Batalha de Iwo Jima

Batalha de Iwo Jima
Campanha nas Ilhas Vulcano e Ryukyu, Guerra do Pacífico
Stars and Stripes on Mount Suribachi (Iwo Jima).jpg
Bandeira norte-americana no Monte Suribachi.
Data19 de Fevereiro26 de Março de 1945
LocalIwo Jima, Japão
DesfechoVitória americana
Beligerantes
Flag of the United States (1912-1959).svg Estados UnidosFlag of Japan (1870–1999).svg Japão
Comandantes
Marinha:
Chester W. Nimitz
Raymond A. Spruance
Marc A. Mitscher
William H.P. Blandy
Fuzileiros:
Holland M. Smith
Harry Schmidt
Graves B. Erskine
Clifton B. Cates
Keller E. Rockey
Tadamichi Kuribayashi
Forças
+ 110 000 homens (fuzileiros, médicos da marinha, aviadores e outros)
+ 500 navios
20 530 – 21 060 homens
23 tanques
438 peças de artilharia
33 canhões navais
69 armas anti-tanque
300 armas antiaéreas
Baixas
6 821 mortos, 19 217 feridos17 845 – 18 375 mortos, 216 prisioneiros

A Batalha de Iwo Jima (19 de fevereiro — 26 de março de 1945) foi um grande combate em que as forças Aliadas (formadas basicamente por membros do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos) desembarcaram e eventualmente conquistaram a ilha de Iwo Jima, que estava em mãos do exército imperial do Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. A invasão americana, denominada Operação Detachment, tinha como objetivo conquistar a ilha, incluindo seus três aeroportos, com o objetivo de utilizar a região como base para lançar ataques mais eficazes as ilhas japonesas principais.[1] O combate, previsto pelos estrategistas para durar menos de uma semana, durou trinta e cinco dias, se tornando uma das batalhas mais ferozes e sangrentas da Guerra do Pacífico. Controversamente, apesar de ter sido uma vitória contundente das forças armadas americanas, a importância e o valor estratégico da conquista da ilha para o esforço de guerra dos Aliados segue como motivo de debates. Iwo Jima nunca seria utilizada pelo exército dos Estados Unidos como base de preparação e tão pouco a marinha a usaria como base naval.[2]

O exército japonês fez extensivas preparações em antecipação para a invasão americana. Eles encheram a ilha de posições fortificadas, bunkers, casamatas e peças de artilharia escondidas, quase tudo interconectado por quase 18 km de túneis recém construídos.[3][4] A força de invasão estadunidense era protegida por seu extenso poderio de sua artilharia naval e completa superioridade aérea fornecida pelos aviadores da Marinha e Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos.[5] No geral, os americanos tinham uma enorme superioridade em números, recursos e tecnologia. Os japoneses, que estavam na defensiva desde 1943, careciam de suprimentos e tropas bem treinadas (além do fato de estarem numa ilha, o que os impossibilitava de receberem mantimentos ou reforços) e isso fez com que sua possibilidade de vitória fosse praticamente nula. Assim, o general Tadamichi Kuribayashi (comandante das forças japonesas na ilha) teve que adequar sua estratégia para essa realidade, com ele determinado a infligir o máximo de perdas no inimigo e morrer lutando.[6]

Ambos os lados sofreram pesadas perdas. Embora o número de soldados japoneses mortos tenha sido quase três vezes maior que a dos americanos, o total de baixas (somados mortos e feridos) sofridas pelos estadunidenses excedeu a dos japoneses, pela primeira e única vez no Pacífico.[7] Das 21 000 tropas japonesas guarnecidas em Iwo Jima no começo da batalha, apenas 216 foram feitos prisioneiros.[8] Outros 18 000 foram mortos e pelo menos 3 mil prosseguiram por semanas, após a ilha ter sido declarada segura, lutando em forma de guerrilha, escondidos nos seus túneis, atazanando as forças americanas de ocupação. Até perto do fim da guerra, porém, Iwo Jima já estava completamente segura. Ainda assim, remanescentes japoneses permaneceram, com o último militar japonês se rendendo apenas em 1949.[8][9]

O fotografo da Associated Press, Joe Rosenthal, tirou uma das fotos mais reproduzidas da história durante a batalha, a Raising the Flag on Iwo Jima, no momento em que as tropas americanas ergueram a bandeira do seu país no topo do Monte Suribachi por seis fuzileiros americanos. A imagem percorreu o mundo e se tornou uma das fotos mais famosas durante e após a guerra.[10]

Contexto

Localização de Iwo Jima, a meio caminho entre as Ilhas Marianas e o Arquipélago Japonês.

Após os Aliados terem conquistado as Ilhas Gilbert e Marshall e terem lançado uma série de ataques aéreos devastadores contra o Atol de Truk, a principal fortaleza japonesa nas Ilhas Carolinas, em janeiro de 1944, os militares japoneses começaram a reavaliar suas táticas. Tudo apontava que o próximo passo dos americano seria avançar sobre as Ilhas Marianas e as Carolinas. Para deter estas ofensivas, o Exército e a Marinha Imperial Japonesa estabeleceram linhas defensivas que se estendiam para o norte das Marianas e Carolinas, via Ilhas Vulcano, e a oeste via Carolinas e Ilhas Palau até as Filipinas. Em março de 1944, o 31º Corpo do exército japonês, comandado pelo general Hideyoshi Obata, defendia as linhas internas.[11]

O comandante da guarnição japonesa em Chichi-jima foi nominalmente colocado no comando do exército e da marinha nas Ilhas Vulcano.[1] Após os americanos terem conquistado as Marianas, incursões de bombardeios contra forças japonesas no norte do Pacífico foram lançadas, como parte da Operação Scavenger. Iwo Jima, em particular, era usada como base avançada para alertar o Japão que missões de bombardeio americanas estavam a caminho, dando tempo para as defesas anti-aéreas japonesas se prepararem. Isso a tornou um dos alvos principais da aviação Aliada.[1]

Após os Estados Unidos tomarem as bases japonesas nas Ilhas Marshall nas batalhas de Kwajalein e de Eniwetok, em fevereiro de 1944, o Alto Comando Japonês decidiu enviar reforços para Iwo Jima: 500 homens da base naval de Yokosuka e 500 de Chichi Jima chegaram em março e abril de 1944. Neste período, com a chegada destes reforços, o exército imperial agora tinha uma guarnição de 5 000 homens em Iwo Jima.[1] A perda das Ilhas Marianas no verão de 1944 aumentou exponencialmente a importância das Ilhas Vulcano para os japoneses, que sabiam que se Iwo Jima caísse, as missões de bombardeio dos americanos ficaria mais fáceis, com seus aviões sendo transportados para bases mais perto do arquipélago japonês, devastando ainda mais a infraestrutura militar e civil do país.[1]

Os planos finais japoneses para defender as Ilhas Vulcano eram frustrados por vários fatores:

  1. a Marinha Imperial Japonesa já tinha perdido boa parte do seu poder de fogo e não tinha condições de deter os desembarques americanos.
  2. a aviação naval e do exército do Japão também tinha sofrido pesadas baixas em 1944 e com o complexo industrial japonês em ruínas, novas aeronaves não podiam ser construídas em quantidades relevantes. Em abril de 1945, os japoneses tinham menos de 3 000 aviões disponíveis. Tais aeronaves, contudo, não podiam ser operadas em grandes números a partir do principal arquipélago japonês pois, para defender as bases militares avançadas, eles não tinham alcance suficiente para operações de cobertura além de um raio de 900 km.
  3. o que sobrou do efetivo aéreo japonês tinha prioridade de defender Taiwan e as ilhas principais do Japão.[1]
  4. havia falta de pessoal treinado e pilotos experientes, principalmente devido as enormes perdas sofridas pelos japoneses nas derrotas nas Ilhas Salomão e durante a Batalha do Mar das Filipinas em meados de 1944.

Em um estudo pós guerra, oficiais japoneses descreveram a estratégia usada para defender Iwo Jima desta maneira:

Imagem tirada antes do início da invasão de Iwo Jima, em Fevereiro de 1945. Vista do sul, é notável o Monte Suribachi, o ponto mais alto da ilha e umas de suas posições de defesa mais importantes.
Dada a situação [vista acima], visto como era impossível conduzir operações aéreas, terrestres e navais para ter a vitória na Ilha [de Jima], foi decidido que era necessário ganhar o máximo de tempo possível para a preparação das defesas em casa no Japão. Nossas forças contavam apenas com as defesas estabelecidas equipadas na área, lutando contra o inimigo numa ação para atrasa-lo. Até mesmo os ataques suicidas feitos por aviões do exército e da marinha, os ataques surpresas dos submarinos e as ações paraquedistas, apesar de efetivas, poderia ser considerado apenas como uma artimanha estratégica da nossa parte. Foi um pensamento deprimente que não tinhamos meios disponíveis para explorar oportunidades táticas no curso dessas operações.[12]
Monografia japonesa, Nº 48

Após outra vitória dos Aliados na Batalha de Leyte (outubro – dezembro de 1944), nas Filipinas, seguiu-se dois meses de uma pequena calmaria para sedimentar as preparações para a invasão de Okinawa (embora a campanha de bombardeio contra as cidades japonesas prosseguisse a todo o vapor). Iwo Jima era considerada estrategicamente importante: servia como base aérea para os aviões caça japoneses interceptar os esquadrões de B-29 Superfortress americanos e fornecia uma base naval para unidades que precisavam de apoio. Além disso, os japoneses a usavam para tentar lançar ataques aéreos contra as forças Aliadas nas Ilhas Mariana, entre novembro de 1944 até janeiro de 1945. A tomada de Iwo Jima eliminaria esse problema e serviria como base para a Operação Downfall – a eventual invasão do território japonês. Hipoteticamente, a distância entre as bases dos B-29 e seus alvos no Japão seria cortada pela metade e daria aos caças P-51 Mustang meios de escoltar estes bombardeiros durante quase toda a viagem.[1]

O serviço de inteligência do exército dos Estados Unidos afirmou que Iwo Jima cairia em uma semana. À luz dos relatórios de inteligência otimistas, a decisão foi feita de invadir Iwo Jima e a operação recebeu o codinome de "Operação Detachment". O que os americanos não sabiam é que os japoneses haviam mudado suas táticas consideravelmente e aprimorado suas defesas, construindo elaborados bunkers e cavernas, com fortificadas posições. Foi só depois da batalha que os Aliados descobriram que a maioria das suas bombas e artilharia pré-invasão não tiveram efeito, com boa parte da guarnição japonesa saindo quase intacta dos bombardeios aeronavais.[1]

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