Bico

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Comparativo de bicos (fora de escala) mostrando diferentes formatos que relacionam-se com diferentes formas de adaptações para se alimentar.

O bico é uma estrutura anatômica presente nas aves modernas e é constituído pelos ossos das maxilas superior e inferior, conhecidas respectivamente como maxilar e mandíbula, e pela ranfoteca, a qual designa a camada de queratina que recobre ambas as partes do bico. Essa estrutura apresenta adaptações específicas nas diversas espécies de aves existentes atualmente, sendo muitas dessas adaptações decorrentes do ambiente e também de fatores genético, tais como: adaptação ao hábito alimentar, ao canto, às estratégias de defesa e aos hábitos comportamentais. Atualmente, muitos especialistas classificam as aves de acordo com sua dieta alimentar, sendo esta constituida por aves insectívoras, frugívoras, piscívoras, carnívoras, carniceiras, nectarívoras e herbívoras. O surgimento do bico ocorreu mais de uma vez na história evolutiva, sendo que a hipótese mais bem aceita é a de que este decorre do processo de perda dos dentes em algumas linhagens de dinossauros que são os ancestrais mais próximos das aves.

Anatomia

Esqueleto craniano de uma ave. Nele estão indicado os ossos nasal e pré-maxilar da maxila superior, os ramos mandibulares da maxila inferior e a região sinfisiária.

O bico das aves é conhecido anatomicamente como rostro. Apesar de sua anatomia poder apresentar adaptações específicas para grupos de espécies de acordo com o nicho que ocupam [1], suas estruturas internas apresentam padrões similares. Os bicos são constituídos pelos ossos das maxilas superior e inferior e pela bainha córnea que os recobre, conhecida como ranfoteca[2].

Maxila superior (maxilar)

O maxilar é formado principalmente pelo ossos pré-maxilar e nasal, sendo a maxila normalmente pequena. [2] O método de movimentação do maxilar influencia na cinética cranial das aves, podendo ser do tipo “prokinesis” ou “rhynchokinesis”. Em um crânio procinético, presente na maioria das aves, o movimento da maxila superior depende da movimentação de outras estruturas cranianas, ocorrendo através da rotação em torno da articulação entre o bico e o neurocrânio. No crânio do tipo “rhynchokinesis”, a maxila superior movimenta-se para cima ou para baixo independentemente de outras estruturas cranianas.[2][3] Esse tipo de movimentação do maxilar está presente nas aves conhecidas popularmente como grous, aves limícolas, andorinhões e beija-flores.[1]

Maxila Inferior (mandíbula)

O bico inferior é composto por dois ramos mandibulares que se fundem na linha média da porção rostral das aves, denominada região sinfisiária. A primeira ligação entre a mandíbula e o crânio se dá por intermédio do osso quadrado. [2][4]

Ranfoteca

Casal de calaus (Rhyticeros cassidix). Observar a modificação do culmen.

A ranfoteca é histologicamente parecida com a pele, sendo constituída pela derme e pela epiderme. A epiderme, neste caso, apresenta duas modificações importantes quando comparada à da pele: o estrato córneo (camada de queratina) é bastante espesso e suas células contém fosfato de cálcio livre e cristais de hidroxiapatita orientados. A soma dessas características conferem à ranfoteca sua típica rigidez. [2][5]

Tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus). Neste esquema estão representadas as seguintes estruturas: rinoteca, gnatoteca, tomia, culmen e gonys.

A queratina é majoritariamente produzida por células epidérmicas e distribuem-se rostralmente ao longo da superfície do bico. A camada queratinosa que recobre o bico superior é conhecida como rinoteca e a que recobre o bico inferior como gnatoteca. É na rinoteca que se encontra o par de narinas. [2]

A superfície queratinosa de ambas as maxilas são constituídas por um tipo de queratina de cobertura (mais fina) e um tipo de queratina de suporte de pressão (mais espessa). A queratina do tipo cobertura é encontrada nas superfícies externas e laterais dos bicos superior e inferior. A queratina do tipo suporte de pressão é encontrada na parte inferior do bico superior, no ponto de corte do bico superior e nas bordas cortantes do bico superior e inferior (tomia). [5]

Filhote de andorinha do ártico. Seu dente de ovo ainda está presente e é visto como uma pequena projeção branca perto da ponta do bico superior.

O comprimento de toda a linha média dorsal da rinoteca é denominado culmen, enquanto que o comprimento de toda a linha média ventral da gnatoteca é denominado gonys. A base do culmen em algumas aves é aumentada formando estruturas ornamentais. Exemplos desses casos são o escudo frontal de galeirões e o ornamento massivo dos calaus (bicos-de-corno). A rinoteca possui uma borda cortante presente nos lados direito e esquerdo, conhecida como tomium, a qual se encaixa com o tomium de cada lado da mandíbula. [2]

Apesar de sua rigidez característica, a ranfoteca é normalmente desgastada pelo seu uso e exposição e está sendo constantemente reposta. [2] Um exemplo da sua constante reposição pode ser visto em papagaios-do-mar, em que as ranhuras da ranfoteca podem ser utilizadas como forma para se estimar a idade da ave. [6]

“Dente de ovo”

O dente de ovo é o nome dado a um pequeno processo queratinizado e pontudo, presente na parte rostral do bico superior de filhotes recém nascidos de aves. Ele é usado na eclosão para quebrar a casca do ovo e é perdido logo depois. A perfuração é alcançada através de fortes movimentos com a cabeça e é posteriormente ampliada pelo bico. [2]

Termorregulação

Recentemente, foi demonstrado que o bico do tucano-toco tem a notável capacidade de desempenhar a função de um radiador térmico transitório, ao passo que pode regular a distribuição de calor modificando o fluxo sanguíneo dos vasos presentes no bico.[7]

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