Arquibasílica de São João de Latrão

Arquibasílica de São João de Latrão
San Giovanni in Laterano
Fachada neoclássica da arquibasílica
Estilo dominanteBarroco
Início da construçãoséculo IV
Fim da construção324
ReligiãoIgreja Católica
DioceseDiocese de Roma
Ano de consagraçãoséculo V
WebsiteSite oficial
Área19600 m² (140 x 140)
Geografia
PaísItália
RegiãoRoma
LocalLatrão (rione Monti)
Coordenadas

San Giovanni in Laterano ou Arquibasílica Papal de São João de Latrão (em latim: Archibasilica Sanctissimi Salvatoris et Sanctorum Iohannes Baptista et Evangelista in Laterano), chamada geralmente apenas de São João de Latrão ou Basílica de Latrão, é a catedral da Diocese de Roma e a sé episcopal oficial do bispo de Roma, o Papa.[1] É sede da paróquia de Santissimo Salvatore e Santi Giovanni Battista ed Evangelista in Laterano.

É a mais antiga e a mais importante entre as cinco basílicas papais do mundo e entre as quatro basílicas maiores de Roma (todas elas basílicas papais também), sendo a mais antiga igreja no ocidente e conhecida por abrigar a cátedra do bispo de Roma.[2][3] Ela também tem o título de igreja mãe ecumênica entre os católicos romanos. O atual arcipreste é Angelo De Donatis, vigário geral da Diocese de Roma.[1] O presidente da França é ex officio o "primeiro e único cônego honorário" da arquibasílica, um título ostentado pelos chefes de estado franceses desde a época do rei Henrique IV.

A enorme inscrição em latim na fachada diz: CLEMENS XII PONT MAX ANNO V CHRISTO SALVATORI IN HON SS IOAN BAPT ET EVANG. O texto, fortemente abreviado, pode ser traduzido como "Papa Clemente XII, no quinto ano de seu pontificado, dedicou este edifício a Cristo, o Salvador, em homenagem aos Santos João Batista e João Evangelista".[4] San Giovanni foi dedicada inicialmente a Cristo Salvador e somente séculos depois é que foi co-dedicada aos dois outros santos. Como catedral do bispo de Roma, San Giovanni está acima de todas as demais igrejas da Igreja Católica, incluindo a Basílica de São Pedro. Por isto é chamada de "arquibasílica", uma honraria única.

A arquibasílica está localizada dentro dos limites da cidade de Roma, mas fora das fronteiras do Vaticano propriamente dito. Apesar disso, ela e os edifícios vizinhos gozam de direitos extraterritoriais como uma das propriedades da Santa Sé de acordo com o Tratado de Latrão de 1929.[5] Nele se realizaram cinco concílios ecumênicos (vide Concílio de Latrão). A arquibasílica foi rededicada duas vezes. O papa Sérgio III (r. 904–911) dedicou-a a São João Batista no século X em homenagem ao recém-consagrado batistério da arquibasílica. O papa Lúcio II (r. 1144–1145) dedicou-a a São João Evangelista no século XII. Por isso, os dois são considerados co-patronos, mas, como indica a inscrição na fachada, ela continua tendo como patrono principal Cristo Salvador.

Origens

Mais informações: Palácio Laterano

A arquibasílica foi construída sobre as ruínas do Novo Castro dos cavaleiros pessoais (Castra Nova equitum singularium), o "novo quartel" da guarda imperial de cavalaria construído por Sétimo Severo (r. 193–211) entre 193-197.[6] Depois da vitória de Constantino I (r. 306–337) sobre o usurpador Maxêncio (por quem os cavaleiros pessoais do Augusto lutaram) na Batalha da Ponte Mílvia (312), a guarda imperial foi abolida e o forte, demolido. Ruínas importantes do forte ainda hoje estão abaixo do piso da nave.

O restante do terreno foi ocupado durante os primeiros anos do Império Romano pelo palácio da gente Laterana (Laterani). Sêxtio Laterano foi o primeiro plebeu a alcançar a dignidade de cônsul e os Lateranos serviram como administradores para diversos imperadores. Um deles, o cônsul Pláucio Laterano, ficou famoso por ter sido acusado de conspirar contra o imperador Nero (r. 54–68), o que resultou no confisco e redistribuição de suas propriedades.

O Palácio Laterano passou para o controle do imperador quando Constantino I casou-se com sua segunda esposa, Fausta, irmã de Maxêncio. Conhecido na época como Casa de Fausta (Domus Faustae), o Palácio Laterano acabou finalmente sendo entregue ao bispo de Roma por Constantino. A data da doação é desconhecida, mas estudiosos especulam que teria sido durante o pontificado do papa Milcíades (r. 311–314), bem a tempo de celebrar um sínodo de bispos em 313, reunido para responder ao cisma donatista e que terminou declarando o donatismo uma heresia. A basílica palacial foi então convertida e ampliada, tornando-se a residência do papa São Silvestre I (r. 314–335).[7]

En otros idiomas
Lëtzebuergesch: San Giovanni in Laterano
srpskohrvatski / српскохрватски: Bazilika sv. Ivana Lateranskog