Batalha de Guadalcanal

Batalha de Guadalcanal
Guerra do Pacífico
GuadPatrol.jpg
Fuzileiros navais americanos patrulhando as margens do rio Matanikau, em Guadalcanal, em setembro de 1942.
Data 7 de agosto de 19428 de fevereiro de 1943
Local Ilha de Guadalcanal e Mar de Salomão
Desfecho Vitória dos Aliados
Beligerantes
Flag of the United States (1912-1959).svg Estados Unidos
  Reino Unido
  Austrália
  Nova Zelândia
Flag of the Solomon Islands (1956-1966).svg Ilhas Salomão britânicas
Flag of Fiji 1924-1970.svg Colônia de Fiji
Flag of Tonga.svg Tonga
  Japão
Comandantes
Flag of the United States (1912-1959).svg Frank Fletcher
Flag of the United States (1912-1959).svg Richmond Turner
Flag of the United States (1912-1959).svg Alexander Vandegrift
Flag of the United States (1912-1959).svg Alexander Patch
Flag of the United States (1912-1959).svg William Halsey
Flag of the United States (1912-1959).svg Robert L. Ghormley
Império do Japão Harukichi Hyakutake
Império do Japão Hitoshi Imamura
Império do Japão Isoroku Yamamoto
Império do Japão Hiroaki Abe
Império do Japão Nobutake Kondō
Império do Japão Nishizo Tsukahara
Império do Japão Takeo Kurita
Império do Japão Jinichi Kusaka
Império do Japão Shōji Nishimura
Império do Japão Gunichi Mikawa
Império do Japão Raizō Tanaka
Forças
Forças terrestres:
60 000 soldados
(auge)
Forças terrestres:
36 200 soldados
(auge)
Baixas
7 100 mortos
7 789 feridos
4 capturados
29 navios perdidos
615 aviões abatidos
19 200 mortos [nota 1]
1 000 capturados
38 navios perdidos
683–880 aviões abatidos

A Batalha de Guadalcanal, também conhecida como Campanha de Guadalcanal (codinome Operation Watchtower), foi uma batalha travada entre 7 de agosto de 1942 e 9 de fevereiro de 1943 na Ilha de Guadalcanal, entre as Forças Aliadas e o Império do Japão durante a Guerra do Pacífico, no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Em 7 de agosto de 1942, tropas Aliadas, encabeçadas por fuzileiros navais dos Estados Unidos, desembarcaram nas ilhas de Guadalcanal, Tulagi e Florida nas Ilhas Salomão, com o objetivo de negar aos japoneses o uso dessas ilhotas como base para atacar as linhas de suprimento e rotas de comunicação entre os Estados Unidos, a Austrália e a Nova Zelândia. Os Aliados também pretendiam usar Guadalcanal e Tulagi como uma base para lançar futuras campanhas no sul do Pacífico e conquistar, ou neutralizar, a principal base japonesa em Rabaul, na Nova Bretanha. Os Aliados sobrepujaram os japoneses com seu número e destruíram suas guarnições em Guadalcanal, conquistando também as ilhas de Tulagi e Florida. Um dos pontos chave das operações foi a tomada do aeroporto de Henderson Field, que estava sendo construído pelos japoneses em Guadalcanal. O poderio militar americano, com apoio dos australianos, desempenhou ações fundamentais para o sucesso da campanha, realizando o primeiro grande desembarque naval de tropas na segunda grande guerra.

Surpreendidos pela repentina e feroz ofensiva Aliada, os japoneses se lançaram, entre agosto e novembro de 1942, em várias tentativas de reconquistar o campo aéreo Henderson. Três grandes incursões terrestres, sete batalhas navais em larga escala e contínuas, quase que diárias, ações aéreas culminaram na decisiva batalha naval de Guadalcanal no começo de novembro, em que a última tentativa dos japoneses de tentar subjugar o campo Henderson por meio de maciços bombardeios por terra e por mar para que forças terrestres pudessem avançar terminou em fracasso e ainda sofreram pesadas baixas no processo. Em dezembro, os japoneses abandonaram seus esforços de retomar Guadalcanal e no início de fevereiro de 1943 iniciaram uma operação de retirada da região, em face de uma nova grande ofensiva encabeçada pelo exército dos Estados Unidos.

A campanha de Guadalcanal foi uma grande e significativa vitória para os Aliados ocidentais no teatro de operações do Pacífico. Junto com a batalha de Midway, é considerado o ponto de virada na guerra contra o Japão. [1] No começo de 1943, os japoneses alcançaram o máximo de suas conquistas territoriais no Pacífico. Porém, as vitórias Aliadas em Baía Milne, Buna-Gona e Guadalcanal marcaram a transição na guerra para os Estados Unidos e seus aliados de uma postura defensiva para uma ofensiva, liderando, subsequentemente, operações bem sucedidas nas Ilhas Salmoão e na Nova Guiné, eventualmente avançando rumo ao norte do Pacífico, até forçar o Japão a se render em 1945, encerrando a Segunda Guerra Mundial.

Contexto

Considerações estratégicas

Circulado numa linha vermelha, a expansão territorial máxima do Império do Japão no Pacífico entre maio e agosto de 1942. Guadalcanal está localizado no centro direito inferior do mapa, próximo da Austrália.

Em 7 de dezembro de 1941, os japoneses atacaram a principal base da Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. O ataque destruiu ou danificou seriamente vários encouraçados americanos da frota e foi o estopim para a deflagração da guerra entre os Estados Unidos e o Japão. O objetivo inicial da liderança japonesa era neutralizar a marinha americana, tomar controle de várias regiões cheias de ricos recursos naturais e também estabelecer bases militares para defender as novas fronteiras do Império do Japão pela Ásia. Para conquistar estes objetivos, as forças armadas japonesas ocuparam as Filipinas, Tailândia, Malásia, Singapura, Burma, as Índias Orientais Holandesas, Ilha Wake, as Ilhas Gilbert, a Nova Bretanha e Guam. Se aliando aos Estados Unidos na guerra contra o Japão estavam as potências Aliadas, como a China, o Reino Unido e seus territórios ultramarinos, e a Holanda. [2]

Os japoneses continuaram a tentar ter a iniciativa estratégica para expandir seus domínios e perímetros defensivos no sul e no centro do Pacífico, ameaçando a Austrália e o Havaí, ou até a costa oeste dos Estados Unidos, travando batalhas navais no Mar de Coral e em Midway. Esta última foi uma grande vitória para os Aliados. Estes fracassos para o Japão significaram a redução da capacidade da sua frota naval de fazer guerra, mas não mudou sua mentalidade ao continuar suas ofensivas a todo o custo. Nesta altura, os Aliados permaneceram na defensiva no Pacífico mas logo o comando-geral americano percebeu que era necessário tomar a iniciativa. [3]

Os Aliados escolheram as Ilhas Salomão (um protetorado do Reino Unido), especialmente Guadalcanal, Tulagi e Ilhas Florida, como base para partir para a ofensiva. [4] [5] Os americanos e seus aliados planejaram ocupar estas regiões, além das Ilhas Santa Cruz e "posições adjacentes". [4] Guadalcanal (codinome Cactus) se tornou o foco da operação. [4]

A marinha imperial japonesa lançou a invasão de Tulagi em maio de 1942 e construíram uma base naval ali. Os Aliados foram ficando preocupados, quando em julho de 1942, os japoneses começaram a construção de um grande aeroporto no Lunga Point, na ilha de Guadalcanal, de onde poderiam lançar bombardeios de longo alcance que poderiam ameaçar as linhas de comunicação entre os Estados Unidos e a Austrália. Em agosto de 1942, os japoneses enviaram 900 fuzileiros para Tulagi e ilhas próximas e 2 800 outras pessoas (2 200 sendo trabalhadores escravos coreanos, além de especialistas japoneses) para Guadalcanal. Estas bases iriam proteger o quartel-general japonês em Rabaul, ameaçando as linhas de suprimento dos Aliados e estabelecendo uma área de preparação para lançar ofensivas contra as ilhas de Fiji, Nova Caledônia e Samoa. Os japoneses planejavam enviar 45 aviões caça e 60 bombardeiros para Guadalcanal. A estratégia para 1942 era que estas aeronaves pudessem dar apoio aéreo as forças navais japonesas que prosseguiam seu avanço no sul do oceano pacífico. [6]

O plano dos Aliados da invasão da região sul das Ilhas Salomão foi concebido pelo almirante americano Ernest King, o comandante da Frota do Pacífico da marinha dos Estados Unidos. Ele propôs a ofensiva com o objetivo de negar aos japoneses o uso dessas ilhas como base, que poderia cortar a rota de suprimentos entre a América e a Austrália, comprometendo todo o esforço de guerra dos Aliados na guerra do Pacífico. Com o consentimento tácito do presidente Franklin D. Roosevelt, o plano de King foi aprovado. Tal plano contemplava a invasão de Guadalcanal como um passo importante na estratégia geral. Como os Estados Unidos apoiavam a ideia britânica de derrotar a Alemanha antes do Japão, o teatro de guerra do pacífico tinha de competir em termos de pessoal e recursos com o esforço de guerra no teatro europeu. [7]

Um obstaculo inicial era o desejo das forças armadas e do presidente Roosevelt de tomar a iniciativa primeiro na Europa. Havia também conflitos de comando já que Tulagi estava na área do general Douglas MacArthur enquanto as ilhas Santa Cruz estavam na área do almirante Chester W. Nimitz. [8] A questão foi resolvida com o comando geral do general George C. Marshall, dando a marinha maiores poderes e prioridades nos recursos. [9] [10] Sabendo que o general MacArthur não iria gostar, limites mais claros de operação entre ele e Nimitz foram estabelecidos e suas áreas de operação foram aumentadas para o oeste em agosto de 1942. [8]

O estado-maior das forças armadas dos Estados Unidos estabeleceu os objetivos para a guerra no pacífico para o período de 1942–43: Guadalcanal seria ocupada ao mesmo tempo que seria lançado uma ofensiva aliada em Nova Guiné, sob comando de Douglas MacArthur, para capturar as Ilhas do Almirantado e o Arquipélago de Bismarck, incluindo a principal base japonesa em Rabaul. A nova diretriz estabelecia que a reconquista americana das Filipinas iria acontecer eventualmente. [11] O Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos criou o Teatro de Operações do Sul do Pacífico, enquanto o vice-almirante Robert L. Ghormley assumiu o comando em 19 de junho de 1942, para dirigir a invasão das Ilhas Salomão. O almirante Chester Nimitz, baseado em Pearl Harbor, foi então designado como o comandante-em-chefe das forças Aliadas no Pacífico. [12]

O aeroporto em Lunga Point, Guadalcanal, sendo construído pelos japoneses e por trabalhadores coreanos conscritos, em julho de 1942.

Força-tarefa

Na preparação para as ofensivas no Pacífico em maio de 1942, foi ordenado ao major-general Alexander Vandegrift, do Corpo de Fuzileiros (marines), que movesse a 1ª Divisão de Infantaria naval dos Estados Unidos para a Nova Zelândia. Outras unidades terrestres, navais e aéreas dos Aliados foram levadas para estabelecer e reforçar bases em Fiji, Samoa, Novas Hébridas e Nova Caledônia. As ilhas de Espiritu Santo e Novas Hébridas foram selecionadas como os quartéis-generais e bases para suas ofensivas, codinome Operação Watchtower, que começaria em 7 de agosto de 1942. [13]

A princípio, as ofensivas Aliadas foram planejadas para Tulagi e Ilhas Santa Cruz, mas omitiram a possibilidade de um ataque direto contra Guadancanal. Mas após aviões de reconhecimento descobrirem a construção de um campo aéreo japonês nessa ilha, sua captura foi adicionada ao plano e a operação em Santa Cruz foi eventualmente adiada. [14] Os japoneses tinham ciência das movimentações em larga escala das forças Aliadas no sul do oceano pacífico mas eles concluíram que estes estavam apenas reforçando suas posições na Austrália e talvez em Port Moresby na Nova Guiné. [15]

A força tarefa Aliada, totalizando 75 navios de guerra e de transporte (dos Estados Unidos e na Austrália), se reuniram perto de Fiji em 26 de julho de 1942 e iniciaram treinamentos de desembarque de tropas antes de terem de partir para Guadalcanal em 31 de julho. [16] O comando da força expedicionária aliada foi dada ao vice-almirante americano Frank Fletcher (que comandava a partir do porta-aviões USS Saratoga). As forças anfíbias estavam sob a chefia do almirante Richmond K. Turner. Vandegrift liderava uma tropa de 16 000 homens (a maioria fuzileiros americanos) que iriam realizar os desembarques. [17]

As tropas enviadas para Guadalcanal eram unidades recém saídas dos campos de treinamento e armadas com antigos rifles M1903 Springfield e supridos com mantimentos para apenas dez dias e com munição limitada. Devido a necessidade de leva-los rapidamente para frente de batalha, a liderança militar Aliada teve que reduzir a quantidade de suprimentos distribuídas. Os homens da 1ª Divisão de Fuzileiros americana se referiram a batalha por vir como "Operação 'cordão de sapatos'". [18]

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