Afro-argentinos

Afro-argentino
Africano Argentino
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Santiago Lovell
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Cayetano Alberto Silva
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Oscar Alemán
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Rosendo Mendizabal
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Zenón Rolón
Argentina
População total

52.000 [1]
0.1% da população da Argentina

Regiões com população significativa
Buenos Aires
Línguas
Espanhol
Religiões
Predominante Catolicismo Romano
Grupos étnicos relacionados
Afro-latino-americano, Cabo verdiano argentino, Afro-brasileiro, Afro-uruguaio

A população afrodescendente da Argentina originou-se do tráfico de escravos africanos ( excepto os caboverdianos-argentinos eles chegaram livremente no sec XVIII) que operou durante os séculos de dominação espanhola no Vice-reino do Rio da Prata. Durante os séculos XVIII e XIX, o contingente de africanos e afrodescendentes chegou a constituir mais da metade da população de algumas províncias . Os africanos exerceram uma profunda influência na formação cultural da Argentina e tiveram um papel importante na história do país.

História

Segundo relatos históricos, os primeiros africanos chegaram à Argentina no final do século XVI, na condição de escravos, desembarcando na região da bacia do Rio da Prata, onde está localizada a capital, Buenos Aires. Eram geralmente destinados ao trabalho na agricultura ou aos serviços domésticos. Entre o final do século XVIII e o início do XIX, os africanos eram numerosos em várias partes do país, chegando a constituir mais da metade da população de algumas províncias, como Santiago del Estero, Catamarca, Salta e Córdoba. Em Buenos Aires, bairros como Monserrat e San Telmo (antes conhecido como Barrio del Tambor, por ser conhecido como local de cultos africanos [2]) eram habitados por muitos escravos negros, alguns dos quais trabalhavam como artesãos para seus senhores. De fato, os negros eram cerca de um terço da população da cidade, segundo sondagens realizadas no início dos anos 1800. [3]

A escravidão foi abolida oficialmente na Argentina em 1813, mas na prática continuou a existir até por volta de 1853. Ironicamente, nessa mesma época, a população negra começou a diminuir drasticamente. Os historiadores geralmente atribuem esse súbito "desaparecimento em massa" a dois fatores principais: a mortandade de negros na Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), assim como em vários outros conflitos externos e guerras civis, na qual milhares de negros lutaram como integrantes das tropas argentinas e o surto de febre amarela que ocorreu em Buenos Aires, em 1871. [3]

Desde 1801, ano em que foram instituídas as Companhias de Granadeiros de Pardos e Morenos, soldados negros participaram de todas as guerras - sempre nas piores tarefas e nos lugares mais perigosos dentro do campo de batalha. [4] Possivelmente em consequência do grande número de homens negros mortos em combate, o número de uniões entre mulheres negras e homens brancos cresceu, aumentando também a mestiçagem da população. Houve também a emigração da população negra para o Brasil e para o Uruguai. Há indicações de que esses movimentos migratórios tenham sido deliberadamente provocados, entre 1868 e 1874, pelo governo de Domingo Faustino Sarmiento, que também teria promovido ações repressivas, qualificadas por alguns como genocidas e que incluíam, além do recrutamento forçado de negros para a guerra, a segregação da população de origem africana em bairros insalubres, onde a febre amarela acabaria por dizimá-los. [3] A elevada mortalidade de negros no país, fez com que o número de negros diminuísse drasticamente ao longo do século XIX, ao mesmo tempo em que era fomentada a imigração europeia. Todavia, não se pode falar em desaparecimento dos negros na Argentina. Alguns pesquisadores sustentam que, mais do que redução, foi um processo de "invisibilização". Para o sociólogo Gino Germani, este suposto desaparecimento foi consequência da política migratória, cujo "primeiro e explícito objetivo" consistia em "modificar sustancialmente a composição da população", ou seja, "europeizá-la", tornando o negro invisível. Assim, nos documentos oficiais, o extrato da população anteriormente classificado como 'negro', 'pardo', 'moreno' ou 'de cor', passou a se chamar trigueño ('trigueiro') , vocábulo ambíguo que pode ser aplicado a diferentes grupos étnicos (ou a nenhum). Graças a esses pequenos artifícios, segundo Germani, no fim de 1887 a porcentagem oficial de negros baixou para 1,8%. [4] Em 1895, restavam tão poucos negros na Argentina que eles nem sequer foram registrados pelo censo demográfico. [3]