluir equipes de outros estados, ficando conhecido como Torneio Roberto Gomes Pedrosa, e passando a ser considerado uma competição nacional. Em 1971, a CBD iniciou um novo torneio nacional, o Campeonato Nacional de Clubes, torneio este, que foi considerado, entre 1974 e 2010, pela entidade máxima do futebol brasileiro como sendo a primeira edição do Campeonato Brasileiro. Em seus boletins oficiais entre 1971 e 1973, a CBF colocava as edições do "Robertão" em igualdade de condições com as edições posteriores do Campeonato Brasileiro, apenas mantendo os nomes próprios, excluindo esta informação a partir do boletim de 1974.[3][4] Em dezembro de 2010, a CBF unificou a Taça Brasil, disputada de 1959 a 1968, e as edições de 1967 a 1970 do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata ao Campeonato Brasileiro pós 1971.[5] O primeiro campeão brasileiro foi o Bahia em 1959.[6]

Uma das características históricas do Campeonato Brasileiro foi a falta de uma padronização no sistema de disputa, que mudava a cada ano, assim como as regras e o número de participantes. Dentre os vários formatos já adotados incluem-se sistema eliminatório (1959-1968) e sistemas mistos de grupos (1967-2002). A fórmula de disputa do campeonato foi padronizada somente em 2003, quando foi adotado o sistema de pontos corridos com todas as equipes se enfrentando em turno e returno.[7] O Palmeiras é o time com maior número de títulos brasileiros, com nove conquistas;[8] desde a criação do certame, em 1959, dezessete clubes já foram campeões brasileiros, doze por mais de uma vez, de sete estados e nove cidades diferentes, sendo que apenas o estado de São Paulo teve campeão por mais de uma cidade, três no total (Campinas, Santos e São Paulo), e apenas a cidade do Rio de Janeiro teve mais de três clubes campeões, quatro deles (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama). Características estas que demonstra o nível de competitividade do campeonato.[9][10]

O Campeonato Brasileiro é uma das ligas mais fortes do mundo, contando entre seus integrantes habituais com a participação do maior número de clubes detentores de títulos de "campeões mundiais", com onze campeonatos ganhos por 7 clubes,[11] o segundo em termos de quantidade de títulos da Copa Libertadores da América, com dezoito títulos conquistados por 10 clubes e ainda outros 3 finalistas, atrás em títulos apenas da Primera División Argentina, com 24 títulos conquistados por 8 clubes e um nono clube finalista. A liga é também classificada como a sexta mais valiosa com um patrimônio de mais de US$ 1,43 bilhão, sendo um dos campeonatos mais ricos, com um volume de negócios anual de mais de US$ 1,17 bilhão em 2012. O Campeonato Brasileiro é o torneio de futebol mais visto no continente americano e um dos mais expostos internacionalmente, transmitido em 155 países, tendo sido classificado no top 10 como uma das ligas mais fortes do mundo (para o período 2001-2012) pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), ficando na quarta colocação, atrás apenas da Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha) e Serie A (Itália).[12] O Brasileirão é a competição de futebol preferida dos brasileiros (51%), pelo equilíbrio e imprevisibilidade, bem a frente da Copa Libertadores da América (22,3%), a segunda colocada na preferência popular.[13]

História

Origens (1922–1959)

Elenco do Palestra Itália, primeira equipe campeã do Torneio Rio-São Paulo em 1933.

Como o futebol brasileiro tornou-se mais estabelecido na década de 1920, o interesse em realizar uma competição interestadual cresceu. Não considerando as competições interclubes iniciadas com a Taça Ioduran e suas sucessoras, a primeira competição interestadual foi o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, disputado pela primeira vez em 1922, onde reunia seleções estaduais de futebol,[14] tendo como o primeiro vencedor São Paulo e maior vencedor o Rio de Janeiro.[15] Citando as dificuldades em reunir jogadores, os clubes do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e São Paulo, optaram por colocar as suas melhores equipes umas contra as outras.

Em 1933, pela primeira vez houve a escolha de um torneio interestadual relevante, o Rio-São Paulo. No entanto, as edições posteriores (1934 e 1940) foram interrompidas devido ao então baixo interesse.[16][17][18][19][20][21][22][23] A competição só foi retornada em 1950, quando começou a ser disputado de maneira quase ininterrupta, até 1966. A despeito de contar com times apenas de Rio de Janeiro e São Paulo, o torneio chegou a ser tratado como título brasileiro oficioso.[24]

O início: a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata (1959–1970)

Apesar da proposta de criação da Taça Brasil datar de 1951, a primeira edição do torneio não pôde ocorrer em 1955, como o planejado. O motivo seria o fato do calendário do futebol brasileiro já estar aprovado no período de 1955 a 1958, não podendo sofrer alterações em decorrência da Copa do Mundo de 1958. Sendo assim, ficou definido naquela época para a Taça Brasil começar somente em 1959.[1][2] A criação do torneio era necessária como forma de conciliar e integrar os clubes de outros estados, pois questionava-se o fato de apenas clubes cariocas e paulistas terem a chance de participar do Torneio Rio-São Paulo e da Copa Rio Internacional,[25] e da competição ter sido instituída em 1954 pela CBD, com a finalidade de apontar o clube campeão brasileiro da temporada e, de ter seu regulamento definido no ano seguinte, além da decisão da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), em 1958, de criar a Copa Libertadores, uma competição que deveria reunir os campeões nacionais de cada liga sul-americana. Jus a isso, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), encontrou mais uma necessidade para a realização de uma competição para definir o campeão brasileiro a ser indicado como o representante do Brasil na competição sul-americana. Desta maneira, em 1959, a CBD deu início à Taça Brasil, trazendo representantes de cada estado brasileiro para competir neste torneio nacional.

Junto a Lima e Pepe, Pelé é um dos jogadores com mais conquistas do Campeonato Brasileiro. Ambos os três atletas alcançaram este feito jogando pelo Santos, em 1961, 1962, 1963, 1964, 1965 e 1968

A primeira edição da primeira competição nacional de clubes do país, em 1959, contou com dezesseis participantes. O regulamento previa que os campeões paulista e carioca entrassem na competição na fase semifinal; os demais seriam agrupados geograficamente. Os vencedores das zonas Norte e Sul também se classificavam para as semifinais. O Bahia se tornou o primeiro campeão nacional ao vencer o Santos na final. Na edição seguinte, o Palmeiras, conhecido na época como Academia de Futebol, venceu o Fortaleza na final, mantendo a hegemonia paulista. A partir daí o Santos começou a despontar, sendo campeão brasileiro por cinco vezes consecutivas, vencendo a edição de 1961 (reeditando a primeira final contra o Bahia), tornando-se bicampeão no ano seguinte ao derrotar o Botafogo por 5 a 0 em pleno Maracanã, conquistando o terceiro título novamente diante do Bahia na edição de 1963, o quarto diante do Flamengo em 1964, por fim, chegando ao marco do pentacampeonato em 1965, batendo o Vasco da Gama na final. O Santos chegou a sua sexta final consecutiva em 1966, porém, desta vez, perdeu para o Cruzeiro.

Em 1967, o Torneio Rio-São Paulo, ainda sob organização das federações carioca e paulista, foi ampliado com a inclusão de clubes do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, passando a ser denominado oficialmente como Torneio Roberto Gomes Pedrosa (conhecido popularmente como "Robertão", devido a sua ampliação e caráter nacional). A partir de 1968, o certame passou a ser organizado pela CBD, e também recebeu da entidade a denominação oficial de Taça de Prata em função do troféu dado ao vencedor.[4] A partir daí, os clubes que conquistavam o Torneio Rio-São Paulo eram listados como campeões interestaduais e os do Robertão eram apontados como campeões nacionais. No entanto, a Taça Brasil e o Robertão estavam sendo disputadas simultaneamente com o mesmo valor, algo que tornou comum mais de um clube ser denominado como "campeão brasileiro" neste período. Em 1967 o Palmeiras conquistou dois títulos nacionais, ao vencer as duas competições, sendo a única equipe que conseguiu este feito. Em 1968, Botafogo e Santos foram denominados campeão brasileiros por vencerem a Taça Brasil e o Robertão, respectivamente. A partir daí, apenas o Robertão esteve em disputa, consagrando como campeões o Palmeiras em 1969 e o Fluminense em 1970. Internacional, Grêmio Atlético Mineiro e Cruzeiro foram os clubes de fora do Eixo Rio-São Paulo que se posicionaram entre os quatro primeiros colocados neste período.

Reformulações: o Campeonato Nacional de Clubes e a Copa Brasil (1971–1979)

Devido à experiência bem-sucedida com as quatro edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1971 a CBD anunciou a transformação do Robertão em Campeonato Nacional de Clubes, com grande influência política.[26][27][28][29] Esse torneio ficaria conhecido, a partir de 1974, como a primeira edição do Campeonato Brasileiro, excluindo a versão anterior, apesar de disputado sob formato similar ao Robertão[30][26] — em seus boletins oficiais entre 1971 e 1973, a CBD colocava as edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em igualdade de condições com as edições do Campeonato Nacional de Clubes, apenas mantendo os nomes próprios, excluindo esta informação a partir do boletim de 1974.[31][4] Alguns autores consideram que "a história do futebol brasileiro, a partir desse momento, foi deixada para trás".[26] O primeiro campeão da nova competição foi o Atlético Mineiro. A Taça Brasil tinha acabado em 1968, o Robertão que desde sua segunda edição adotava o nome oficial de Taça de Prata, englobava apenas times dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Paraná e Pernambuco o disputaram. O campeonato tinha, a partir desse ano, primeira e segunda divisões que contava com participantes de vários estados brasileiros,[32] sem promoção e rebaixamento por critérios técnicos — no entanto, acabou havendo promoção: foi o vice-campeão da segunda divisão, o Remo, e não o campeão Villa Nova, que ficou com a vaga para disputar o Campeonato Nacional de Clubes de 1972[26][33] —, o que só aconteceria a partir de 1988. Na primeira divisão, a única inclusão de outro estado na disputa foi a do Ceará Sporting Club (Ceará), por ter a maior torcida do Ceará.[34] Nesse primeiro ano não houve grandes mudanças em relação ao Robertão do ano anterior, apenas se deu mais uma vaga para Pernambuco, o vice campeão, mais uma vaga para Minas Gerais, o terceiro colocado. Nesse primeiro ano, 20 clubes disputaram o Brasileiro, contra 17 do Robertão de 1970, não sofrendo nenhuma mudança drástica em relação à edição anterior.[35][36][37][38] Durante vários anos, os interesses da ARENA, braço político da ditadura militar, nortearam o aumento do número de clubes que participariam da competição.[39][33][40]

Em 1975, chegou ao fim a era João Havelange na Confederação Brasileira de Desportos. Ele deixou a entidade brasileira para assumir o comando da FIFA. Em um período em que a ditadura intervinha frequentemente no futebol brasileiro e forçava o inchaço do principal campeonato do país, não apenas para tornar o esporte realmente nacional, mas também para agradar os coronéis da política brasileira em regiões onde o futebol não era exatamente uma potência, a CBD teve um novo presidente: o almirante Heleno Nunes, de forte atuação na política do governo militar.[29] Neste ano, a CBD instituiu um novo troféu mais elaborado, o Troféu Copa Brasil, produzido pelo designer Maurício Salgueiro e o certame que desde a edição de 1971 era denominado de Campeonato Nacional de Clubes, sofre uma nova reformulação e passa a ser chamado oficialmente de Copa Brasil[nota 1].[33]

De 1972 a 1987 os campeonatos estaduais deveriam ser classificatórios para o Campeonato Brasileiro, embora houvesse vários clubes que foram convidados quando não iam bem no estadual, ou se criava um acesso da segunda divisão para a primeira no mesmo ano, como aconteceu com o Corinthians em 1982. Isto fez com que, em 1979, todos os grandes clubes de São Paulo (com exceção ao Palmeiras) retiraram-se da competição. Eles protestaram contra este confuso sistema de classificação, o que fez com seus rivais, Palmeiras e Guarani, disputassem apenas a fase final (devido a condição de serem finalistas no ano anterior). O Guarani terminou entre os 12 primeiros, mesmo jogando apenas três partidas, e o Palmeiras em quarto, apesar de ter jogado apenas cinco, em um torneio com 96 participantes.

Nesse período, Palmeiras, Vasco da Gama, Internacional, São Paulo e Guarani foram os campeões.

Criação da CBF, novas reformulações e crises (1980–1988)

Jornal destaca força do Botafogo-PB no Campeonato Brasileiro de 1980.

Em 1980, devido ao desmembramento da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) ocorrido no ano anterior, o futebol brasileiro passou a contar com sua própria entidade, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).[41][42] Com a nova entidade, o futebol nacional também ganhou um novo campeonato nacional totalmente reformulado, que foi nomeado de "Taça de Ouro" e contou com um formato com duas divisões — três em sua segunda edição —, além de criar um novo troféu que era oferecido pela CBF ao seu campeão. Entretanto, a Caixa Econômica Federal continuou a enviar uma réplica do troféu da antiga competição realizada pela CBD entre 1975 e 1979, a Copa Brasil.[43] A reformulação do campeonato nacional, além da criação da própria CBF, foi principalmente devido a derrocada das bases financeiras que mantinha o futebol nacional e consequentemente a queda da influência do governo militar que intervinha regularmente no campeonato e a cada ano aumentava o número de clubes participantes. Na virada da década de 1970, chegou ao Brasil os efeitos da crise do petróleo, que abalou a economia mundial a partir de 1973 e, que teve efeito retardado no país. O regime militar bancou o congelamento do preço da gasolina, mas foi afetado pelos efeitos colaterais com o estouro da crise econômica nos anos 1980. Os clubes e as federações, presos a esse sistema, foram atingidos pelo agravamento da situação.[29]

Copa União (1987–1988)

Em 1987, a CBF anunciou que era financeiramente incapaz de organizar o campeonato nos mesmos moldes, apenas algumas semanas antes de ter sido programado para começar. A Confederação prometeu encontrar um patrocinador para bancar as finanças, sem sucesso, tentaria um acordo com os clubes para que bancassem as suas próprias despesas com as viagens ou realizaria um certame regionalizado (como era na época da Taça Brasil). Como resultado, os treze clubes de futebol mais populares do Brasil criaram uma nova entidade, apelidada de Clube dos 13, para organizar um campeonato próprio. Este torneio recebeu o nome de Copa União.[44][45] Para conciliar os interesses da CBF com o Clube dos 13, a competição recebeu o nome de Módulo Verde da Copa Brasil pela CBF, que formulou o Módulo Amarelo e um quadrangular. No final, ficou determinado um cruzamento entre os campeões e vice-campeões de ambos os módulos (grupos), donde sairia os dois representantes do Brasil para a Copa Libertadores de 1988.[45] Flamengo e Internacional se recusaram a participar desse cruzamento sendo eliminados por w.o.; consequentemente, Sport e Guarani fizeram o quadrangular com apenas dois jogos finais, que consagraram o Sport como campeão brasileiro de 1987.[46][47] Oficialmente pela CBF, o Módulo Amarelo e Módulo Verde, ambos com dezesseis clubes, formaram o Campeonato Brasileiro de 1987 com 32 clubes no total. Assim como o ocorrido com a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 2010, que foram reconhecidos pela CBF como edições do Campeonato Brasileiro,[48] a Copa União, também passou a ser reconhecida em 2011,[49] porém teve decisão revogada pelo STJ. Em nota a CBF informou que reconhecer o Flamengo como campeão ao lado do Sport não iria contrariar os limites da coisa julgada e que reconhecia somente o Sport como campeão, por se tratar de uma decisão judicial, demonstrando que pra ela os dois eram campeões.[50]

Em 1988, depois da confusão na edição anterior do campeonato nacional, a CBF decidiu fazer um enxugamento na quantidade de participantes na segunda Copa União, para realizar um campeonato mais competitivo com apenas 24 equipes. Além disso, pela primeira vez, a competição contou com um verdadeiro sistema de acesso e descenso, conforme exigido pela FIFA. Finalmente, desta vez, o regulamento foi cumprido, pois os quatro últimos colocados da primeira divisão (Bangu, Santa Cruz, Criciúma e America) caíram para a segunda divisão em 1989, sendo substituídos por Inter de Limeira e Náutico, respectivamente campeão e vice-campeão da Divisão Especial de 1988.[51]

Nesta fase foram campeões, Flamengo, Grêmio, Fluminense, Coritiba, São Paulo, Sport e Bahia.

Mudanças na CBF e no campeonato (1989–2002)

Em 16 de janeiro de 1989, Ricardo Teixeira assume a presidência da CBF.[51] Ele passou a comandar a entidade em uma época em que a mesma enfrentava graves problemas financeiros. Teixeira conseguiu transformá-la em superavitária através de contratos milionários envolvendo a Seleção Brasileira. Durante sua gestão, o Campeonato Brasileiro tornou-se mais reorganizado e as receitas geradas pelos clubes foram ampliadas, tanto nas cotas de televisão quanto nos patrocínios. Entretanto, desde a primeira década de sua gestão, Ricardo Teixeira foi envolvido em diversas denúncias de corrupção.[52]

O Campeonato Brasileiro já havia sido testado com inúmeras fórmulas e nomes diferentes, sendo bastante inchado e confuso em várias edições. Porém, a partir de 1987, com a criação da Copa União, houve diminuição no número de participantes do campeonato. Com isso, vários clubes de regiões menos populares que entravam na competição nacional por serem campeões estaduais deixaram de enfrentar os clubes considerados "grandes" e tradicionais, e com isso algumas agremiações corriam o risco até mesmo de se extinguirem. Para acalmar o descontentamento destes clubes e das federações de menor expressão, a CBF viu-se obrigada a criar uma "copa" nos moldes das europeias. Em 1989, a entidade cria uma competição nacional secundária, a Copa do Brasil, que permitia a entrada de clubes de todos os estados.[53][54] Com a criação deste novo certame, a CBF decide, pela primeira vez, nomear oficialmente o principal torneio nacional de futebol do país de Campeonato Brasileiro. A entidade tomou esta iniciativa para deixar claro qual era o torneio de caráter nacional do Brasil que daria ao seu vencedor o título de campeão brasileiro e, também, para evitar confusões entre Copa do Brasil com Copa Brasil, um dos antigos nomes utilizado entre as décadas de 1970 e 1980.[51][55][56][57]

Na edição de 1999, um novo sistema de rebaixamento foi adotado, semelhante ao usado na Campeonato Argentino de Futebol. Os dois clubes com as piores campanhas na primeira fase e na temporada anterior eram rebaixados. No entanto, este sistema só durou uma única temporada. Durante a primeira fase da competição, foi descoberto que o jogador Sandro Hiroshi estava registrado de forma irregular. Devido a este escândalo, a CBF decidiu punir a equipe do jogador, o São Paulo, anulando jogos em que participou, alternando imediatamente os resultados. Internacional e Botafogo ganharam pontos,[58][59] resultando no rebaixamento do Gama. O clube imediatamente processou CBF, que foi impedida de organizar a edição de 2000, e garantiu vaga nesta competição. Jus a isto, o Clube dos 13 organizou o campeonato daquele ano, sob o nome de Copa João Havelange, tendo a participação de Fluminense e Bahia, ambos da Série B, que foram convidados a participar da edição daquele ano.[60][61]

Neste período foram campeões, Vasco da Gama, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Botafogo, Atlético Paranaense e Santos.

Adoção do sistema de pontos corridos, estabilização e crescimento (2003–)

Mosaico 3D da torcida corintiana na Arena Corinthians, comemorando o título do Brasileirão 2015.
Jogador Dudu do Palmeiras, ergue o troféu do Campeonato Brasileiro de 2016.

Uma das características históricas do Campeonato Brasileiro foi a falta de uma padronização no sistema de disputa, que mudava a cada ano, assim como as regras e o número de participantes. Isto durou até 2003, quando o formato de pontos corridos foi adotado. As partidas são divididas em dois turnos, e a equipe que somar o maior número de pontos é declarada campeã. Os critérios de desempate variam, de sequência de gols a número de vitórias. O Cruzeiro se consagrou campeão desta temporada.

A edição de 2005 ficou marcada por um evento negativo: o escândalo da Máfia do Apito. Durante o campeonato, o árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi preso em uma operação da polícia por manipular resultados de jogos em que atuou para que empresários de sites de apostas pudessem lucrar mais. Em uma decisão polêmica e inédita em toda a história do futebol, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou a anulação dos 11 jogos apitados pelo árbitro.[62][63][64][65]

Na edição de 2006, o número de participantes foi reduzido para 20, o que a própria CBF confirma como "formato definitivo", com as quatro melhores equipes se classificando para a Copa Libertadores, e as quatro piores sendo rebaixadas para a Série B. E, desde 2007, cada temporada decorre entre maio e dezembro, tendo 38 rodadas com dez partidas cada, totalizando 380 partidas. Com a adoção do novo sistema de disputa em 2003, até agora somente Cruzeiro, Santos, Corinthians, São Paulo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras conseguiram sagrar-se campeões.

O ranking da IFFHS de 2012 apontou o Campeonato Brasileiro como o segundo melhor campeonato de futebol do mundo, superado apenas pelo Espanhol.[66][67][68]

Em 2013, pelo resultado obtido em campo na Série A, o Fluminense seria rebaixado, o que o faria ser o primeiro time a ser rebaixado um ano depois de se consagrar campeão. Foi salvo, porém, depois que o STJD retirou pontos do Flamengo e da Portuguesa por escalação irregular dos jogadores Andre Santos e Héverton, respectivamente, na última rodada do campeonato. O Flamengo cairia caso a Portuguesa não perdesse pontos.[69][70] Algumas semanas depois, uma liminar na Justiça Comum determinou que a CBF devolvesse os pontos da Portuguesa, assim como antes havia sido concedida liminar ao Flamengo, colocando novamente o Fluminense no grupo dos clubes rebaixados, mas com unanimidade dos oito auditores, foi mantido o resultado da primeira instância.[71]

En otros idiomas
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