Batalhão de São Patrício

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Placa comemorativa em memória do Batalhão de São Patrício

O Batalhão de São Patrício (em espanhol: Batallón de San Patricio) foi um grupo militar cuja composição variou de 175 a várias de centenas de imigrantes e expatriados europeus que tomaram parte do lado do México na Guerra México-Estados Unidos que ocorreu entre 1846-1848. A maioria dos soldados do Batalhão eram desertores ou expulsos do Exército dos Estados Unidos. A etnia predominante dos homens era irlandesa e alemã, mas havia também canadenses, ingleses, franceses, italianos, polacos, escoceses, espanhois, suiços e nativos mexicanos, a maioria de religião católica.[1] Havia também escravos fugitivos dos estados do sul dos Estados Unidos.[2] O governo mexicano oferecera vários incentivos aos estrangeiros que aceitassem entrarem para o exército do país: garantia de cidadania, soldos maiores que os dos estadunidenses e grandes lotes de terras. Apenas alguns poucos membros do Batalhão de São Patrício eram, de fato, cidadão dos Estados Unidos.

As deserções para o Batalhão ocorreram principalmente nas seguintes unidades do exército estadunidense: Primeiro, Segundo, Terceiro e Quartos da Artilharia, Segundo Regimento da Cavalaria (Dragões), Segundo ao Oitavo Regimentos da Infantaria.[3]

O Batalhão serviu como unidade de artilharia durante a maior parte da guerra. Mesmo após ter sido formalizado como infantaria, permaneceram usando peças de artilharia no conflito. O nome de São Patrício deve-se ao fato desse santo ser reverenciado como patrono da Irlanda.

Perspectiva histórica

Para os estadunidenses, os membros do São Patricio foram traidores.[4] Para os mexicanos, são heróis que ajudaram os companheiros católicos mexicanos.[5][6]

A maioria dos homens era de imigrantes recém-chegados aos portos do nordeste dos Estados Unidos, parte fugidos da " Diáspora Irlandesa" e da " Fome das Batatas na Irlanda" além de sofrerem com a extrema pobreza do país natal. Outros, não aceitavam a dominação britânica da Irlanda. O Exército dos Estados Unidos oferecia alistamento a muitos, imediatamente após a chegada. Outros eram convencidos a se alistarem enquanto a caminho do sul do país a mando do general Zachary Taylor,[7] com promessas de salários e concessões de terras após a guerra.

Numerosas teorias foram propostas para explicarem os motivos das deserções, incluindo alienação cultural,[8] maus-tratos aos imigrantes infligidos pelos nativos e oficiais,[9] que não os liberavam para as missas dominicais ou a prática livre da religião, as promessas de altos soldos e cessão de terras (320 km²) oferecidas pelo México,[10] e o mau comportamento das tropas após as vitórias nas batalhas. Para oriundos de países assolados pela fome, as ofertas econômicas eram bastante atraentes.[11]

Alguns historiadores acreditam que a principal motivação era a religião predominante mexicana (católica) e a simpatia pela causa, havendo semelhanças entre as situações do México e da Irlanda. No México também não havia escravidão, ao contrário dos estados do Sul dos Estados Unidos. A hipótese da religião é baseada nas provas do número de soldados católicos do Batalhão, das cartas de Jon Riley e dos relatórios de campo dos oficiais.[12][13] Outra hipótese sugeria que os membros do Batalhão de São Patricio estavam descontentes com o tratamento recebido do Exército dos Estados Unidos.

O escritor mexicano José Raúl Conseco notou que muito dos soldados irlandeses viviam no nordeste do Texas, e foram forçados a se mudarem para o sul, dentro da região conflituosa. Pouco antes da guerra eles ajudaram o ataque do general Taylor ao forte e arsenal de Santa Isabel, agora a cidade de Port Isabel (Texas).

Os expatriados irlandeses tinham uma longa tradição de serviços militares prestados nos países católicos, como na Espanha onde ficaram conhecidos no episódio do Voo dos Gansos Selvagens no século XVII. Muitos soldados irlandeses lutaram nas Guerras de Independência da América do Sul.[c]