Agustina Bessa-Luís

Question book.svg
Esta biografia de uma pessoa viva não cita as suas fontes ou referências, o que compromete sua credibilidade. (desde abril de 2017)
Ajude a melhorar este artigo providenciando fontes confiáveis e independentes. Material controverso sobre pessoas vivas sem apoio de fontes confiáveis e verificáveis deve ser imediatamente removido, especialmente se for de natureza difamatória.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Agustina Bessa-Luís Gold Medal.svg
Nome completo Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa
Nascimento 15 de outubro de 1922 (95 anos)
Vila Meã, Amarante
Nacionalidade portuguesa
Cônjuge Alberto Luís (1945 - 2017, 2 filhas)
Ocupação Escritora
Influências
Principais trabalhos A Sibila, Vale Abraão, A Quinta Essência, etc.
Prémios Prémio Ricardo Malheiros (1966, 1977)

Prémio D. Dinis (1980)
Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1981)
Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB (1983)
Prémio Seiva de Literatura (1988)
Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (1992)
Medalha de Mérito Cultural (1993)
Prémio União Latina de Literaturas Românicas (1997)
Globo de Ouro (2002)
Gold Medal.svg Prémio Camões 2004

Agustina Bessa-Luís, nome literário de Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa GOSEGCSE ( Amarante, Vila Meã, 15 de outubro de 1922) é uma escritora portuguesa. [1] [2]

Biografia

Infância e juventude

Segunda e ultimogénita filha [3] do empresário Artur Teixeira de Bessa ( 1882- 1924), de uma família rural de Entre Douro e Minho, e de Laura Jurado Ferreira (1899-?), que era filha de pai português, Lourenço Guedes Ferreira, engenheiro dos Caminhos de Ferro, e de mãe espanhola, Lorenza Agustina Jurado Franco, nascida em Zamora [4].

Regressado a Portugal, o pai de Agustina, que já no Brasil se dedicara à exploração de casas de espetáculo e de jogo, tornou-se gerente do Casino da Póvoa. As contingências da sua vida levaram a família a viver em vários lugares do Norte e do DouroGaia, Porto, Póvoa de Varzim, Águas Santas, Bagunte, Vila do Conde e Godim, naquela que era a casa de família da sua mãe. A relação com a região duriense, durante largas temporadas da sua infância e adolescência, marcaria de forma indelével a obra da escritora [5].

Desde muito jovem que Agustina se interessou por livros, descobrindo na biblioteca do avô materno, os clássicos da literatura francesa e inglesa, marcantes na sua formação literária. Em 1932 vai para o Porto estudar, onde passa parte da adolescência, mudando-se para Coimbra em 1945, e, a partir de 1950 fixa definitivamente a sua residência no Porto.

Agustina casou-se em 25 de julho de 1945, na cidade do Porto, com o estudante de Direito Alberto Luís, que conheceu através de um anúncio no jornal O Primeiro de Janeiro, publicado pela escritora, no qual procurava uma pessoa culta com quem se corresponder. Do seu casamento teve uma única filha, Mónica Bessa-Luís Baldaque, conservadora dos museus municipais do Porto [6].

Atividade literária

Agustina Bessa-Luís estreou-se como romancista em 1948, ao publicar a novela Mundo Fechado, mas seria o romance A Sibila, publicado em 1954 que constituiu um enorme sucesso e lhe trouxe imediato reconhecimento geral. E é com A Sibila que Bessa-Luís atinge a total maturidade do seu originalíssimo processo criador.

É conhecido o seu interesse pela vida e obra de um dos grandes expoentes da escola romântica, Camilo Castelo Branco, cuja herança se faz sentir quer a nível temático (inúmeras obras de Agustina se relacionam com a sociedade de Entre Douro e Minho), quer a nível da técnica narrativa (explorou ficcionalmente a própria vida de Camilo). Essa filiação associa Agustina à corrente neo-romântica, como defende Eduardo Lourenço. [7]

Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manuel de Oliveira, com quem manteve uma relação de amizade e de colaboração próxima. Exemplos desta parceria são Fanny Owen ( Francisca, 1981), Vale Abraão (filme homónimo, 1993), As Terras do Risco ( O Convento, 1995) ou A Mãe de um Rio ( Inquietude, 1998). É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, ( Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

A sua criação é extremamente fértil e variada. A autora escreveu até o momento mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. Foi traduzida para alemão, castelhano, dinamarquês, francês, grego, italiano e romeno. O seu livro-emblema, A Sibila, já atingiu a vigésima quinta edição.

Em 2005 participou no programa da RTP Ela por Ela, série de 13 episódios sobre provérbios e aforismos, em conversa com Maria João Seixas, realizado por Fernando Lopes.

Desde Julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, A Ronda da Noite, que Agustina Bessa-Luís deixou de escrever e se retirou da vida pública, devido a razões de saúde. [8] [9]

Atividades institucionais

Além da actividade literária, a escritora envolveu-se em diversos projectos. Foi membro do Conselho Directivo da Comunitá Europea degli Scrittori ( Roma) ( 1961- 1962). Colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido entre 1986 e 1987 directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II ( Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É ainda membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres ( Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras).

Prémios e distinções

Foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 9 de Abril de 1981, tendo sido elevada ao grau de Grã-Cruz da mesma ordem em 26 de Janeiro de 2006. [10]

Em 2004, aos 81 anos, recebeu o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões. Na acta do júri da XVI edição do Prémio, pode ler-se que "o júri tomou em consideração que a obra de Agustina Bessa-Luís traduz a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora, assim contribuindo para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum".

Em 2005 foi-lhe atribuído o título doctor honoris causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Condecorações oficiais [10]